quinta-feira, 14 de março de 2013

COMBUSTÃO


Na estrada inconsequente de brisas em pó
Nos cabelos do vento que em canto te assobiam
Sou somente a saudade orgulhosa que silencia
Nas vias de faixas amarelas em álcool do teu nome
No gole estado de estupor do teu corpo, ilusão
No run away da batida surda da tua falta
Festejamos sozinhos com sorrisos do canto da boca
No químico, no sólido, no intangível, onde esteja
Nas minhas veias vivas e sonoras, sem ritmo
Que ritmam a melodia de tua voz em chamas, louco
Toco meu rosto como que com teus magros dedos

Nas curvas delineadas da cumplicidade, infantis
No brilho maior da escuridão em estrelas
Somos uma párea inconsequente,telescópio em chamas
Nas pernas que balbuciam entrelaçar tuas coxas
Nas quentes mãos ao tentar te possuir em imagens
Crio teu cheiro dançando meu olfato pelos braços, só
No toque uivante longe, longínquo e severo
No instante isqueiro da chama que traga em luzes
Drogamos um ao outro em abraços de lágrimas
Nas cores indefinidas da tua escultura nua, perfeita
Nos meus pensamentos de pólvora, és fogo e melancolia
Sou risos , sou frase, sou a retórica perdida sem espaço

Na libido que distante se figura em fumaça, alquimia
Nos condutores repulsantes de beleza, só te pertenço
Sou menino, dono da tua poética quente sem estrofes
Na delicadeza sagaz da combustão, a paixão sem limites
No tabaco, no trago dos laços e nós-cegos diários
Somos maçaricos sãos de enfrentamento, de mãos dadas
Na fragilidade fósforo dos fatos, o impetuoso incêndio
No topo, no limite tangível da relação dos homens
Somos a reação pungente em cadeia de dois amantes
Na dor do pingo de vela para sarar, a cura pelo amor
Na contramão dos rótulos, os polos contrários totais
Juntos, à vida eterna na fogueira proibida

Nenhum comentário:

Postar um comentário