segunda-feira, 15 de abril de 2024

MORRO DE AREIA


O ousado sem camisa, o olhar sedento que desviava fluidez em uma pseudotimidez

O curioso de essência e a incontrolável curiosidade de ter o outro, nicotina 

O boné verde, um talvez alargador preto, o sol que teimava em não me permitir ver

Ouvi tua voz ao longe, mas não conseguia te materializar enquanto já te sabia, previa 

Estalos da não despedida, o corte da história que denunciava a junção ilícita dos opostos 

Todavia você me encontrou, em minutos éramos fumaça rubra e libido em suspiros 

 

A pousada, a intrepidez do novo em apelo silencioso na primeira eviterna cama  

Teus olhos ciganos, como uma pintura perfeita, as mãos hábeis em seda

Meu corpo trêmulo, o sem fim, o reggae em um compasso olho no olho em chamas  

A pulsação, o desnudo e o desinibido, a permissividade dos corpos, água de chuveiro 

Então o cigarro que marcava teu rosto em uma neblina de mistério, leve fugacidade 

Entorpecente, latente também perene, já éramos a mais estranha realidade 

 

Beijos de cacau, água ardente em toques e risos involuntários, inconstâncias e paixão 

A que não buscamos, resistimos, desistimos; o sol já era cúmplice depoente 

Brisa na ilha, dois reis em trono de pedra e o som do mar quebrando em música 

A sensação adolescente de infinitude, o elo súbito, a certeza fortuita da insegurança 

Enquanto os dias sugeriam polvorosas experiências fugazes, fomos imensos dois

Imoderados fugitivos na noite em cercas, matos rasteiros, areia de praia conjugal 

 

Já não dominávamos as vontades do externo, nos instituímos imprescindíveis

Fomos distâncias de barco quando os pensamentos nos ligavam em sal

Tememos o fim, acidente no mar; cobiçava sua silhueta, o bálsamo narcótico hipnótico 

A lua desenhando sua luz no mar, o lençol azul, os nus sedentos namorando o céu 

A surpresa, os corpos e o visceral, o arrepio do pressentimento do indefinível 

Atônitos declaramos amor ao passo que amanhecia, o vértice suado da querença 

 

Enfim, a aflição chorosa estúpida do talvez, mas que já doía inerte viciante, fumo

O possível último sol, o farol sem luz, o caminho desespero perigoso da última vez 

A não saciedade lascívia, o aroma das bocas e a incapacidade de saber agir 

Os degraus que desejamos não findarem para evitar o fim, a saudade bronzeada 

Patéticos voluntários, choramos a dúvida em lentes descomedidas, explosão 

Em cheiro, saca tua câmera e eterniza a nossa lua no mar negro, um quadro demodê