
Pude por anos dizer que não
Meu corpo te querendo em ódio, selvagem
Libertino, teu olhar horizontal me pertubou
Alvejando, sem freios, meus bons costumes
A dêixis sã do que eu tinha como amor
Homem culpado, desregrado, impune
Imune, em ações, às minhas convenções
Pude por vezes não desfrutar
Meu desejo traindo a mim mesmo, a suja pureza
Concupiscente, a entrega era medrosa e lasciva
Compilando o êxtaxe e as dúvidas em um momento
O segundo plano de uma obra protagonista
Companhia voluptuosa, em gritos, silenciosa
Impudico, impiedoso, dono da minha libido
Pude em lucidez te julgar
Minha verdade projetando o modelo de ti, perfeito
Cônscio, meus moldes sem efeito, inúteis
É em tua liberdade, teu sopro de força de vida
O limite imensurável e intocável, em risos
Cúmplice sem palavras, os atos, mesmo em distonia
Coeso e incoerente, a confusão de minhas escolhas
Pude em gestos te reprovar
Minhas atitudes cabisbaixas e palavras cravadas, afiadas
Covarde, te troquei por certezas sem emoção, efêmeras
Mas é em minha lúcuda embriaguez, cara sem máscaras
Que me ligo em único, sem anexos, sem regras alheias
Amando em loucura, em qualquer verdade, entorpecente
A ti, meu vício eterno sem cura

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