segunda-feira, 28 de setembro de 2015

LIVRE MÚTUO


Livre-me de todo bem planejado, das doações sem inoportuno, da segurança não acidental
Das amarras de convenções soberbas e das etiquetas produzidas com tinta permanente
Ame-me com o casual surpreendente, o fortuito de cada reação, com a beleza do esporádico
Com a liberdade inconsequente manchada de batom barato eventual, uma música e ritmos
Ilumine-me de atitudes fortuitas, de recados sempre imprevisíveis em espelhos irrefletidos

A imagem-retorno é incidental, o reflexo visível... esporádico, o tom de olhos entreabertos
Os significados eternizados por milésimos, o curto eterno sorriso infantil inesperado, o amor
Que em cada espaço nu de tantos parâmetros e modelos será senhor mor do nosso antipacto
Do nosso desacordo em um buscar ser, acessório, a alienação em que sistematiza a felicidade
Sem fugas e contingentes e metas de enfrentamento, abaixo a especulações incolores alheias

Deixemos que sejam aleatórias para que elejamos em detalhes uma por uma, caoticamente
Para que sorrisos esporádicos tornem-se perenes, mesmo que alçadas em dedos apontados
Que os efeitos da sofreguidão perfumem-se em abraços de místico enlevo, arrebatamento
A fim de que o arroubo do encanto mútuo se estabeleça em leve suspensão a qualquer dor
E o sono seja sonho, relativo ou real, desde que tomemo-nos sempre protagonistas entusiastas

Enleva-me sem deleites de mãos dadas, corramos, desbravando com doces e risonhas cambalhotas
Trilhas infindas de fascínio e embriaguez, pois já não importam as sinuosas saídas, quais deltas
Nossos espasmos de vislumbramento desamarraram cada laço que dificulta cego as entradas
Aporta-me em asceticismos de incertezas a dois, como quem contempla o que não é certeza absoluta
Para que cada vazio contate-se como espaço de reinado anistiado de duas coroas, francas e soberanas