
Que cheiro de cozinha ao leite de coco
De voinha com a mão na peneira, misturando o leite com o milho
Do açúcar que inunda o espaço
Do amarelo que tonifica os objetos
Da colher de pau lambida, escondido
Da quenga de coco para raspar com açúcar, pense que gostoso
Das bacias coloridas com os ingredientes exalando juninidade
Do ralador e do bagaço
Das xícaras marrons na medida certa
Do cravo impotente em sua muideza
Do calor do caldeirão, do fogão velho
Do caldo engrossando, do amarelo que muda de amarelo
Das palhas, dos cabelos
Do rádio que tocava forró, das rizadas de lembranças
Das horas ao fogo e do toque de erva doce ao final, que delícia!
Da canjica doce e gelatinosa
Da pamonha perfeita que não estoura
Do pé-de-moleque forte à castanha
Da cumplicidade, éramos nós dois
Das seis horas da noite
Da minha roupa nova, o sapato cheiroso
Do chapéu de palha coçando a cabeça
De mainha dando o toque final, o carinho
Do bigodinho e do cavanhaque a lápis preto
Do cabelo à prova de fumaça, das lágrimas
Das fogueiras, do querosene, da bola de papel com óleo
Do medo de me queimar, da brasa boa de pular
Do traco de massa, do peido-de-veia, da bomba
Da quadrilha, das vozes, dos gritos
Das músicas, da força que arrepiava, dos prazeres
Dos palhoções,das luzes e das palmas
Dos passinhos de forró, o suor das meninas
Do cheiro de felicidade, da expressão da alegria
Do sorriso coletivo ao acompanhar um balão no céu
Da beleza dos arraiais, as bandeirolas, as bandeiras
Das cores, do ritmo contagiante e empolgante
Do final da festa e das lembranças
De saborear minha infância e sua inocência
