quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ESPELHO


Falam em ficar sem chão, estar sem rumo
Permaneço sem alma, sem luz, em deserto
Tomado conscientemente da falta de perto
Do medo do rancor de para sempre, em dor
E durante muito tempo, serei alguns poucos
Um espelho em cacos e uma imagem sem moldura

Como a cólera supera espaços em que o amor
Impera entre dois seres? Uma dupla eterna
As mãos de faca afiada que cortaram a paz
A base, a estrutura perfeita de nós cúmplices
Os gritos ilícitos e a força onde havia pureza
As palavras sem fim, sem começo, armas duras

Detalhes infinitos que me mantêm em vazio
Sem horizontes, como se em morte aos poucos
Meu rosto não comporta em total meu sorriso
Não contempla minha tristeza infinda e o temor
O horror da solidão e da consciência, minha vida
Como me arrependo de existir nesse instante

E me ponho ao balbuciar desculpas sozinho
Em constantes lágrimas me indago sobre o momento
Em que me perdi de ti e quis desistir de mim
Pois duvido que algum homem ame a seu ídolo
Sua fonte do paraíso, sua eternidade, seu cerne
Como eu, em chamas e em lágrimas, a minha mãe

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