segunda-feira, 24 de agosto de 2026

FORTUITO


A unidade inevitável coletiva da solitude, sensação fugaz do cada novo alcançável 

Anos de encontros com todas autoversões, rumores de um homem fios brancos 

Com energia luz do sol, violeta, e a felicidade latente da oferta viver, gigante pueril 

Ígneo, a supresa constante do acaso resiliente da maturidade ainda adolescente

O corpo e o tempo, as deleitáveis cicatrizes e a decisão de sentir riso todas as coisas  

Super-herói, imortal, encantado com  boas almas quase que naturalmente filantrópicas

A alma condensada em revoluções, batalhas leves, tributos ao enlevo vário

Enquanto a mente fervilha multidões de percepções imagéticas de experiências 

Todo mundo está mudando, eu também me encontro lá em todos os lugares 


Conciso e acidental, um evento sempre propício ao que nomeemos esse tal amor 

Disposto como quem vai deixar de existir, disponível como quem não morre outra vez 

Amancebado com o prazer simples de auges magnitudes até a pele sorrir instantâneo 

Entusiasta do concubino ato de eleger-se sem impedimentos, buscando o arrepio 

Corpo aberto, um bando de búfalos em manada sedenta levantando poeira azul 

O desejo, afeito à liberdade selvagem da experienciação frenética como em fim 

O olhar solitário, propenso ao auge em um filme cabeça inclinada na janela do trem

Todo mundo está mudando e, nessa corrida opioide, já estou com a cabeça na chegada 


Sem personas, certo do extremo eternizado como grude que não sai com água fria 

A dor que se reverbera em fascínio e memórias, rimas brancas fluidas de sal 

Estados de encantamento, arroubo de gargalhadas deleitosas de tronco para trás 

Senhor da verdade e justiça que reluta, interno, em se equilibrar no fácil fugaz 

Entre tantos outros, sorte de cada um escolhido pelas vontades mais intensas 

Na minha entrega emanando o acaso aconchegado na segurança do sem fim 

Ainda bem, que o mundo vive comigo em beijos molhados em danças de cinturas

Todo mundo está mudando, minha paixão pelo profundo euforia emana versos 


E na esperança de amar, a entrega do cuidado, os músculos distraídos em chamas 

O desejo da saudade com hálito doce antes de qualquer melancolia dura de amanhã 

Prazer, o conforto e o privilégio de sentir como em dias ensolarados por dois 

O deleite de alguém que me estremeça, que tremule em infinitos voos, sei lá mais 

Já que meus poderes, naturais, emergem a cada segundo “como seria diferente?”

É calcular os destinos sem causas e efeitos, pois sendo um ou dois, nunca é matemática 

É estar rendido consentido, sem palavras, em sinestesia como receber flores rubras 

Enfim, a realidade que eu desejo é uma encantadora ilusão que dura a eternidade

terça-feira, 7 de julho de 2026

CADEADOS


Proteção, a libido nefasta dualidade com o mistério da dor perene da futilidade 

Guardião das coisas intangíveis, elemento furtacor de quase tantas chaves inúteis 

No Rio, seus olhos de mar da tarde clarearam forjados no samba feminino da noite 

Não havia mais opções, só um acesso, em sorriso te vi caminhando até os meus 

Receoso, esperei os minutos que foram dias nos braços envoltos no pescoço eriçado

O medo da mão, que clandestina tocava a minha, sutil silencioso das cujas trajetórias 

Segredos de um principado prestes a já ter fim, apesar dos olhares fixos do sempre

Desejei ininterruptamente o aroma do nosso tom e cedi desconcertado a nossa abertura 


Depois de um hiato, lado a lado, quebrei todos os ferrolhos e toquei cada parte 

Senti teu cheiro por completo, a percepção estúpida da perfeição viril do teu corpo 

Então, apesar dos cadeados aparentemente trancados, entre ruídos ranhuras 

Línguas e salivas, a fenda, o exórdio do extraordinário impossível de não sentir 

Quantos códigos sem discrição, o arranjo cadenciado dos pelos por cada parte, sagaz

A vista meia luz sem acreditar a conceber, o amor de amantes, concubinos etéreos 

Nossos vértices revelados na madrugada da conversa aberta na mesa de café 

Amanhecendo a voz dos sotaques sem a roupa dos metais oxidados do passado


O reencontro-samba, reconheci tua silhueta decalcada pela miragem do meu frenesi

Vi teu rosto mirando em câmera lenta, tuas mãos pelo cabelo como se possível mais perfeito 

E cada passo eternidade contemplado como que para adiar a sensação desfrute

Teu abraço de mímica ilusionista, a manifestação mais pura de ser presente 

Fomos serenidade explosiva em um caos de possibilidades, certeiros da escolha júbilo 

Concebemos quiçá um distraído casal de ajuizados períodos verticais, de raciocínios contados 

Vagamos pela rua gélida incapazes de soltar, até que você sem aceitar se foi

E que em regresso, clandestinos, tivemos mais um instante cume, amor animal 


E por fim, em meio a silêncios inexplicáveis, ápices de sensações distância, permitimos

Na ânsia de reviver, voei, na dualidade da temperança e na pressa rouca de nos habitar

Estava eu ao teu encontro, a megalópole culpada da deleitosa ilusão que perdurava 

Te rever real, teu bálsamo, a disposição viciante do teu principado gentil cordial 

Perfomamos pueris os espaços em aliança combinada, o mundo sentiu luzes sinergia 

Caretas, gargalhadas, passos a dois, a reverberação do há tempos não natural 

Estive no seu ninho, travesseiros quarto escuro, mãos no seu contorno delicado  

As fotos instantâneas, azul efêmero, o pertencimento fugaz brincando conosco 


Entre as artes, os museus, a frutose nova e a fluorescência doce da tal felicidade 

Passeamos bicicletas pela incerteza estúpida da indubitabilidade do longíquo inevitável  

O sentimento afogado e simultaneamente extasiado com o que se imaginava impossível 

Sem dizer, já sentindo, eu era completo saudade do que as trancas durante enclausuraram 

Um consórcio consentido em uma ferida boa de doer, o provocante auge amor latino 

Sem promessas de final feliz, Clarice, contemplei todos os fluxos segundos da tua presença, homem 

Vivemos a Liberdade, o contrato fútil de usufruir os corpos por necessidade celebrada

Meus sogros, o queijo do reino, a pipoca no teatro, a arte poética em sangue inexorável vivo  

Mas o pacto forçado revelou a ferrugem, o desgaste natural do tempo, a peça talvez esquecida

domingo, 10 de maio de 2026

TERRACOTA


Estou indo embora até aquele momento, o encontro sem nome de duas palavras

O caminho, o corredor de máscaras, os lençóis limpos do toque derradeiro 

A cabeça baixa com a boca quase a responder a estranha hipnose de te encarar 

Quis teus lábios universo, rapaz cheiroso, os olhos fugitivos do que seria paixão 

Contra a luz da janela, tua pele terracota, reflexo do brilho dos anos vinte três 

Seduzi-me pelo corpo pesado, a pressão do sem ar de quem desaprendeu a respirar 

Que saudade do frenesi do ainda não mágoa, vazio e demasiado sorrateiro

O que não era dura dor, aflição do desencontro, o que não se quer lembrar 


Eu barganha injusta do sentimento narcisista de viver a irresponsabilidade 

O novo inconsequente, o medo das mãos dadas em público; quis só para dentro 

A luta controvérsia dos quaisquer valores enquanto só pude agir em desacordo 

A recente liberdade do corpo, a sede dos outros em uma só boca suficiente 

Você hostilidade secreta da desconfiança hereditária desde o primeiro beijo furtivo

Uma carreira frenética pelo sublime carregando todos os traumas, freios 

O silêncio dos olhos em lágrimas, a chaga de feridas várias, a entrega passional 

A ocupação do espaço ninho desprotegido, menino impulsivo de amor agressivo 


Porém, fomos mossas dia após outro, mal recuperadas em soldas inaptas frágeis 

O medo dos planos futuros, o engano da droga autossuficiência, as diferenças 

Alimentamos a vil sabotagem dos apaixonados de uma caverna de só dois 

Vivemos o esconderijo abusivo da carne sem reflexão, o quarto fortaleza de papel

Consentimos um cambalacho, uma posse ardilosa em conluio com vãs iras veneno

Tatuamos com guache rabiscos de qualquer relação, marcas e sangue 

Abandonamos frenéticos a insensatez de tantos arranhões profundos pela sede

Viramos saudade ainda a sentir, consentida em migalhas de um passado já traído 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

MEDIEVAL


Macio, preto marcado em morfologia-sol risonha e a cor de um divino colorido 

A contrastante metonímia exata do lugar, a maresia do hálito doce e grosso

Doutor da beleza só beleza, os tortos passos de  lindamente descabidos  

A sinergia de segundos em dois olhares de um fatídico propício ao bom caos  

O gin de uma paulatina embriaguez legível aos sábios dos momentos inesquecíveis 

O outro infantil desconsertado absorto do corpo que lhe abraçava de longe 

E naquele festival de fantasias nossas, um moleque de beijos antigos quebrantes 

Então a ratificação sutil do escrutínio doce e natural do nosso trato não acertado


Céu escuro ventando no rosto de mãos ansiosas dadas até o destino estrangeiro 

Distância da desordem, o silêncio da música regular com as batidas, coração 

Rosto a rosto. Fumaça como uma névoa entorpecente, vontade de sorrir, chorar

Dentes frestas arregalados de quaisquer todas libidos, rangendo verdes fugas 

O ato perturbado olhos atônitos vibrantes incrédulos sem cessar frenesi erva 

Coito flutuante em um espaço sem paredes, brancas, dunas em movimentos quadril 

O baile de par, o instante do encaixe deleite e a pausa que escancarou as retinas 

A pausa ofegante para acreditar, conexão lunar, silêncio e gemidos, ilusionismo 


O beijo violento em taquicardia a engolir o corpo, as mãos que insanas se apertavam 

Palpitação, erupção perante lavas fluidas não temerosas, ousada e marcante 

O não som, a respiração grave, apetite de deixar sem voz os olhos que já não veem 

Nus, pernas cruzadas, fumaça e desafio acintoso, paulistinha ou carioquinha

Crus, aroma de peles sem fragrância, faro de irracionais sãos em brisa sinapses 

Completamente entregues às ilações não proferidas mas sentidas, projetadas 

Nego, distância não é um remédio, é uma dor, como paixão sem presença em deserto 

Nomeaste minha beleza forte medieval, traços de um cavalheiro da época média

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

LUTO


No apagar das luzes da tua ausência infrutífera em vão, todo ato despovoado

Despertar em um reinado de ouro sem brilho ecoando no tempo imoderado, oco 

Como uma bruxaria em silêncio que faz algum beijo já qualquer dessabor

Uma dor orgulhosa, sem sono, padecendo do cheiro cru da tua boca violenta

E entre tantos sentidos e outros corpos desmedidos, a memória carente em lastro 

A saudade do desenho do teu fino e inebriante cabelo, as linhas até a bruta nuca

Toda a verdade maculada de uma distância  cinza quase devastadora dos meus ritos descalços

Uma ruína tão viva de pedaços gigantes de sol e luas, de todos os eclipses sem decoro 


No ínterim da eterna não assiduidade, meu corpo em bandejas opacas sem alças 

Como um filme sexta-feira de roteiro por frestas sem brio cada vez mais medrosas 

Imergido sem horizontes, foscos, míopes, quebrantes, carecente de com ou sem você

Caímos em um defeso cruel do não dito bloqueio, cultivo de peçonhas daninhas 

Aquela desvirtude que seca a garganta pra nos proteger de um mal criado por mil dores 

Na verdade, uma benquerença inédita como um bloco de carnaval da minha cabeça 

O riso incontrolável em meio ao caos e ao despudor só da certeza tatuada de existir 

E a imagem soberba da tua silhueta teimosa virginiana me fumando lícito entre os dedos


No extraordinário em partes, aparas de momentos vários quebradas em azuis infinitudes 

Restringidas a labirintos de caminhos feridas e de tantas curas, falso epílogo 

Abro janelas óbvias vento na testa assanhando como poeira olhos fechados 

Lá, nessa miragem, permanece você sorrindo como na última vez, com outro sorriso

Distante, meu grande impostor, falaz, frases vazias de dentinhos separados 

Sentimento hipocritamente real, permutado e nu, como que sempre saindo do banho   

Hoje, por mais que tudo sinta, a inconstância do que é raso sem superfície 

No pulo de um muro espinhoso sem calço, de luto, estou indo embora, amor

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

RODA


Amor é amplo território, hipnose aquiescida em um absorto distraído 

Vício natural, ordem travosa aleatória da lesa desordem, giro giro giro 

A moderação histérica de uma roda larga de carnaval, oca e veloz

Banho de quase chuva em hino descompassado, míngua de sede 

Casta imperfeita de dois ruídos, confusos, a inconclusa paz amiúda 

Legítimo disco de ambos os lados, fadado ao fim de factíveis redemoinhos  

Roleta mundana de todas as munições penhoradas, jogo de valor irrestrito 

Círculo suicida por voltas em globos diários da morte do jamais consensual


Plano rabiscado a lápis em uma esfera infalsa, frágil como o zelo desesperado 

Narrativa esférica de obra aberta de finais já sabidos, autoria distorcida 

O circuito alinhado com a dor de tanto sentir, avulso sem pestanejar 

Arco de linhas frágeis, suscetíveis, miragem míope estonteante para o abismo

Abóbada prestes a desabar sustentada pelo desejo movediço 

Tortura perene consentida sem realismos, corpo fluido e o sangue quente

Insensível insulto dos céticos desacreditados, ansiosos por mais 

Arco vermelho de suplício encantamento quando do encontro da primeira vez 


Xadrez encíclico dupla peça de tantos jogos, peças e estações incoerentes 

A luta injusta de tantas regras inúteis quando apenas se ama incondicional

Choro alado contrito depois de incontáveis promessas que nunca se cumprem 

O alento do cheiro natural, o não perfume, o  bálsamo da foz de corpos trêmulos

Dança de bambolês lambada de quadris circundando mãos pela híspida cervical 

Porto sem cais, solto e avesso, embarque apressado para todas as sensações 

Cão eufórico sem coleira de todas as decisões fumaça de pronto arrependidos 

A injúria injusta de incumbir ao outro o ciclo obsessivo do prazer, o ato gozo qualquer

sexta-feira, 14 de março de 2025

SERENO


Resiliente, ego e agradecimentos de bem, dançando encharcado de sereno 
Pouco a pouco, gota a gota, nos poros, calafrio como palavras úmidas ao ouvido 

Que seja calmaria, toques em chuvisco, a dúvida morna imoral sem mudar

A não culpa leve escorrendo água pacata na certeza massa do incompatível 

As deveras incertezas em segundo plano enquanto os líquidos esborram nus

Esquecidos são os pensamentos feridos repetidos nesse jogo varão embriagante

Capitoso, capcioso então alerta, chega e sua de corpo todo, devagar e volumoso 

Paulatino rosto em rosto, rasgando dois corpos em um chamego lento harmonioso


Pilhério, galhofa das tempestades em copos de tantos comprimentos sem tamanho

Como solvente universal, seja burlesco zombeteiro dos males ansiosos

Galante, garboso, de natureza pluvial horizontal avaçalador de todos caminhos

Que permaneça gradativo encandecente, desnorteador de desfechos dogmáticos

O tempo gracioso de qualquer complacência indulgente em anuência 

A festividade orgástica do sim condescendente onde não há nãos 

Brincante folião diário, aguaceira de mangueira ao sol, limão, açúcar e Pitu 

Chuva de prata, brilhante pancada d’água, o de sempre tão inovador quanto viver


Ludibrioso consentido, de orixá, de cabeça, espiritualidades axé e alfazemas

Jamais inodoro, nunca insípido, destituído de quaisquer vastos sabores sortidos 

Compasso e percussão, batuque ancestral na mútua, dupla, concepção do desejo 

Inacabável, perpétuo, tal imenso maravilhamento consiga, ébrio, anuir 

Que seja transpiração, sarro vertical de dois polos, madrugadas com turnos sem relógio 

Estupefação, pingos grossos na areia, ferro e fogo, movimento de tambor estridente 

Tromba d’água, fúria risonha narcótica, a infalível certeza da imatura jovialidade 

Deita-me em um giro desnorteante olho a olho sem piscar, rindo de tanto chorar 


Caçoador, escarnece o que moribunda com a arma do entusiasmo de possibilidades

Cai em toró. Aleatório, instaura um dilúvio revoada em um pulsar gradativo imenso 

Delírios, formando arco-íris distópicos enlaçados de integrais autopermissividades

Que conceda, de mãos livres, o pacto da experiência coletiva, do cíclico, aliança 

Desassossego de todas as rotinas, que me inquieta; sobressalta meu corpo e almas

Fluvial, amante, perene, foz de rio de todas as aventuras e de todos os romances 

Seja cobiça alegre, inveja com a nossa, a presença inesgotável de luzes neon 

Desemboca-me no mar, constante, ávido pela abundância, o apetite e a sede

domingo, 27 de outubro de 2024

LÁBIOS E CACOS


Homem não identificado, nome emprestado através de lábios viris, viço rubro macio

Doce umidade em um sarau inebriado de dois, o semblante em chagas

Abri a porta para traços grosseiros, abruptos e sensivelmente desordeiros

Feição sem controle, o reagente veneno deleitável, sem roupa e o não tempo 

As mãos compridas fumegando em tatos fascinantes concentrados em combate  

Um olhar ágil de perigo, um contorno de noite em um perfume bálsamo de banho 

O som que não soava, o silêncio do suspiro, a ofegante sensação, a erupção 

A taquicardia que se percebia nas ondulações, os pelos e os peitorais ariscos


O baile do diálogo dos poros abertos, a noturna obsessão consentida, os lençóis 

Fomos pulsação sanguínea em constrição, o desejo fútil da quem sabe única vez 

Do mais ausente fôlego à fugaz estenose de todas as partes, os dedos e os cabelos

Teus fios perfeitamente descompassados, a   avidez marota feliz de sentir o júbilo 

No Casbah, quis a bastante peçonha  viciante da jovialidade da nossa armadilha 

Consentida, assentida em abraços dançantes eretos, encaixados no escuro 

Braços anuídos nos ombros unidos a negras barbas grossas roçando em sobressalto

As luzes de um palco duvidoso, o forró escaletado, o cenário para todo desatino


Quantos dias revelamos a convulsão, a leveza da desnudez natural das duplas matérias 

Os instintivos uivos no Porto sem âncoras mas com todas as arrimos de sentir 

Os mares, as praias, o Bar do Galo, a direção em apuros, a estrada da luxúria 

Libertinagem pura constante como a necessidade de nutrir-se, doces famintos 

A perspicácia de consentir furacões vários enquanto o coração urge por parcimônia 

Então os desencontros, os vazios, as sortidas diferenças, o desejo perfurava 

Quiçá não se escutaram mais ruídos, gritos de sensatez, lambuzamo-nos de erros 

Dilacerados os vidros do amor, cegamos as películas que alicerçavam a areia frágil


Durante, a incapacidade brutal de cessar, de frear os instintos, de aceitar o amor 

A disparidade, os espíritos afins, caçadores de uma utopia menor que o que era mútuo 

A solitude acompanhada tangente à monomania, atração maior que a sensatez

A exímia compulsão, o cansaço até o sono enquanto havia o eterno sumo, fendas 

Moramos no quarto, choramos decepções não maiores que o prazer supramundano

Fomos, do todo, a insônia da madrugada e a dúvida dos dias ensolarados a distância 

Por fim, a fúria, o sangue, o grito de dor, a dolorosa sensação de que tudo será menor

Selaram-se beijos de cacos, morrendo gota a gota dentro da saudade presente 

Como desejo a rudeza devastadora da tua boca, teu olhar em ranhura na minha vastidão


segunda-feira, 15 de abril de 2024

MORRO DE AREIA


O ousado sem camisa, o olhar sedento que desviava fluidez em uma pseudotimidez

O curioso de essência e a incontrolável curiosidade de ter o outro, nicotina 

O boné verde, um talvez alargador preto, o sol que teimava em não me permitir ver

Ouvi tua voz ao longe, mas não conseguia te materializar enquanto já te sabia, previa 

Estalos da não despedida, o corte da história que denunciava a junção ilícita dos opostos 

Todavia você me encontrou, em minutos éramos fumaça rubra e libido em suspiros 

 

A pousada, a intrepidez do novo em apelo silencioso na primeira eviterna cama  

Teus olhos ciganos, como uma pintura perfeita, as mãos hábeis em seda

Meu corpo trêmulo, o sem fim, o reggae em um compasso olho no olho em chamas  

A pulsação, o desnudo e o desinibido, a permissividade dos corpos, água de chuveiro 

Então o cigarro que marcava teu rosto em uma neblina de mistério, leve fugacidade 

Entorpecente, latente também perene, já éramos a mais estranha realidade 

 

Beijos de cacau, água ardente em toques e risos involuntários, inconstâncias e paixão 

A que não buscamos, resistimos, desistimos; o sol já era cúmplice depoente 

Brisa na ilha, dois reis em trono de pedra e o som do mar quebrando em música 

A sensação adolescente de infinitude, o elo súbito, a certeza fortuita da insegurança 

Enquanto os dias sugeriam polvorosas experiências fugazes, fomos imensos dois

Imoderados fugitivos na noite em cercas, matos rasteiros, areia de praia conjugal 

 

Já não dominávamos as vontades do externo, nos instituímos imprescindíveis

Fomos distâncias de barco quando os pensamentos nos ligavam em sal

Tememos o fim, acidente no mar; cobiçava sua silhueta, o bálsamo narcótico hipnótico 

A lua desenhando sua luz no mar, o lençol azul, os nus sedentos namorando o céu 

A surpresa, os corpos e o visceral, o arrepio do pressentimento do indefinível 

Atônitos declaramos amor ao passo que amanhecia, o vértice suado da querença 

 

Enfim, a aflição chorosa estúpida do talvez, mas que já doía inerte viciante, fumo

O possível último sol, o farol sem luz, o caminho desespero perigoso da última vez 

A não saciedade lascívia, o aroma das bocas e a incapacidade de saber agir 

Os degraus que desejamos não findarem para evitar o fim, a saudade bronzeada 

Patéticos voluntários, choramos a dúvida em lentes descomedidas, explosão 

Em cheiro, saca tua câmera e eterniza a nossa lua no mar negro, um quadro demodê

 


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

EM ALGUM LUGAR, DE ALGUMA FORMA




Dentre o ensurdecedor, teu movimento em câmera lenta, o abadá desapertado e ainda cheiroso
O ao redor em um silêncio vazio enquanto tudo parou, observei teu ritmo
A impermanência dos teus cabelos lisos e as mãos ao alto, você cantava
O balanço da boca larga até que em sorrisos, sozinho e somente
Hipnotizei o momento e cultuei, em segundos, teu olhar gigante, distante
Macunaíma, pleonasmo, nortista indígena retinto da noite, tanto e tanto

Alguns passos, já moldei tua cintura em meus braços, tua mão em meu rosto
Os lábios uniram-se em beijo sorriso interminável em afago
O branco incontável dos dentes brilhosos em festa, gargalhamos sem saber
Fomos a força do imprevisível em segundos estranhos ao medo, ficar
Uma piscadela e o olhar fugindo na multidão, o axé e a sem demora saudade
Procurei teus fios pretos, busquei o enlace perdido e tudo sumiu

O reencontro, o que era especulação encarnou em uma febre desnuda
Já não havia espaços e senti deitado tuas dunas, as curvas delgadas
A aglutinação de todos os olhos em arrepio de constatação, a seiva natural
A beleza cafuza, o ingênuo, vulnerável como uma dádiva dos sensíveis poucos
Logo, a fenda, o ato em abraço quase choroso, as cicatrizes
A inquietação e a associação em transe, as palavras que urgiam em sair

A despedida, a esquina como em maldade nos desuniu silenciosamente
Tentei fugir das lembranças, ainda verdes mas latentes, a esquecer
Então, a distância virtual real concebeu momentos para sentir
Crédulos, talvez, vivemos eternidades sem fim e fomos promessas madrugadas
Porém, a realidade violenta e dolorida nos desatou, te reencontrarei
Como te amei em algum lugar, de alguma forma, imenso

terça-feira, 3 de outubro de 2023

PUJANTE

Até mais além, as paredes construídas com o colorido do sopro de todos os anos 
Quando os dias ainda não forem suficientes para destruir os tapumes ainda de pé 
Uma vez que pelo alicerce de sustentação correm veias de sublimação do belo, ego 
Super, interino, espelho flutuante dos traquejos otimistas mais genuínos em sorrisos 
Cheiro de mar, do fumo alucinógeno de mãos para o alto, o clarão, a doce fumaça 
O hálito das melhores fragrâncias, o eterno novo em roda viva e, então, os beijos 
O ritmo, o nu tempestade permissivo em desenho de seda, os caminhos e as curvas 
Aquela permissividade que metamorfoseia todas as coisas desbotadas em novas cores 

Cada paleta, cada aquarela, em chapa quente na pele, os pés que não aparam o chão 
Livres, o pedestal do conhecimento de si pra o adverso do que não orna, não paramenta 
O tronco colosso que transfere as altas vibrações de explosões em chamas ao inconsciente 
E a fluidez dos abraços, o auge da nunca saciedade em movimentos involuntários, ereto 
Até que o que já é memória inesquecível põe o corpo em demência arbitrária, compassada 
Os toques todos, as danças das fendas, a umidade melindrosa carregada da mas calma calidez 
Diluindo o peso de todas as ruínas em um alívio dos ombros condescendentes, a nuca arrepio 
E percebe-se o vivaz irrequieto das sensações; sintam-se os espasmos da comunhão furta-cor 

As luzes e o som aos poucos silenciam-se através de músicas brandas, e não se está mais 
Os olhos se abrem em pupilas dilatadas ressequidas chutando os muros da ilusão de sentir 
O susto de que existe o ao redor, quando pessoas adornam em adereço, mas não habitam 
Porém os corpos ainda em coreografia como uma balança descalibrada, não há mais ninguém 
A paixão rodopia em tontura erógena, uma valsa intuitiva, visto que cedo se deslumbra o desnudo 
A euforia pujante do tempo que não se percebe, enquanto, ao longe, se sente árduo o sol nascer 
Isso posto, as mãos cálidas descem das linhas e se dão medrosas, esperançosas em hesitação 
Enfim, o dúbio perplexo ao se perceber o apesar inesgotável feliz de lançar-se em outro, droga

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

EPIFANIA



Tua falta é a abstinência ambígua mais presente, chama pontiaguda que espinha
É sensação eufórica da parcimônia, uma corrida psicoativa a lugar indefinido
A saciedade em olhares transitórios e o amor caleidoscópio, euforia de cores borradas
O silêncio arranhado em movimentos intensificados, em voo perfumado de quatro asas
Em uma trilha sonora episódica de lugares novos sinestésicos, símbolos disformes
A transcendência sempre par sem freios em uma ladeira íngreme, inconsequentes
Letargia

Os beijos de todos os lábios, o pseudofruto psicoativo da plenitude, minha coisa linda
Encarnados no momento perene estado de graça, os risos incompreensíveis furta-cores
Sensíveis prolongados em alucinações imateriais, o mundo de duas vidas inteiras
O impulso curto prazo eufórico dos efeitos alterados em bem-estar táteis, uma luz
Folículos de fumaça, espaços de recompensa intensificada dentro de um abraço
A fisiologia inconsequente e sem culpa da jovialidade, haja mais vezes para sempre
Metacognição

O pensamento iluminado, múltiplas maneiras em alteração profunda da realidade
Visões de rostos turvos testemunhando o desmanchar do limite dos contornos, música
A cintura e os dedos, compasso sobrenatural com movimentos intensificados, gravidade
Me beija, amor, ilegível intangivelmente, me conduz ao choro em risos por trás de mil versões
Dancemos desnudos descompromissados sobre os braços ao alto, tempo cosmo imensurável
Me revela em lampejos por inteireza, completude liberta no altar florido ao teu lado
Nirvana

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ARES REIS



Com a força mais sutil e truculenta, a leveza propícia dos teus olhos sinuosos
A hipnose astuta e magnética do teu riso ardiloso como em ciclone incisivo
De sabores úmidos desmedidos aturdidos estonteados, primeiros lábios permissivos
Inventamo-nos e consentimos, em segredo a dois, um coroamento não dito
Num enlaçamento não acautelado de instante parede imperecível flutuante
A hesitação nula de quem se deleitava num revolver de ondas de cores infinitude
Meninos de mãos dadas inconscientes, casados com o tempo futuro do presente
Na certeza agoniante da felicidade asfixiando palavras desadormecidas, o alento

A descoberta lascívia e ingênua dos corpos, o desenho retrato do encaixe, delinear
O dócil contorno, bordas nectáreas que se iluminam num deleite em convulsão benigna
Traduzem-se no cauto silêncio estrondoso declarado cor de peles, o líquido e o corpo
Embalam o ponto afetuoso do nosso suntuoso beijo bélico munido de escudo nuvens
Que borram as escalas retrógradas de amor perfeito na nossa una aquarela particular
Emudecem ouvidos cobiça rumores ímprobos que nunca hão de se unir ao sentir
Ao deleite altivo pretencioso da presença austera e imodesta dos nossos laços azuis
Reis, do outro lado, daquele que eriça, de branco balançando os pés sem tocar o chão

Vem, continua perene o sonho leve ininterrupto de parar o tempo na tua gargalhada
Leva minha formalidade, os limites, para passear no teu cuidado, teu abraço, tua paz
Como gente grande, perambula entorpecente nos meus cabelos, enlaça meus enfeites
Desnuda minha mente mapa mundi das asas mais aladas na tua companhia irrestrita
Aventuremo-nos na austeridade desmedida das relações harmoniosas nos conflitos
Segue em efeito terremoto sem rumo na arte da lealdade inconteste da tua meninice
Extrai o sumo do que de sorte é leve, sem se manter, resiste comigo à rotina das modas
Comigo, corrobora o contestável poder fluido da certeza sendo apenas o teu colo

domingo, 8 de janeiro de 2017

SORRISO DO MUNDO

Reaprender-me ao brincar de vida carnaval, fluido desmonte de gosto viril frutado
De Peter Pan doce pintura extraoficial, fora de época, sensações e textura atemporal
O estado atmosférico do encontro das minhas estações, meu arsenal de todos os ciclos
De homem de barba quebra-cabeça clichê de fácil leitura singular, segundos óculos de grau
A sensatez leve do tempo que se obstinou – asas frouxas – em passar sem me retardar
Fincando ladeiras inversas na vontade de sempre subir, mesmo com as pernas exaustas
Ladrando alto o peso do consumido enervado prazo de validade das relações, de mim

Desmanchar-me ao me fingir de particulares, peculiar, vidas esmiuçadas em grandes histórias
De fantasias sui generis momentâneas, máscaras relutantes da realidade sempre em jejum
O folguedo dos meus blocos de todas as ruas, todos os corações, todos os homens, o amor
De festas sorriso apesar – felizmente – da violência masoquista das trocas, desfile de traços
A felicidade suicida sem parcimônia, alterada frenética incessante; que importa a ilusão?
Enlaçando, em gás, venenos módicos a prazeres mudadiços, fumaça branca frívola inesquecível
Fundindo o álcool fuga em minhas legendas sem tradução, o brinde regozijo simultâneo

Contemplar-me ao dilatar levezas, autofolião infração, fora da marcha-ré comum do vão igual
Da tortura pé de ouvido e de armas brancas – em palavras –, o desmontar maldade do alheio
O corte em navalha do sentir, evento uno magnânimo do ser, divino, contudo volúvel e brisa
Do que não é pândego e deleite, do prostrado e truculento, do que não é beijo e saliva viva
Grito e euforia, choro copioso de alegria, música que me arraste e me inflame – pode entrar
Jubilando os meus eternos dias como que os últimos, na bem-aventurança de todos os hiatos
Triunfando contra o mal no qual nem creio, mas que insiste em me calar os sorrisos, meus

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ATLÂNTICO


Minha emancipação, a autonomia recíproca, a fidedignidade das minhas traduções
O empoderamento das forças, minhas marés de liberdade delinquentes bem definidas
As chagas prolongadas em territórios desconhecidos imersos em desfiladeiros azuis
Minhas ondas cativam ao norte, correm por onde há gotas de espaço, felicidades
Mesmo que não existam, insistem em persistir, desembocam em infindos deltas
Febris e apaixonadas ao não serem planícies, sensações ilhadas acima do nível do mar
Contudo seja lá quem as mandou, com tudo, que venham em larvas desconcertantes
Das mais várias ardorosas espécies, das correntes mais latentes, cálidas tatuagens

Minhas inclinações, taludes, do raso ao fundo, lá atrás do mundo, lá dos lados de fora
Mulher e homem, sem arrecifes, navegador inventivo e contínuo, sempres, hipérboles
Espalhando sigilos impertubados remansados, ressacados por ouriçar-se, galante saudoso
Chega, chuva, chuvosa e dilúvio, no teu corte do meu rosto, sobe meu riso aos gritos
Escoa aos pelos, vermelha leve, o mamilo e em descida lambe meu cone, continente
Derrama luares canções, faz chover chorando... já sou praia tangível, úmida e permissiva
Mar calmo tempestivo, mênstruo e propício, talhando lembranças e sensações, toques
Forte, dono, peço que chegue o ombro tristeza, para que não me afogue de altivez, vulcão

Minha vontade dorsal, amiúde, medula e sanguínea, constrói-se no cume pirata de mim
Sou uma boca estrangeira e os seios ofegantes, ventres por dentro, um rastro de paraíso
Uma flor longitude, desarmada, em segundos de espinhos água salgada, perigo irresistível
E quando de lá do fundo do mar de sortilégios, minhas placas de feitiço harmônico, Netuno
Sempre dia, receba-me em tempestade sem tamanho e olhemos as estrelas da imensidão
Do sem formas sem temperatura, respiração ao fim, enfim, no momento da inconsciência
Já sem razão, sem domínio dos sentidos, parcimônia e olhos fechados, toma então minha mão
Enfim, num último suspiro à superfície, me traz atento ao amor eternizado em inércia real

segunda-feira, 14 de março de 2016

OPORTUNO



Descabido e tempestivo, de relance como uma fotografia de perfis sintônicos
Invade, permanece, perdura e, em mudez, livre, cadencia corpos a equivalerem-se
Mentes reticências em poesias imorais remanescentes, taciturnas e assimétricas
Novo remanso atônito, porção de mar de calmaria, a certeza de machucar-se em risos
A leniência dos olhares úmidos, os dedos e os tremores ouriços, consoantes e escapistas
Eis os milésimos côngruos do tempo que invadem em estupro lágrimas de consentimento
Mesmo no sigilo e na quietude-sangue certeza da dor pavoneado de atos proibidos, felizes
O sadomasoquismo da banalidade, o afinado encantamento da possibilidade do eterno insano

És a maré que se rebela harmônica; cala e faz vangloriar de cada feito galante, a mentira sutil
O consentimento pertinente de todo o idiota, o tiro roleta russa, a paixão bala no gatilho
O tiro no escuro em pleno sol de perder o fio tênue do juízo, o ato, o átomo da doação
Faz gozar gota a gota, senhor do consentimento, emudece e ruge com os dentes homens
O cume do delito permitido, o peso do rosto no travesseiro, as mãos dominando a afrodisia
Tatuando unhas de lubricidade falta de ar, uníssono em gemidos de não dominar-se, abuso
Cerceando a certeza do desejo leal mútuo, mesmo que até o transgressor ejacular momentâneo
Já que convences os pávidos amantes de que o atentado cobiçoso de pertencer é delito pouco

Delinquente e violativo, todavia, criaste covardes homens temerosos de experIenciar o ébrio dos ousados
De almejar a transgressão do silêncio olho no olho, em seus vícios genitálias, o vicioso desconcerto
Peças proibidas de um quebra cabeça em delito permissivo até que ambos gritem de braços dados
Fluidos em sua excitação libidinosa, presos no desejo indivíduo pervertido e pávido do obsceno a dois
Embeba-me de lascívia viciosa, banha-me do escândalo da lubricidade cínica dos olhos fechados
Do grito irrequieto no meio da chuva, o pecado nu que escolhi moral ou imoralmente me eternizar
O homem desarmado que não pondera a incontinência suspeitosa de entrega do outro, um cigarro
És tu, o amor, o hiato cobiçoso dono da minha torta regência delimitada pelo meu desejo sublime

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

LIVRE MÚTUO


Livre-me de todo bem planejado, das doações sem inoportuno, da segurança não acidental
Das amarras de convenções soberbas e das etiquetas produzidas com tinta permanente
Ame-me com o casual surpreendente, o fortuito de cada reação, com a beleza do esporádico
Com a liberdade inconsequente manchada de batom barato eventual, uma música e ritmos
Ilumine-me de atitudes fortuitas, de recados sempre imprevisíveis em espelhos irrefletidos

A imagem-retorno é incidental, o reflexo visível... esporádico, o tom de olhos entreabertos
Os significados eternizados por milésimos, o curto eterno sorriso infantil inesperado, o amor
Que em cada espaço nu de tantos parâmetros e modelos será senhor mor do nosso antipacto
Do nosso desacordo em um buscar ser, acessório, a alienação em que sistematiza a felicidade
Sem fugas e contingentes e metas de enfrentamento, abaixo a especulações incolores alheias

Deixemos que sejam aleatórias para que elejamos em detalhes uma por uma, caoticamente
Para que sorrisos esporádicos tornem-se perenes, mesmo que alçadas em dedos apontados
Que os efeitos da sofreguidão perfumem-se em abraços de místico enlevo, arrebatamento
A fim de que o arroubo do encanto mútuo se estabeleça em leve suspensão a qualquer dor
E o sono seja sonho, relativo ou real, desde que tomemo-nos sempre protagonistas entusiastas

Enleva-me sem deleites de mãos dadas, corramos, desbravando com doces e risonhas cambalhotas
Trilhas infindas de fascínio e embriaguez, pois já não importam as sinuosas saídas, quais deltas
Nossos espasmos de vislumbramento desamarraram cada laço que dificulta cego as entradas
Aporta-me em asceticismos de incertezas a dois, como quem contempla o que não é certeza absoluta
Para que cada vazio contate-se como espaço de reinado anistiado de duas coroas, francas e soberanas

domingo, 14 de junho de 2015

AGRADECER (SINÔNIMOS)

Duas figuras sem contornos, uma fórmula jovem negligente em tons de poesia
Sorrisos-engano, mais dia menos dia, no encanto longe e intocável da tua canção
Pairavam, meia vida, rindo hálito alto desvio – estado de esperança inocente
Eternidades azuis incolores que esvaíam com a imagem no horizonte, corte incerto
O acaso oculto do quando seja, quando ele possa ser, sem pensar em pertencer – exclamação
A não resposta para a não pergunta, inconstante sentimento das ironias do destino
A Rua do Carnaval, lua de frevos bienais sem advérbios, na intensidade metonímia de partes

Ocultar o homônimo na espera embalada pela saída do outro, casa sem móveis
A esperança de pertencer a meu toque, o espelho de minha metalinguagem enquanto poesia
O acaso conspirado, as cores, o negro e o corpo, o samba, teus olhos em escolta aspirando aos meus
A incerteza da provável pertença; o sim, o quiçá, a melodia e o compasso, o balanço e o quadril
O arrepio – reticências –, transformando o silêncio na mais atenta e tenra música confessional
O passado em rotação obsessão, as pernas e os braços, os nus inconsequentes, hipnose
Como se lambesse com a ponta da língua a casca sensação de eternidade, efêmera e infinda

O beijo que desnudou uníssono cada pelo em arrepio-início-de-tudo, campo de deleite
Chegou menino entre nós e selou homem feito um coração sangue escuro, rubro latente
Na sua batida, o (des)compassado em manifesto ao caminho da plenitude renasce desnudo
Então, em verdade, paulatino e perturbador, chegaste sinônimos de toda minha natural verdade
Pulsando punhos de meninice pipoca e sorvete, singular em figuras de arroubo e enleve - volupto
Perdemo-nos nas mesóclises que dilatam virgindades, rasgando gozos... boca em estratosfera

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

SEIVA

Os espaços, as experiências de cada eclipse de dois, os laços
Percepção intuitiva da eternidade efêmera da ilusão azul
E do prazer descalço e alado que alucinante perde as asas
Cai em força, entra em chamas, paira nos desnudos ombros
Lambe os mamilos em sais e suor como em sede incontrolável
Bebe o infindável líquido... instável, em uma lágrima orgástica
Corpos, correntes e fios – um insano grito eterno em risos

Sem nomes, estranhos... todavia já tão para sempre, simples azuis
Desatino de desenhos, contornos dos lábios ao dançarem na rubra língua
Desbravando pontos dantes secretos – erupção quente da pele, em pelos
Contraindo o hálito na minha pele, as mãos ébrias que tocam horizonte
Enfim... Já não se respira, expelem-se ruídos que transpiram em compassos
Os olhos umedecem e também já não há palavras, somos olhos em aflição
Prélio, peleja. Não há mais tempo, os dedos se contraem e a carne treme

Uma flor, uma gota de nirvana corre até os quadris unidos entreabertos
O espetáculo. O grito e o ato. Apenas os olhos ansiosos no escuro e o sorriso alvo
O estado comum da exterioridade conjunta dos organismos internos, azuis
Latentes, afônicos, incoerentes. O controle e o disparate. O auge e mais sorrisos
O ritmado enlace dos membros, a troca, outra língua – a sinestesia diversa, única
A transpiração e a sensibilidade de glândulas, a pulsação adversa feliz do êxtase
O salto de olhos fechados na existência humana, animal – a seiva e o cume

domingo, 14 de dezembro de 2014

O PRINCIPADO


Um ingênuo que reclama abrigo, reino distinto
Que tudo o que tem a oferecer é a tentativa do recomeço
Mesmo acordando a cada dia inconstante do mais exagero da paixão
Invadindo pífia majestade impérios de tronos areia fina
Resguardado a meros títulos que em nada me enobrecem, são de ar

Enfim encontrei tua cor refletida na água e, sozinho, desafinei rouco a voz
Virtuoso, perdi meus olhos em território de tua desconhecida província
De pronto, assustei-me em trincheiras, como em guerra contra meu próprio reinado
Perdi, em segundos de não-razão, minha soberania, bobo incontrolável
Se fui fraqueza, coube ao meu controle se descontrolar em tua imagem

Diplomaticamente, dei-te um primeiro boa noite imaginando já todos os dias
Os dias de coroa mútua, monárquica e de riso solto eterno em toda corte
Sem tratados, tocamo-nos no fundo em profundidade natural, crianças
Entre sonetos e crônicas, temerosos, lançamos imperceptíveis rimas plebeias
Um beijo – como quem desaprendeu inevitável a agir, pungente e eterno
Case comigo, sem dizer nada, franco e cândido... eu já instituí meu sim