sábado, 7 de agosto de 2010

MARCAS


Dentes de força, brilho
Mordida de pra sempre
Trincando a inocência
Rasgando as páginas,futuro
Mágoas em cáries expostas
Lembranças em água gelada

Dúvida certa de eternamente
Alvos reflexos, banho maria
Inaudíveis assobios, depressão
Vontades, ânsia de gritos...
O dedo que apontou, cercou
Fura a ferida boa de machucar

Truque da felicidade à força
Olhares tatuagem, sumiço
Beijos encharcados de outros
Palavras em ressaca, ópio
Foto sem imagem
Porta-passado

domingo, 1 de agosto de 2010

INDECIFRÁVEL



Inconstante
A arte do esconderijo dos sentidos
A doçura das figuras da linguagem crua
A tradução metafórica do simples ser
A euforia da aventura, o novo feliz
A expressão da sensibilidade infantil
Rebelde razão em alegria

João Bobo, volúvel
Irmão incondicional de um sempre sorriso
Amigo de madrugadas de neon, noites de vinho
O dorso estável de instabilidades
O garoto choroso que perdeu as chaves
O homem seguro que educa, realização
Seriedade com um jornal, delícia em gibis
Luz do sol, intenso romance

De quem falece a impaciência ao não sentir
Insatisfeita perfeição a fogo
Dono de migalhas que silenciam sonhos
O sentido por meus conceitos
A verdade por meus devaneios
Amante carne viva, anos luz

Incógnita
Menino que fura o dedo, pacto
A brincadeira solitária de, só, salvar o mundo
Guerreiro eterno, poderes imensuráveis
Bonança inocente que não consente um não
A raiva de bochechas, a beleza mentirosa do perdão
Orgulhoso, cara feia de peito aberto

Consciente, em transe
Incomodo como espinho que finca
A inveja mutável que me puxa
A topada de rosto no chão
Mas amoleço os ombros, estendo a mão
Beijo a face que me perturba
Cuspo o passado e me deixo embreagar
Desse conhaque de felicidade leviana
Ai, que vontade de viver!