segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
INFANTE
Nem tente me ver em escalas de preto
Já que os detalhes no amor não desbotam
E os ciclos de aventuras mágicas, infantes
Não se desenham em pontas, não ferem
Iludem-se da presença em eterno
Me dá as mãos, vem, olha em mim
Mas não me desculpa, ri apenas a admiração
De apenas fazer o inútil de passar o dia
De já estar presente derramado em saudades
Chega em timidez, inconstante, permite
Põe os braços, me toca os lábios no pescoço
Soluça tua dor desabotoando meu remorso
Barbas amantes em palavras secas de amor
A vontade, lágrimas e o beijo do nunca
Em terra agora desconhecida, alheia
Me leva no ritmo de tua raiva, me marca
Murmura uma chuva forte em silêncio
Acende-me a criança em êxtase do passado
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
EQUUM

Em uma brisa forte e forte de suspiros
Fagulha em chamas de maus pensamentos
Vidro quebrado pedaço como estímulo
Voltam palavras ditas em febre alta
Mutilação de para sempre
Sacrifícios terminais de kamikase
Cansaço imolando meus nervos, surdos
Banquete de aversão ao outro
E enquanto a cabeça fumeja remorsos
Um transtorno fugaz me remete à imagem
Do transe do descontentamento, oco
Apertos de mão como estrangulamento
Descrente, incrível, avulso
Abuso, abuso, abuso
Inerte ,invisível, incrédulo
Dos que sentem por obrigação
Dos que riem por compensação
Dos que doam por ter
Um ponto
Clichê
Um dia após o outro
Uma pessoa entre pessoas
Animais e pessoas
Animais e animais
Animais
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
BEM VINDO
Há pouco, ouvi que nada passaria de um dezembro
Um evento ludibriado de planos dissolutos
De mais um Roberto, um Júnior, um Gustavo
Um julgamento medíocre de ser igual
O infame pesar dos que foram pele
O mesmo do todo que se repete
Paulatinamente
Do seu jeitinho, no seu tempo, mais e demais
O ritmo carinhoso do beijo que marca o medo
O abraço desacreditado em toques de fúria
Uma força de olhos úmidos, o tilintar de arrepios
A vida, o sopro devastador da paixão
Definitivamente
Os lábios trêmulos ao balbuciar, sem domínio
Sem perceber, instintivo, te amos
Um beijo em lágrimas, pode acabar o mundo
Os momentos em qualquer lugar, incomparáveis
Uma dor feliz de compartilhar o inútil a dois
O sono da contemplação
Hoje e até nosso sempre
Dono das minhas gargalhadas, regente de meu sorriso
Compasso de meus bobos sonhos, agora reais
O amor que chora ao ir embora, menino perdido
O estar perdido ao estar longe, vulnerável
A mão dada ao atravessar a vida, o cúmplice
A criança apontando para o céu, minha estrela
A saudade que brinca com minha felicidade
sábado, 11 de junho de 2011
ALMAS ETERNAS

Um dia, foste o líquido, o suprimento único
O lar, o lugar, a zona de minha subjetividade
O espaço quente, morno de proteção
Local de encaixe perfeito para meu choro
Para minha ânsia de chorar em soluços
O tamanho ideal para meu vazio
Um dia, foste a mão suave após a queda
A força feroz em defesa da cria inábil
Os dentes rangendo de nervosismo
Ante minha segurança, meu bem, meu estar
Os olhos medrosos de saudades
O desafio insigne de me deixar caminhar
Um dia, foste certeza de cada uma dúvida
O grito contra meus atos, que te doeu mais
A engenharia subjetiva de meus projetos
A metodologia do improviso, do concreto
Meu desenho, o rabisco, as folhas imperfeitas
A mão sobre a minha como um amuleto
Um dia, foste o choro do momento decepção
A alegria-orgulho do meu jeito, imagem
O abraço atemporal no tempo certeiro
O sentir por trás do meu sorriso pela metade
A heroína, o acolher dos meus infantos medos
A calma de ninar apaziguando desesperos
Um dia, foste minha escola em regime de sempre
O molde de orgulhoso caráter, mesmo sem entender
O oásis único detentor de meus segredos em silêncio
A mais indecifrável chave de acesso livre, a mim
A presença pelo cheiro, pelos cabelos, pelo riso
Minha única certeza de eternidade
Um dia, foste meu remédio, minha cura
A dor latejando por mim, a fé que me sustentou
Meu agasalho de retalho completo em si próprio
O impossível para me agradar, meu presente mais raro
O termômetro de minhas sortes e azares
O sonho dormindo de sorriso largo, inconsciente
Um dia, foste a régua sozinha de cada traço torto
A fonte das vontades e o apoio sem olhar para trás
O inato, o instinto animal, o amor do tamanho do meu mundo
A canção de afago, a voz de fazer dormir,a paz
Um dia, Deus volta para os céus em vida
Porque hoje e desde sempre, ele é, aqui, a minha mãe
quarta-feira, 4 de maio de 2011
ROSA

És o choro transbordando, menina, o riso espontâneo
A lealdade na dor, na alegria, pétala por pétala
Meu passado costurando o presente, essencial
O silêncio, o detalhe que se esvai e volta no olhar
A inveja dos que nunca alcançaram o amor, o medo
És a rosa dos ventos de horizonte indefinido, dependente
Meu instrumento de orientação mesmo sem me entender
O consentimento aos poucos do que sempre desacreditou
Por essas mãos abertas que nunca passaram de questionamentos
Certos de si, homogêneos, homem, mulher e dúvidas
És o botão de confiança que machuca, o espanto que eleva
A solidão conjunta lá de longe, tão perto de mim
A faca e o sangue, o abraço e a vitória, a incerteza
Os passos destoantes em caminhos unidos, sempre
Meu orgulho do teu jeito, nos teus muitos limites
És a Rosa de Sharon, o lírio entre os espinhos
O lugar de meu conforto ao desacreditar nos homens
O motivo para chegar mais pertinho de Deus
A seiva, uma serva do amor utópico incondicional
A força companheira, a estima e a crítica veroz
E no arrepio do fim, se ele existir para quem deveras ama
Não esqueça, irmã, das palavras, das lágrimas e dos risos
Mútuos, não se apagam, não se esquecem e nem se comparam
Com as lembranças do muito que fui, que fomos e somos felizes
Nessa busca por sermos apenas humanos, amigos
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