domingo, 14 de dezembro de 2014

O PRINCIPADO


Um ingênuo que reclama abrigo, reino distinto
Que tudo o que tem a oferecer é a tentativa do recomeço
Mesmo acordando a cada dia inconstante do mais exagero da paixão
Invadindo pífia majestade impérios de tronos areia fina
Resguardado a meros títulos que em nada me enobrecem, são de ar

Enfim encontrei tua cor refletida na água e, sozinho, desafinei rouco a voz
Virtuoso, perdi meus olhos em território de tua desconhecida província
De pronto, assustei-me em trincheiras, como em guerra contra meu próprio reinado
Perdi, em segundos de não-razão, minha soberania, bobo incontrolável
Se fui fraqueza, coube ao meu controle se descontrolar em tua imagem

Diplomaticamente, dei-te um primeiro boa noite imaginando já todos os dias
Os dias de coroa mútua, monárquica e de riso solto eterno em toda corte
Sem tratados, tocamo-nos no fundo em profundidade natural, crianças
Entre sonetos e crônicas, temerosos, lançamos imperceptíveis rimas plebeias
Um beijo – como quem desaprendeu inevitável a agir, pungente e eterno
Case comigo, sem dizer nada, franco e cândido... eu já instituí meu sim

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O descalço e o Outro

Os pés. Pé de semente, a agressão refletida
Palavras e olhos vermelhos, mareados, freio
Veias em quente fluxo que põem roxas as unhas
Ódio, imprecisão e decisão selvagem, gritos
Grão de semeio na ausência de sobriedade,
A corrente das serpentes e os corpos
Força dura de homens, dentes trincados
As lágrimas. Lágrima de ciúmes, o Outro

Um caça-palavras sem patas, sem luvas, sem destino
O simples ato de ferir, despindo a utópica sensatez
Em segundos, em atos, como em uma tragédia
O punho. Um fim, um fio de sangue e pele, memória
O desfecho repetido, inconsequente e já arrependido
Vontade imediata de acariciar em festas desculpa

Estou descalço. As mãos. Mais palavras, ameaças vãs

O susto. A loucura e os músculos. A noite, às luzes
Um lado tende ao caos, buscando a saída, ponho a armadura
Visto o convite da vida e, para me manter respirando, suspiro
Suspiro mais uma vez, abro os olhos – mudo de lado
E na tentativa esquizofrênica de apaziguar a dor, ignoro
O perfume de portas fechadas, a qualquer preço, 120km
Fumaça com álcool, onde estou em mim?

Os passos querendo regressar com a certeza absurda da volta
Relampejo quanto trovejo em um fenômeno natural da falta
A temperatura anormal e amoral do corpo em desejo infame
Sedutor e infame, infame, infame... deplorável
Repugno o pretérito ao não mais tremer voluntário à presença
Acreditando que agora minhas sandálias são apenas para dois pés
Já não sinto frio e, breve, os calos se tornarão novas lindas fortes raízes
De Outro ignóbil, quiçá, imutavelmente torpe

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

MAR, AMOR E RIO



Com os pés no Pacífico e os dedos apontando para o céu nublado
Os olhos em mim e o infinito dominado em chuva furtacor
Procurei meu sol, a luz que, afastada de mim, esvaziava-me
Sozinho, pude conhecer a fraqueza e a força das lágrimas insustentáveis
Como se o tempo custasse a convencer-me que em verdade estava feliz
O brinde de olhos fechados, de uma só taça frágil e imaginária
Esboçando tua inconfundível imagem que me persegue há oito anos
Compartilhando teu sorriso, aquele sorriso que me saca uma arma azul
E me faz sorrir instantâneo e me sentir perto em tantos quilômetros

A distância do novo de incríveis momentos, novas pessoas e vivências
E a infantil vontade de te dar a mão a cada passo, em meio a um todo estranho
Quis, por vezes, atravessar o mar, em rio, e constatar de suspresa meu amor
Confrontar o riso das minhas fotos com a verdadeira felicidade de teus braços
A fortaleza imprecisa e inacabada pela qual só eu estou protegido
De te tomar nas costas e ganhar um beijo na nuca, trêmulo e ansioso
Como se te conhecesse hoje, pois teu amor me estabelece e me restabelece

Quantas injustas noites toquei a linha tênue da minha imaginação em você
Longe e distante, acordei com a sensação espontânea e tão apaziguadora do teu cheiro
Rocei o choroso rosto em alheias camas em que, à noite, me despedaçava em saudade
Camas que tentei completar em vão com minha ingênua e insistente memória, peso
Que completude existe em estar confundido e perdido, conscientemente?
Caminhando e voando, buscando e pertencendo a algo que nem se aproxima
Nem se aproxima do infindo prazer do simples toque de tua entrega, minha

A segurança delgada e forte do meu herói sem padrões... e que, por isso, me encanta
Sem códigos marcados ou ações previstas, a beleza da inconstância
Como fui desespero ao ser feliz sem o consentimento de tua felicidade
Meu príncipe, a sensação inegável e perturbadora que me goza inata
O suspirar e chorar em soluços, como estive sensível em pétalas leves
Mas aprendi a sorrir da dor quando o corpo pede para trincar os dentes
Levantar e encontrar o caminho, a saída, a possibilidade da abertura do meu delta

O mundo foi chiquitito para a imensidão da saudade que me aglomerava os pensamentos
Que me embaralhava as palavras na simples vontade de te reencontar breve
E, mesmo que impossível, ia dormir para que chegasse o incrível momento
A hora congelada e esperada de voltar a compartilhar cada minuto e te beijar
Em um espaço que se tornará vazio e compensará a dispersão dos nossos corpos
Daí, então, não mais me deixa dispersar do imensurável prazer do cafuné de te pertencer
Em trinta dias que mais amei quem escolhi para desembocar minha vida para o meu sempre