Quando ousei aqueles olhos pela primeira vez, quando da violência da aproximação
Tua presença, a voz rouca, a luz do marrom que me impediu de simplesmente escolher
Em desatino, rompemos o tempo em toques enquanto outras expectativas se anularam
Eu já estava desnudo no beijo rio doce, abrindo a visão embaçada para acreditar
Caudaloso, grosso e ofegante, sexual divino, dançou todo nosso lance, chapados
Vidros embaçados, o reflexo perfeito das tuas linhas gigantes em transe, cigarro
Tráfego inconsequente, sol inesperado, já não me dominava, rijo; já amanheceu
Paixão fim de noite, corpos no carro e a febre ilhada das escolhas incoerentes
Quantas vezes fomos palavras prontas para explodir, labirinto meios alterados
Entre o avesso da euforia enquanto segredo de cada medo selvagem, taquicardia
A dúvida que fala invadindo e rasga toda projeção, inquieto, inquieto, inquieto
O passado revolve pelo avesso qualquer certeza, a proximidade da alta liberdade
O regozijo destempero que vicia, desestabiliza, pausa a sensatez do peito
Religião heresia e disparate, o antagonismo da sede mútua sedentos do mundo inteiro
O desejo, taras que não se calam, os tantos outros: pudor secreto da não monogamia
Então era dor, carne inflamada, músculos trêmulos; escolhas por esquinas ilícitas
Quais momentos sem controle, éramos só ação permissiva em tempo vil caótico
A irresponsabilidade deliciosa do vício destempero, chamas em bronze de praia
A insensatez do encanto pele absurda, o silêncio da dúvida pela certeza jovem
Do poder natural de seduzir, da delícia de ser desejado enquanto os quadris dançam
A presença logicamente contraditória, a realidade sem colírio, fumaça e cachaça
A posição perfeita, molejo em cadência regente de qualquer insensatez, duas lupas
Beijos infindáveis de inveja, o quadro da infinitude ciente da entrega súdita volátil
Como se faltasse coragem para aceitar tanta paz liberta, feroz pois desvairada
Vulneráveis, descobertos de coerência mesmo certos de todo sentido, rima fuga
A resistência da saudade diária, o desapego exagerado desafiando razões
Rosas de um impulso prazeroso, com palavras comedidas prontas para gritar
Decepções vulcão já esperadas, certeiras e vingativas sem assumir motivos, duros
O silêncio impiedoso como uma automutilação desastrosa nas projeções
Infeliz absurdo da sensatez escondendo o aperto no coração da distância eleita
A ânsia paradoxal do amor e da experimentação, noites em lágrimas
A desfaçatez de estar perto do arrependimento consentido, mas há vida

















