sexta-feira, 21 de maio de 2010

SINESTESIA DESNUDA


Fã de teus defeitos perfeitos
Vislumbro os detalhes encantos
A criação suave, desenho dos lábios
Que enfrentam os meus, em ritmo de olhos perdidos
Desorientados que não me encaram, entrega
Aos poucos, intensos... surto de sentidos

Calafrios que se acostumaram ao teu tempo
O sexo que de novo conhece o caminho
O cheiro de suor e paixão enlaçados de perfumes
Lúcido em transe de tua imagem adolescente
Os contornos do nu que transpira a ânsia
O desejo de cada toque, perfeição
Explosão da espera do impossível realizável

Reparte o que vive em ti e me pertence
Acolhe meu convite e deixa o silêncio forçado
Grita meu nome e soma ao teu em cumplicidade
Assume os olhares desviados pela intolerância
Visita minhas mãos em teu quadril, meu
Me queima a boca até arder, fusão
Me faz platéia e encerra a temporada da encenação
Nus... em parceira com o infinito

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MEU PORTO


As ideias dos mais de 25 que falam de vida
Atitudes, olhar cabisbaixo e altivo, forte homem
Não nasceram de livros, mas de meu tímido herói
Daqueles que se tomam em cavernas, que temem o sol
Mas que sem tomar conta, moldou meus pensamentos, deu-me traços
Imagem semelhança de um coração que se escondeu
Uma força que enfraquece na solidão distante
Um suspiro de saudade, cabeça no ombro de pai

O violão acariciado nos braços do homem duro
A criança que do espelho ouve as músicas
Que esconde o medo na esperança de mostrar-se maior
Chorando a dor das letras que se mostravam nas canções
O adulto que renasce dos momentos de proteção
Fala de amor com um ranço adolescente de duas décadas
A voz presa, amarrada em dizer o que balbucia a boca insegura
Umedece toda insegurança de poder sentar em teu colo

O silêncio da idade que amadurece as respostas
Da busca que teima em endurecer a realidade
Mas que ao me adubar homem, amortece as palavras secas
Que me tomaram pelas costas e amarraram os braços de abraço
Hoje, passadas as histórias que esticaram o sorriso
Renasceram os anos em meu rosto e te vejo em mim
Uma simplicidade não lapidada, bruta mas tão humana
As lágrimas de uma vida traduzidas em um silêncio
De desculpas mútuas em soluço de dois que tanto se assemelham
Vive e mantém meu corpo respirando, amor de sangue

domingo, 16 de maio de 2010

LÁGRIMAS DE PRESENÇA


Como duvidar das lágrimas
Tão humanas de realidade sincera
A feição trêmula de ponta de pé, procurando
A imagem que se esvai mesmo teimosa
O nó da garganta ao te ver sumir na fumaça?

O soluço infantil que impede a voz
O diafragma descompassado e ansioso
Uma força natural e viciante
Me joga a cabeça em teu peito
Em um sublime abraço de palavras

A essência atordoada da perda, próxima
O orgulho que se dilui ao te ver passar
O perfume que me cala e grita... e me move
Relutando em fazer-nos abraços de um
Crianças, meninos reflexos do desejo
Somando desabafos e esperanças
Poupando fichas e apostando sonhos

quarta-feira, 12 de maio de 2010

SORRISOS


Medo é sede que não sacia
Palavras flutuam no álcool da paixão
E na tontura do encostar aos poucos
Da inquietude do beijo que marcou
Do reencontro de fugitivos olhares
Nos permitimos em minutos eternos

Dançamos os lábios em transe
Em suspiros fortes, sentimos o outro
O hálito de vontade úmido do incendiar
Pelos e toques, turbilhão de ânsia verde
Mãos nos corpos, dedos involuntários

Ai, sorriso que teima em me lembrar
As cadeiras defronte que se uniram
O arrepio ao esfriar toda a linha do dorso
Logo, fingimos que não nos doamos
Mas no ínfimo tempo do mundo inútil fora dali
Fomos um misto de medo e sentidos à flor
Escaldado em sorrisos de uma boca única, viril

quinta-feira, 6 de maio de 2010

SUBENTENDIDO


A espera começou a dar uma trégua
Agora imagino teu rosto ao vento
Sinto-te a angústia sem sono
Rebanho de apreensão
Mas sei que o que te move
É mais forte que as dúvidas
E mais instigante que a aflição
Amolece tua cabeça em meu ombro
E dorme em sonho distante

Queria poder encurtar as distâncias
Quebrar as passagens um dia dolorosas
Enganar a verdade do impossível
Fechar os olhos e neste momento
Esmorecer o corpo ao teu lado
Minha pequena projeção real

Desembarca e me olha selvagem
Com o olhar cabisbaixo e olhos cerrados
Um encostar de corpos temeroso
Perdidos em um espaço atemporal
Cheiro de tabaco e cansaço
Exalando um doce que cai em calda
Beiços cor de sangue latentes e molhados

Me beija em um abraço de pressa
Me reconhece pelo tom de voz
Meus órgãos já enlaçaram os teus
E o ato que interno se externaliza
Nos pensamentos que outrora vagueavam
Eu personagem, tocar teu rosto
Num longo instante intenso
Subentendido