domingo, 15 de abril de 2012

LATINO


Dentre todas as escolhas, o choque de impossibilidades
Dentre todos os laços, o lindo cadarço mas solto e sujo
Dentre todos os sim, os agora... o depois da incerteza
O não-dito do improvável que separa mesmo juntos
Contudo, dentre os que gozam, o que delira e me altera em febre

A vodka proibida e provocante, o momento, a expectativa
A dose, o litro, o ópio... a droga, o ilícito e o improvável
Dentre o estável, o que me desconcerta, desestabiliza
O ínfimo, o infame, as unhas nas costas marcando em tatuagem
O prazer e o amor sobrepujando a dúvida, êxtase em êxtase

Dentre todas as saudades, a que mais dói em não querer sentir
O instinto de longe estar ao teu lado, mesmo em fúria e vazio
Perder-me dentro de mim ao justificar minha intensa vã vontade
Uma quase inanição de meus propósitos, minhas atitudes; perdido
A fagulha de acreditar no teu sorriso, nas minhas projeções e promessas

No fim, como fui centelhas de prantos sem reação, jorrando a voz
Gritos e indagações balbuciadas no volante atordoado embriagado
O soluço interminável do fim, do estado de graça, do feliz
A recriação inacabada do que já não me levava em sonho
Flâmula apagada à força bruta, desumana, sem limites
Ah, coração disléxico e daltônico de sensações