No apagar das luzes da tua ausência infrutífera em vão, todo ato despovoado
Despertar em um reinado de ouro sem brilho ecoando no tempo imoderado, oco
Como uma bruxaria em silêncio que faz algum beijo já qualquer dessabor
Uma dor orgulhosa, sem sono, padecendo do cheiro cru da tua boca violenta
E entre tantos sentidos e outros corpos desmedidos, a memória carente em lastro
A saudade do desenho do teu fino e inebriante cabelo, as linhas até a bruta nuca
Toda a verdade maculada de uma distância cinza quase devastadora dos meus ritos descalços
Uma ruína tão viva de pedaços gigantes de sol e luas, de todos os eclipses sem decoro
No ínterim da eterna não assiduidade, meu corpo em bandejas opacas sem alças
Como um filme sexta-feira de roteiro por frestas sem brio cada vez mais medrosas
Imergido sem horizontes, foscos, míopes, quebrantes, carecente de com ou sem você
Caímos em um defeso cruel do não dito bloqueio, cultivo de peçonhas daninhas
Aquela desvirtude que seca a garganta pra nos proteger de um mal criado por mil dores
Na verdade, uma benquerença inédita como um bloco de carnaval da minha cabeça
O riso incontrolável em meio ao caos e ao despudor só da certeza tatuada de existir
E a imagem soberba da tua silhueta teimosa virginiana me fumando lícito entre os dedos
No extraordinário em partes, aparas de momentos vários quebradas em azuis infinitudes
Restringidas a labirintos de caminhos feridas e de tantas curas, falso epílogo
Abro janelas óbvias vento na testa assanhando como poeira olhos fechados
Lá, nessa miragem, permanece você sorrindo como na última vez, com outro sorriso
Distante, meu grande impostor, falaz, frases vazias de dentinhos separados
Sentimento hipocritamente real, permutado e nu, como que sempre saindo do banho
Hoje, por mais que tudo sinta, a inconstância do que é raso sem superfície
No pulo de um muro espinhoso sem calço, de luto, estou indo embora, amor


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