sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

EM ALGUM LUGAR, DE ALGUMA FORMA




Dentre o ensurdecedor, teu movimento em câmera lenta, o abadá desapertado e ainda cheiroso
O ao redor em um silêncio vazio enquanto tudo parou, observei teu ritmo
A impermanência dos teus cabelos lisos e as mãos ao alto, você cantava
O balanço da boca larga até que em sorrisos, sozinho e somente
Hipnotizei o momento e cultuei, em segundos, teu olhar gigante, distante
Macunaíma, pleonasmo, nortista indígena retinto da noite, tanto e tanto

Alguns passos, já moldei tua cintura em meus braços, tua mão em meu rosto
Os lábios uniram-se em beijo sorriso interminável em afago
O branco incontável dos dentes brilhosos em festa, gargalhamos sem saber
Fomos a força do imprevisível em segundos estranhos ao medo, ficar
Uma piscadela e o olhar fugindo na multidão, o axé e a sem demora saudade
Procurei teus fios pretos, busquei o enlace perdido e tudo sumiu

O reencontro, o que era especulação encarnou em uma febre desnuda
Já não havia espaços e senti deitado tuas dunas, as curvas delgadas
A aglutinação de todos os olhos em arrepio de constatação, a seiva natural
A beleza cafuza, o ingênuo, vulnerável como uma dádiva dos sensíveis poucos
Logo, a fenda, o ato em abraço quase choroso, as cicatrizes
A inquietação e a associação em transe, as palavras que urgiam em sair

A despedida, a esquina como em maldade nos desuniu silenciosamente
Tentei fugir das lembranças, ainda verdes mas latentes, a esquecer
Então, a distância virtual real concebeu momentos para sentir
Crédulos, talvez, vivemos eternidades sem fim e fomos promessas madrugadas
Porém, a realidade violenta e dolorida nos desatou, te reencontrarei
Como te amei em algum lugar, de alguma forma, imenso

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