segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O descalço e o Outro

Os pés. Pé de semente, a agressão refletida
Palavras e olhos vermelhos, mareados, freio
Veias em quente fluxo que põem roxas as unhas
Ódio, imprecisão e decisão selvagem, gritos
Grão de semeio na ausência de sobriedade,
A corrente das serpentes e os corpos
Força dura de homens, dentes trincados
As lágrimas. Lágrima de ciúmes, o Outro

Um caça-palavras sem patas, sem luvas, sem destino
O simples ato de ferir, despindo a utópica sensatez
Em segundos, em atos, como em uma tragédia
O punho. Um fim, um fio de sangue e pele, memória
O desfecho repetido, inconsequente e já arrependido
Vontade imediata de acariciar em festas desculpa

Estou descalço. As mãos. Mais palavras, ameaças vãs

O susto. A loucura e os músculos. A noite, às luzes
Um lado tende ao caos, buscando a saída, ponho a armadura
Visto o convite da vida e, para me manter respirando, suspiro
Suspiro mais uma vez, abro os olhos – mudo de lado
E na tentativa esquizofrênica de apaziguar a dor, ignoro
O perfume de portas fechadas, a qualquer preço, 120km
Fumaça com álcool, onde estou em mim?

Os passos querendo regressar com a certeza absurda da volta
Relampejo quanto trovejo em um fenômeno natural da falta
A temperatura anormal e amoral do corpo em desejo infame
Sedutor e infame, infame, infame... deplorável
Repugno o pretérito ao não mais tremer voluntário à presença
Acreditando que agora minhas sandálias são apenas para dois pés
Já não sinto frio e, breve, os calos se tornarão novas lindas fortes raízes
De Outro ignóbil, quiçá, imutavelmente torpe