quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DOCES CONFETES


Amor e Carnaval
Palavras antônimas que se anulam, intocáveis polos
Nem no mesmo verso, nem na mesma rima
Duas linhas... uma apaixonada, outra volúvel
Mas que se transformaram naquela última noite em uma
Uma volúpia inocente, uma corda de sensações
Desfile de paixão em máscara de papel machê

A escolha dentre cada corpo de vontades
Encaixe em moldes dos nossos vazios, o olhar desviado
E a aproximação que me fez tremer só em chegar
Desenhando aos poucos tua imagem e a minha coragem
Em um aperto de mão de tempos anos luz, olhamo-nos
Como se já deduzíssemos a força e a intensidade de tudo
De cada, do todo... e o frevo silenciou as vozes alheias

Teu cheiro me recebeu antes de eu tentar falar e emudeci
O galanteio grave por essa voz que me paralisou; suspirei, suspiramos
A boca desejando falar enquanto já te dominava em sabores
Os cabelos de orquídea suave em minhas mãos, felizes e incertas
E a simbiose de pertencer, a ânsia, o contato de estado de graça
Sem comandos, éramos o deleite doce um do outro
E como em transe, sussurrávamos promessas de para sempre

Praia deserta, noite de lua amante e de entrega
Teus contornos assobiados pela maresia do mar, peles quentes
A vontade de dizer, de jurar, de te esconder para mim, para sempre
Nossa dança, sinal de foda-se o mundo, uma paixão sorriso
Um amor instantâneo platônico junto, incrivelmente real

Marco Zero e Alceu, o forte etílico – beijos, carinhos e abraços
Cada rua do Antigo foi cúmplice e estava mais feliz naquela noite
E, enfim, a ponte colorida de carnaval, despedida com lágrimas, sem confetes
Esqueci o medo de ser um simples pierrot, sorri, deixei-me iludir de saudades
Cantei teus passos até não te enxergar mais, tentei correr alguns passos
Mas me contentei com teu cheiro e a incerteza consciente da realidade
Pois não há lugar que eu não possa te reencontrar e ser infinito, de novo