
Já me basta ser Segunda
Vou gozar de teu sorriso
Beber com morangos tuas palavras
Meladas condensadas, na Sexta
Feira de sábados domingos
Curtos rubros e efêmeros
Ciclo viciado, visceral
Sorvetes e ópios, lencóis
Te verei às verdes dez
Feliz às cinco, no banho, dia antes
Desenhando teu nome, imperfeito
Delineando o molde perfeito
No bafo do calor em vidro
Dedos que se tocam, mordem-se
O arrepio de imaginar
Cio de olhos fechados
À espera do perfume, contato
Sentado ao lado, mão por cima
Sinto a marcha quinta, 150km
Sem atentar para o supérfulo
Desvio do freio atraso, acelero
Simulo meus olhos faróis, longes
E esmoreço com o brilho olhar, espelho
Úmidos e quistos
Já me sacia o toque algodão
Assim aspiro o nu escondido
Linhas esculpidas que teimam
Em decifrar meus infinitos fracos, teus
Simulam o transe que grita, extrapola
A língua excitada do tempo
Travestido de eternidade

