domingo, 14 de junho de 2015

AGRADECER (SINÔNIMOS)

Duas figuras sem contornos, uma fórmula jovem negligente em tons de poesia
Sorrisos-engano, mais dia menos dia, no encanto longe e intocável da tua canção
Pairavam, meia vida, rindo hálito alto desvio – estado de esperança inocente
Eternidades azuis incolores que esvaíam com a imagem no horizonte, corte incerto
O acaso oculto do quando seja, quando ele possa ser, sem pensar em pertencer – exclamação
A não resposta para a não pergunta, inconstante sentimento das ironias do destino
A Rua do Carnaval, lua de frevos bienais sem advérbios, na intensidade metonímia de partes

Ocultar o homônimo na espera embalada pela saída do outro, casa sem móveis
A esperança de pertencer a meu toque, o espelho de minha metalinguagem enquanto poesia
O acaso conspirado, as cores, o negro e o corpo, o samba, teus olhos em escolta aspirando aos meus
A incerteza da provável pertença; o sim, o quiçá, a melodia e o compasso, o balanço e o quadril
O arrepio – reticências –, transformando o silêncio na mais atenta e tenra música confessional
O passado em rotação obsessão, as pernas e os braços, os nus inconsequentes, hipnose
Como se lambesse com a ponta da língua a casca sensação de eternidade, efêmera e infinda

O beijo que desnudou uníssono cada pelo em arrepio-início-de-tudo, campo de deleite
Chegou menino entre nós e selou homem feito um coração sangue escuro, rubro latente
Na sua batida, o (des)compassado em manifesto ao caminho da plenitude renasce desnudo
Então, em verdade, paulatino e perturbador, chegaste sinônimos de toda minha natural verdade
Pulsando punhos de meninice pipoca e sorvete, singular em figuras de arroubo e enleve - volupto
Perdemo-nos nas mesóclises que dilatam virgindades, rasgando gozos... boca em estratosfera