quinta-feira, 6 de maio de 2010

SUBENTENDIDO


A espera começou a dar uma trégua
Agora imagino teu rosto ao vento
Sinto-te a angústia sem sono
Rebanho de apreensão
Mas sei que o que te move
É mais forte que as dúvidas
E mais instigante que a aflição
Amolece tua cabeça em meu ombro
E dorme em sonho distante

Queria poder encurtar as distâncias
Quebrar as passagens um dia dolorosas
Enganar a verdade do impossível
Fechar os olhos e neste momento
Esmorecer o corpo ao teu lado
Minha pequena projeção real

Desembarca e me olha selvagem
Com o olhar cabisbaixo e olhos cerrados
Um encostar de corpos temeroso
Perdidos em um espaço atemporal
Cheiro de tabaco e cansaço
Exalando um doce que cai em calda
Beiços cor de sangue latentes e molhados

Me beija em um abraço de pressa
Me reconhece pelo tom de voz
Meus órgãos já enlaçaram os teus
E o ato que interno se externaliza
Nos pensamentos que outrora vagueavam
Eu personagem, tocar teu rosto
Num longo instante intenso
Subentendido

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