
Nomeio-me em tantos prenomes, ao acaso, de cada dia
Uma ousadia de assalto ao me refazer, ao não delimitar
Criei meu próprio pronome, a coesão mais ínfima e incerta
Produzo meus romances em que me tomo protagonista, vilão
Sou infinitamente meu próprio inimigo e me dou trégua
E volto e deliro, morro de paixão... e aflinjo e broto
Mas longe até de tua distância, ao tentar cabisbaixo te apagar
Sou pseudônimo, não me oriento em um passo de verdade, engano
Feliz em dentes abertos, incapaz e falso, encontro-me forte em lágrimas
Homem de certezas quebradas pelo tempo paulatino em feridas
Insano ao tentar desmerecer um sentimento passional, às avessas
Sem coerência, criança sozinha no escuro; em outros braços sou você
Vem em silêncio, apenas me encanta ao olhar em amor, deita
Me proteje em veludo , devolve meu nome, não importa meu orgulho
Debaixo de chuva, abraça desdespero minha dúvida e me reescreve
Pois sem metáforas, só o teu coração me envolve em vida, sinônimos
Sou sede, canção infinda, sem nota, sem melodia, sem letra, sem nome
Livre, em versos brancos e inacessível, incabível em cifras
