quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ATLÂNTICO


Minha emancipação, a autonomia recíproca, a fidedignidade das minhas traduções
O empoderamento das forças, minhas marés de liberdade delinquentes bem definidas
As chagas prolongadas em territórios desconhecidos imersos em desfiladeiros azuis
Minhas ondas cativam ao norte, correm por onde há gotas de espaço, felicidades
Mesmo que não existam, insistem em persistir, desembocam em infindos deltas
Febris e apaixonadas ao não serem planícies, sensações ilhadas acima do nível do mar
Contudo seja lá quem as mandou, com tudo, que venham em larvas desconcertantes
Das mais várias ardorosas espécies, das correntes mais latentes, cálidas tatuagens

Minhas inclinações, taludes, do raso ao fundo, lá atrás do mundo, lá dos lados de fora
Mulher e homem, sem arrecifes, navegador inventivo e contínuo, sempres, hipérboles
Espalhando sigilos impertubados remansados, ressacados por ouriçar-se, galante saudoso
Chega, chuva, chuvosa e dilúvio, no teu corte do meu rosto, sobe meu riso aos gritos
Escoa aos pelos, vermelha leve, o mamilo e em descida lambe meu cone, continente
Derrama luares canções, faz chover chorando... já sou praia tangível, úmida e permissiva
Mar calmo tempestivo, mênstruo e propício, talhando lembranças e sensações, toques
Forte, dono, peço que chegue o ombro tristeza, para que não me afogue de altivez, vulcão

Minha vontade dorsal, amiúde, medula e sanguínea, constrói-se no cume pirata de mim
Sou uma boca estrangeira e os seios ofegantes, ventres por dentro, um rastro de paraíso
Uma flor longitude, desarmada, em segundos de espinhos água salgada, perigo irresistível
E quando de lá do fundo do mar de sortilégios, minhas placas de feitiço harmônico, Netuno
Sempre dia, receba-me em tempestade sem tamanho e olhemos as estrelas da imensidão
Do sem formas sem temperatura, respiração ao fim, enfim, no momento da inconsciência
Já sem razão, sem domínio dos sentidos, parcimônia e olhos fechados, toma então minha mão
Enfim, num último suspiro à superfície, me traz atento ao amor eternizado em inércia real