quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ARES REIS



Com a força mais sutil e truculenta, a leveza propícia dos teus olhos sinuosos
A hipnose astuta e magnética do teu riso ardiloso como em ciclone incisivo
De sabores úmidos desmedidos aturdidos estonteados, primeiros lábios permissivos
Inventamo-nos e consentimos, em segredo a dois, um coroamento não dito
Num enlaçamento não acautelado de instante parede imperecível flutuante
A hesitação nula de quem se deleitava num revolver de ondas de cores infinitude
Meninos de mãos dadas inconscientes, casados com o tempo futuro do presente
Na certeza agoniante da felicidade asfixiando palavras desadormecidas, o alento

A descoberta lascívia e ingênua dos corpos, o desenho retrato do encaixe, delinear
O dócil contorno, bordas nectáreas que se iluminam num deleite em convulsão benigna
Traduzem-se no cauto silêncio estrondoso declarado cor de peles, o líquido e o corpo
Embalam o ponto afetuoso do nosso suntuoso beijo bélico munido de escudo nuvens
Que borram as escalas retrógradas de amor perfeito na nossa una aquarela particular
Emudecem ouvidos cobiça rumores ímprobos que nunca hão de se unir ao sentir
Ao deleite altivo pretencioso da presença austera e imodesta dos nossos laços azuis
Reis, do outro lado, daquele que eriça, de branco balançando os pés sem tocar o chão

Vem, continua perene o sonho leve ininterrupto de parar o tempo na tua gargalhada
Leva minha formalidade, os limites, para passear no teu cuidado, teu abraço, tua paz
Como gente grande, perambula entorpecente nos meus cabelos, enlaça meus enfeites
Desnuda minha mente mapa mundi das asas mais aladas na tua companhia irrestrita
Aventuremo-nos na austeridade desmedida das relações harmoniosas nos conflitos
Segue em efeito terremoto sem rumo na arte da lealdade inconteste da tua meninice
Extrai o sumo do que de sorte é leve, sem se manter, resiste comigo à rotina das modas
Comigo, corrobora o contestável poder fluido da certeza sendo apenas o teu colo

domingo, 8 de janeiro de 2017

SORRISO DO MUNDO

Reaprender-me ao brincar de vida carnaval, fluido desmonte de gosto viril frutado
De Peter Pan doce pintura extraoficial, fora de época, sensações e textura atemporal
O estado atmosférico do encontro das minhas estações, meu arsenal de todos os ciclos
De homem de barba quebra-cabeça clichê de fácil leitura singular, segundos óculos de grau
A sensatez leve do tempo que se obstinou – asas frouxas – em passar sem me retardar
Fincando ladeiras inversas na vontade de sempre subir, mesmo com as pernas exaustas
Ladrando alto o peso do consumido enervado prazo de validade das relações, de mim

Desmanchar-me ao me fingir de particulares, peculiar, vidas esmiuçadas em grandes histórias
De fantasias sui generis momentâneas, máscaras relutantes da realidade sempre em jejum
O folguedo dos meus blocos de todas as ruas, todos os corações, todos os homens, o amor
De festas sorriso apesar – felizmente – da violência masoquista das trocas, desfile de traços
A felicidade suicida sem parcimônia, alterada frenética incessante; que importa a ilusão?
Enlaçando, em gás, venenos módicos a prazeres mudadiços, fumaça branca frívola inesquecível
Fundindo o álcool fuga em minhas legendas sem tradução, o brinde regozijo simultâneo

Contemplar-me ao dilatar levezas, autofolião infração, fora da marcha-ré comum do vão igual
Da tortura pé de ouvido e de armas brancas – em palavras –, o desmontar maldade do alheio
O corte em navalha do sentir, evento uno magnânimo do ser, divino, contudo volúvel e brisa
Do que não é pândego e deleite, do prostrado e truculento, do que não é beijo e saliva viva
Grito e euforia, choro copioso de alegria, música que me arraste e me inflame – pode entrar
Jubilando os meus eternos dias como que os últimos, na bem-aventurança de todos os hiatos
Triunfando contra o mal no qual nem creio, mas que insiste em me calar os sorrisos, meus