quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

NADA


Quero a única eternidade para arrepender-me
E até lá vou olhar nos olhos e chorar alto
Soluçar de tanta vontade e mágoa
Suspirar o impróprio, vem de encontro
E me arrasto, e em troca, o silêncio
Rolando ao teu lado esperando teu toque
Me contento com teu cheiro de suor doce

Desabafo em letras, elas já nao dizem tudo de nada
Já nao abarcam todas as vogais, verdadeiras?
Ou minha inspiração etílica e abandonada
Chovia embaixo de uma capa furada por completo?
Mas me abraço em beijos de tua boca para não cair
Não esmorecer, não me molhar, me protege
Mesmo sendo essa nuvem suave e passageira

E volto, e vivo, e volto, e canto, mesmo sem voz
Por dentro, nas coisas tripas, no tempo que envelhece
Na tamanha vontade de fruir, de ser folha sem rumo
De fingir acreditar em promessas de olhos marejados
Garoto por momentos, agora... Clímax... Cicatriz...
E usurpo, e peco, e cumpro a sentença da tua distância
Todavia, olhando para o nada, nada de você

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

FIDELIS


É na fidelidade das palavras em doce hálito
Na mansidão e no furor das tímidas mãos
Na indecente entrega testemunha da paixão
Rosto suave em contornos fortes, perfeição
Beijos dissimulados que não consegui conter
Dos poros rasgando meus sentidos, desfrute
Os contornos em suor matando minha sede

É na felicidade companhia segura que clareia
No terror do passado escuro das cicatrizes e marcas
Na projeção real de tuas palavras, teu corpo
Os nomes, os signos, as imagens de um pacto de viver
A inerte ânsia contida por quem domina, por outro
O coração sem vidraça, a língua sem significados
Uma pedra jogada ao léu, uma escolha injusta

É na novena dos teus braços que danço
No paraíso trêmulo do canto da boca
Na reflexão sem medo, temeroso em miúdos
Frases de gritos baixos erradas em buscar razão
Olhos desarmados e assustados pela amplitude
Dos litros amargos das lágrimas arranhadas
Pela dúvida já sentida do nosso momentâneo sempre
Um amor entreaberto do passado em lâminas

É nos meus dedos que sinto teu cheiro puro
Na minha saliva que lubrifica o prazer inocente
Nas línguas ambas da madrugada e o perigo fumê
O ópio do toque e a nudez que dilata o pudor
Do feito de querer e do contrafeito do incerto
Que tiro a roupa do tempo e visto um relógio
De segundos eternos dos teus cachos de cumplicidade