Com os pés no Pacífico e os dedos apontando para o céu nublado
Os olhos em mim e o infinito dominado em chuva furtacor
Procurei meu sol, a luz que, afastada de mim, esvaziava-me
Sozinho, pude conhecer a fraqueza e a força das lágrimas insustentáveis
Como se o tempo custasse a convencer-me que em verdade estava feliz
O brinde de olhos fechados, de uma só taça frágil e imaginária
Esboçando tua inconfundível imagem que me persegue há oito anos
Compartilhando teu sorriso, aquele sorriso que me saca uma arma azul
E me faz sorrir instantâneo e me sentir perto em tantos quilômetros
A distância do novo de incríveis momentos, novas pessoas e vivências
E a infantil vontade de te dar a mão a cada passo, em meio a um todo estranho
Quis, por vezes, atravessar o mar, em rio, e constatar de suspresa meu amor
Confrontar o riso das minhas fotos com a verdadeira felicidade de teus braços
A fortaleza imprecisa e inacabada pela qual só eu estou protegido
De te tomar nas costas e ganhar um beijo na nuca, trêmulo e ansioso
Como se te conhecesse hoje, pois teu amor me estabelece e me restabelece
Quantas injustas noites toquei a linha tênue da minha imaginação em você
Longe e distante, acordei com a sensação espontânea e tão apaziguadora do teu cheiro
Rocei o choroso rosto em alheias camas em que, à noite, me despedaçava em saudade
Camas que tentei completar em vão com minha ingênua e insistente memória, peso
Que completude existe em estar confundido e perdido, conscientemente?
Caminhando e voando, buscando e pertencendo a algo que nem se aproxima
Nem se aproxima do infindo prazer do simples toque de tua entrega, minha
A segurança delgada e forte do meu herói sem padrões... e que, por isso, me encanta
Sem códigos marcados ou ações previstas, a beleza da inconstância
Como fui desespero ao ser feliz sem o consentimento de tua felicidade
Meu príncipe, a sensação inegável e perturbadora que me goza inata
O suspirar e chorar em soluços, como estive sensível em pétalas leves
Mas aprendi a sorrir da dor quando o corpo pede para trincar os dentes
Levantar e encontrar o caminho, a saída, a possibilidade da abertura do meu delta
O mundo foi chiquitito para a imensidão da saudade que me aglomerava os pensamentos
Que me embaralhava as palavras na simples vontade de te reencontar breve
E, mesmo que impossível, ia dormir para que chegasse o incrível momento
A hora congelada e esperada de voltar a compartilhar cada minuto e te beijar
Em um espaço que se tornará vazio e compensará a dispersão dos nossos corpos
Daí, então, não mais me deixa dispersar do imensurável prazer do cafuné de te pertencer
Em trinta dias que mais amei quem escolhi para desembocar minha vida para o meu sempre