sexta-feira, 14 de março de 2025

SERENO


Resiliente, ego e agradecimentos de bem, dançando encharcado de sereno 
Pouco a pouco, gota a gota, nos poros, calafrio como palavras úmidas ao ouvido 

Que seja calmaria, toques em chuvisco, a dúvida morna imoral sem mudar

A não culpa leve escorrendo água pacata na certeza massa do incompatível 

As deveras incertezas em segundo plano enquanto os líquidos esborram nus

Esquecidos são os pensamentos feridos repetidos nesse jogo varão embriagante

Capitoso, capcioso então alerta, chega e sua de corpo todo, devagar e volumoso 

Paulatino rosto em rosto, rasgando dois corpos em um chamego lento harmonioso


Pilhério, galhofa das tempestades em copos de tantos comprimentos sem tamanho

Como solvente universal, seja burlesco zombeteiro dos males ansiosos

Galante, garboso, de natureza pluvial horizontal avaçalador de todos caminhos

Que permaneça gradativo encandecente, desnorteador de desfechos dogmáticos

O tempo gracioso de qualquer complacência indulgente em anuência 

A festividade orgástica do sim condescendente onde não há nãos 

Brincante folião diário, aguaceira de mangueira ao sol, limão, açúcar e Pitu 

Chuva de prata, brilhante pancada d’água, o de sempre tão inovador quanto viver


Ludibrioso consentido, de orixá, de cabeça, espiritualidades axé e alfazemas

Jamais inodoro, nunca insípido, destituído de quaisquer vastos sabores sortidos 

Compasso e percussão, batuque ancestral na mútua, dupla, concepção do desejo 

Inacabável, perpétuo, tal imenso maravilhamento consiga, ébrio, anuir 

Que seja transpiração, sarro vertical de dois polos, madrugadas com turnos sem relógio 

Estupefação, pingos grossos na areia, ferro e fogo, movimento de tambor estridente 

Tromba d’água, fúria risonha narcótica, a infalível certeza da imatura jovialidade 

Deita-me em um giro desnorteante olho a olho sem piscar, rindo de tanto chorar 


Caçoador, escarnece o que moribunda com a arma do entusiasmo de possibilidades

Cai em toró. Aleatório, instaura um dilúvio revoada em um pulsar gradativo imenso 

Delírios, formando arco-íris distópicos enlaçados de integrais autopermissividades

Que conceda, de mãos livres, o pacto da experiência coletiva, do cíclico, aliança 

Desassossego de todas as rotinas, que me inquieta; sobressalta meu corpo e almas

Fluvial, amante, perene, foz de rio de todas as aventuras e de todos os romances 

Seja cobiça alegre, inveja com a nossa, a presença inesgotável de luzes neon 

Desemboca-me no mar, constante, ávido pela abundância, o apetite e a sede

Nenhum comentário:

Postar um comentário