quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

SEIVA

Os espaços, as experiências de cada eclipse de dois, os laços
Percepção intuitiva da eternidade efêmera da ilusão azul
E do prazer descalço e alado que alucinante perde as asas
Cai em força, entra em chamas, paira nos desnudos ombros
Lambe os mamilos em sais e suor como em sede incontrolável
Bebe o infindável líquido... instável, em uma lágrima orgástica
Corpos, correntes e fios – um insano grito eterno em risos

Sem nomes, estranhos... todavia já tão para sempre, simples azuis
Desatino de desenhos, contornos dos lábios ao dançarem na rubra língua
Desbravando pontos dantes secretos – erupção quente da pele, em pelos
Contraindo o hálito na minha pele, as mãos ébrias que tocam horizonte
Enfim... Já não se respira, expelem-se ruídos que transpiram em compassos
Os olhos umedecem e também já não há palavras, somos olhos em aflição
Prélio, peleja. Não há mais tempo, os dedos se contraem e a carne treme

Uma flor, uma gota de nirvana corre até os quadris unidos entreabertos
O espetáculo. O grito e o ato. Apenas os olhos ansiosos no escuro e o sorriso alvo
O estado comum da exterioridade conjunta dos organismos internos, azuis
Latentes, afônicos, incoerentes. O controle e o disparate. O auge e mais sorrisos
O ritmado enlace dos membros, a troca, outra língua – a sinestesia diversa, única
A transpiração e a sensibilidade de glândulas, a pulsação adversa feliz do êxtase
O salto de olhos fechados na existência humana, animal – a seiva e o cume