segunda-feira, 14 de março de 2016

OPORTUNO



Descabido e tempestivo, de relance como uma fotografia de perfis sintônicos
Invade, permanece, perdura e, em mudez, livre, cadencia corpos a equivalerem-se
Mentes reticências em poesias imorais remanescentes, taciturnas e assimétricas
Novo remanso atônito, porção de mar de calmaria, a certeza de machucar-se em risos
A leniência dos olhares úmidos, os dedos e os tremores ouriços, consoantes e escapistas
Eis os milésimos côngruos do tempo que invadem em estupro lágrimas de consentimento
Mesmo no sigilo e na quietude-sangue certeza da dor pavoneado de atos proibidos, felizes
O sadomasoquismo da banalidade, o afinado encantamento da possibilidade do eterno insano

És a maré que se rebela harmônica; cala e faz vangloriar de cada feito galante, a mentira sutil
O consentimento pertinente de todo o idiota, o tiro roleta russa, a paixão bala no gatilho
O tiro no escuro em pleno sol de perder o fio tênue do juízo, o ato, o átomo da doação
Faz gozar gota a gota, senhor do consentimento, emudece e ruge com os dentes homens
O cume do delito permitido, o peso do rosto no travesseiro, as mãos dominando a afrodisia
Tatuando unhas de lubricidade falta de ar, uníssono em gemidos de não dominar-se, abuso
Cerceando a certeza do desejo leal mútuo, mesmo que até o transgressor ejacular momentâneo
Já que convences os pávidos amantes de que o atentado cobiçoso de pertencer é delito pouco

Delinquente e violativo, todavia, criaste covardes homens temerosos de experIenciar o ébrio dos ousados
De almejar a transgressão do silêncio olho no olho, em seus vícios genitálias, o vicioso desconcerto
Peças proibidas de um quebra cabeça em delito permissivo até que ambos gritem de braços dados
Fluidos em sua excitação libidinosa, presos no desejo indivíduo pervertido e pávido do obsceno a dois
Embeba-me de lascívia viciosa, banha-me do escândalo da lubricidade cínica dos olhos fechados
Do grito irrequieto no meio da chuva, o pecado nu que escolhi moral ou imoralmente me eternizar
O homem desarmado que não pondera a incontinência suspeitosa de entrega do outro, um cigarro
És tu, o amor, o hiato cobiçoso dono da minha torta regência delimitada pelo meu desejo sublime