terça-feira, 3 de outubro de 2023

PUJANTE

Até mais além, as paredes construídas com o colorido do sopro de todos os anos 
Quando os dias ainda não forem suficientes para destruir os tapumes ainda de pé 
Uma vez que pelo alicerce de sustentação correm veias de sublimação do belo, ego 
Super, interino, espelho flutuante dos traquejos otimistas mais genuínos em sorrisos 
Cheiro de mar, do fumo alucinógeno de mãos para o alto, o clarão, a doce fumaça 
O hálito das melhores fragrâncias, o eterno novo em roda viva e, então, os beijos 
O ritmo, o nu tempestade permissivo em desenho de seda, os caminhos e as curvas 
Aquela permissividade que metamorfoseia todas as coisas desbotadas em novas cores 

Cada paleta, cada aquarela, em chapa quente na pele, os pés que não aparam o chão 
Livres, o pedestal do conhecimento de si pra o adverso do que não orna, não paramenta 
O tronco colosso que transfere as altas vibrações de explosões em chamas ao inconsciente 
E a fluidez dos abraços, o auge da nunca saciedade em movimentos involuntários, ereto 
Até que o que já é memória inesquecível põe o corpo em demência arbitrária, compassada 
Os toques todos, as danças das fendas, a umidade melindrosa carregada da mas calma calidez 
Diluindo o peso de todas as ruínas em um alívio dos ombros condescendentes, a nuca arrepio 
E percebe-se o vivaz irrequieto das sensações; sintam-se os espasmos da comunhão furta-cor 

As luzes e o som aos poucos silenciam-se através de músicas brandas, e não se está mais 
Os olhos se abrem em pupilas dilatadas ressequidas chutando os muros da ilusão de sentir 
O susto de que existe o ao redor, quando pessoas adornam em adereço, mas não habitam 
Porém os corpos ainda em coreografia como uma balança descalibrada, não há mais ninguém 
A paixão rodopia em tontura erógena, uma valsa intuitiva, visto que cedo se deslumbra o desnudo 
A euforia pujante do tempo que não se percebe, enquanto, ao longe, se sente árduo o sol nascer 
Isso posto, as mãos cálidas descem das linhas e se dão medrosas, esperançosas em hesitação 
Enfim, o dúbio perplexo ao se perceber o apesar inesgotável feliz de lançar-se em outro, droga