Amor é amplo território, hipnose aquiescida em um absorto distraído
Vício natural, ordem travosa aleatória da lesa desordem, giro giro giro
A moderação histérica de uma roda larga de carnaval, oca e veloz
Banho de quase chuva em hino descompassado, míngua de sede
Casta imperfeita de dois ruídos, confusos, a inconclusa paz amiúda
Legítimo disco de ambos os lados, fadado ao fim de factíveis redemoinhos
Roleta mundana de todas as munições penhoradas, jogo de valor irrestrito
Círculo suicida por voltas em globos diários da morte do jamais consensual
Plano rabiscado a lápis em uma esfera infalsa, frágil como o zelo desesperado
Narrativa esférica de obra aberta de finais já sabidos, autoria distorcida
O circuito alinhado com a dor de tanto sentir, avulso sem pestanejar
Arco de linhas frágeis, suscetíveis, miragem míope estonteante para o abismo
Abóbada prestes a desabar sustentada pelo desejo movediço
Tortura perene consentida sem realismos, corpo fluido e o sangue quente
Insensível insulto dos céticos desacreditados, ansiosos por mais
Arco vermelho de suplício encantamento quando do encontro da primeira vez
Xadrez encíclico dupla peça de tantos jogos, peças e estações incoerentes
A luta injusta de tantas regras inúteis quando apenas se ama incondicional
Choro alado contrito depois de incontáveis promessas que nunca se cumprem
O alento do cheiro natural, o não perfume, o bálsamo da foz de corpos trêmulos
Dança de bambolês lambada de quadris circundando mãos pela híspida cervical
Porto sem cais, solto e avesso, embarque apressado para todas as sensações
Cão eufórico sem coleira de todas as decisões fumaça de pronto arrependidos
A injúria injusta de incumbir ao outro o ciclo obsessivo do prazer, o ato gozo qualquer

