quarta-feira, 4 de maio de 2011

ROSA



És o choro transbordando, menina, o riso espontâneo
A lealdade na dor, na alegria, pétala por pétala
Meu passado costurando o presente, essencial
O silêncio, o detalhe que se esvai e volta no olhar
A inveja dos que nunca alcançaram o amor, o medo

És a rosa dos ventos de horizonte indefinido, dependente
Meu instrumento de orientação mesmo sem me entender
O consentimento aos poucos do que sempre desacreditou
Por essas mãos abertas que nunca passaram de questionamentos
Certos de si, homogêneos, homem, mulher e dúvidas

És o botão de confiança que machuca, o espanto que eleva
A solidão conjunta lá de longe, tão perto de mim
A faca e o sangue, o abraço e a vitória, a incerteza
Os passos destoantes em caminhos unidos, sempre
Meu orgulho do teu jeito, nos teus muitos limites

És a Rosa de Sharon, o lírio entre os espinhos
O lugar de meu conforto ao desacreditar nos homens
O motivo para chegar mais pertinho de Deus
A seiva, uma serva do amor utópico incondicional
A força companheira, a estima e a crítica veroz

E no arrepio do fim, se ele existir para quem deveras ama
Não esqueça, irmã, das palavras, das lágrimas e dos risos
Mútuos, não se apagam, não se esquecem e nem se comparam
Com as lembranças do muito que fui, que fomos e somos felizes
Nessa busca por sermos apenas humanos, amigos