domingo, 28 de março de 2010

OFEGANTE


Cansei. Chega. Parem.
Solto o ar profundo com lágrimas
A imagem turva marca d´água
De mim mesmo
Confunde o sensitivo e o real
O suave esquecível, o projeto do presente
O além determinado, tenso

Sem respirar, atônito
Afônico de toques de fantasia
Inodoro com cheiro de vazio

Aqui ardem os olhos de verdades
Nunca quis tomá-las, ópio
Guardei o selo, a amarra do choro
E num grito de orgasmo
Queimo o passado com álcool
E bebo as cinzas

segunda-feira, 22 de março de 2010

ELO


Uma falta de tua presença
A voz mansa que abranda a saudade
Mas que me encosta uma vontade de você
Em meu ombro leve e ansioso
À espera da presença de quem
Já sinto o aroma, o cheiro dos lábios úmidos
O arrepio inesperado do toque
O hálito sobre a pele que tem sede
Do contato curto, porém eterno
Te espero como a ninguém um dia

Só não me pedes para fingir
Que desconheço as celeumas futuras
E que pelo anseio de te ter sempre
Vou chorar de uma alegria
Mesclada de nostalgia saudosa

MENINOS


Sós, meninos
Nota desafinada mas suave
Doce saudade, acordes
Embebido do edredom
Do teu toque perdido

Nu com o rosto travesseiro
As mãos que apertam o lençol
O deserto de tocar
Reencontro me puxa
O cheiro do suor
Meu corpo em espelhos

Leão de mim tentado
A saber quem é você
E ao te encarar no sexo
Emudeço de dúvida
E me debruço e me abro e me entrego

Garimpando o prazer, suspiro
Não sei nada de você
Te abraço na escuridão
Ejaculo dançando pelos teus cabelos
Lambendo os seios úmidos
De meus olhos fechados

Fecho as mãos tentando esconder
O passado – e sopro no vácuo teu nome
Sedoso de um novo amor alado
Abraçado pelas pernas a ti
Ouvindo tua vida, a fragrância
Tua boca que deseja e teme
Trai e retrai
Refluxo

SENSÍVEL


Lambe-me a face
Mas não cospe a saudade
O gesto de relembrar
Na ponta dos dedos

Excita-me os poros
E me arrepia pelo olhar
Os sentidos embaçados
Trêmulas pernas e suor

Agarra-me os lábios
Cegando a minha rubra língua
No corpo, em direção
Ao ápice - à semente