segunda-feira, 24 de novembro de 2025

RODA


Amor é amplo território, hipnose aquiescida em um absorto distraído 

Vício natural, ordem travosa aleatória da lesa desordem, giro giro giro 

A moderação histérica de uma roda larga de carnaval, oca e veloz

Banho de quase chuva em hino descompassado, míngua de sede 

Casta imperfeita de dois ruídos, confusos, a inconclusa paz amiúda 

Legítimo disco de ambos os lados, fadado ao fim de factíveis redemoinhos  

Roleta mundana de todas as munições penhoradas, jogo de valor irrestrito 

Círculo suicida por voltas em globos diários da morte do jamais consensual


Plano rabiscado a lápis em uma esfera infalsa, frágil como o zelo desesperado 

Narrativa esférica de obra aberta de finais já sabidos, autoria distorcida 

O circuito alinhado com a dor de tanto sentir, avulso sem pestanejar 

Arco de linhas frágeis, suscetíveis, miragem míope estonteante para o abismo

Abóbada prestes a desabar sustentada pelo desejo movediço 

Tortura perene consentida sem realismos, corpo fluido e o sangue quente

Insensível insulto dos céticos desacreditados, ansiosos por mais 

Arco vermelho de suplício encantamento quando do encontro da primeira vez 


Xadrez encíclico dupla peça de tantos jogos, peças e estações incoerentes 

A luta injusta de tantas regras inúteis quando apenas se ama incondicional

Choro alado contrito depois de incontáveis promessas que nunca se cumprem 

O alento do cheiro natural, o não perfume, o  bálsamo da foz de corpos trêmulos

Dança de bambolês lambada de quadris circundando mãos pela híspida cervical 

Porto sem cais, solto e avesso, embarque apressado para todas as sensações 

Cão eufórico sem coleira de todas as decisões fumaça de pronto arrependidos 

A injúria injusta de incumbir ao outro o ciclo obsessivo do prazer, o ato gozo qualquer

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