Homem não identificado, nome emprestado através de lábios viris, viço rubro macio
Doce umidade em um sarau inebriado de dois, o semblante em chagas
Abri a porta para traços grosseiros, abruptos e sensivelmente desordeiros
Feição sem controle, o reagente veneno deleitável, sem roupa e o não tempo
As mãos compridas fumegando em tatos fascinantes concentrados em combate
Um olhar ágil de perigo, um contorno de noite em um perfume bálsamo de banho
O som que não soava, o silêncio do suspiro, a ofegante sensação, a erupção
A taquicardia que se percebia nas ondulações, os pelos e os peitorais ariscos
O baile do diálogo dos poros abertos, a noturna obsessão consentida, os lençóis
Fomos pulsação sanguínea em constrição, o desejo fútil da quem sabe única vez
Do mais ausente fôlego à fugaz estenose de todas as partes, os dedos e os cabelos
Teus fios perfeitamente descompassados, a avidez marota feliz de sentir o júbilo
No Casbah, quis a bastante peçonha viciante da jovialidade da nossa armadilha
Consentida, assentida em abraços dançantes eretos, encaixados no escuro
Braços anuídos nos ombros unidos a negras barbas grossas roçando em sobressalto
As luzes de um palco duvidoso, o forró escaletado, o cenário para todo desatino
Quantos dias revelamos a convulsão, a leveza da desnudez natural das duplas matérias
Os instintivos uivos no Porto sem âncoras mas com todas as arrimos de sentir
Os mares, as praias, o Bar do Galo, a direção em apuros, a estrada da luxúria
Libertinagem pura constante como a necessidade de nutrir-se, doces famintos
A perspicácia de consentir furacões vários enquanto o coração urge por parcimônia
Então os desencontros, os vazios, as sortidas diferenças, o desejo perfurava
Quiçá não se escutaram mais ruídos, gritos de sensatez, lambuzamo-nos de erros
Dilacerados os vidros do amor, cegamos as películas que alicerçavam a areia frágil
Durante, a incapacidade brutal de cessar, de frear os instintos, de aceitar o amor
A disparidade, os espíritos afins, caçadores de uma utopia menor que o que era mútuo
A solitude acompanhada tangente à monomania, atração maior que a sensatez
A exímia compulsão, o cansaço até o sono enquanto havia o eterno sumo, fendas
Moramos no quarto, choramos decepções não maiores que o prazer supramundano
Fomos, do todo, a insônia da madrugada e a dúvida dos dias ensolarados a distância
Por fim, a fúria, o sangue, o grito de dor, a dolorosa sensação de que tudo será menor
Selaram-se beijos de cacos, morrendo gota a gota dentro da saudade presente
Como desejo a rudeza devastadora da tua boca, teu olhar em ranhura na minha vastidão


