segunda-feira, 26 de julho de 2010

MÁGICO DE NÓS



Olhos luminosos de perfumes e cores
Feitiço cabisbaixo e riso indeciso, profundo
Algo de longe tão perto que sangra
A corda bamba da confiança
E eu saltimbanco, palhacinho que se ri
Ao me enfeitiçar de teu show de só ser
Seja qual for o trapézio, perigo excitante
Respeitável público de dois

Palco de lembranças, o passado arranha
Fere com unhas de indiferença e me afasta do espetáculo
Céu sinestésico, lona exclusiva para o amor
Cortinas que escondem o impossível
Limpa essa maquiagem, a lágrima que desce escura
Me tira da cartola, me acaricia, toma-me entre os dedos
Me corta ao meio e me leva em pedaços, teus

Silêncio da dor do coração plateia, apreensão
Uma sordidez que me toca em prantos, me cala em só seduzir
E com ponta de faca me cega o futuro, distante
Saltemos do maior ponto, sem rede, não me solta a mão suada
Sem rumo, gritemos o ópio declarado
Mágica! Um, dois, três... já! Saída pela esquerda
O show acabou, luzes de indecisão

segunda-feira, 19 de julho de 2010

ALÉM DA PRESENÇA


Em cada lágrima de fios de algo que não sei
Perdido em um vazio sem saber os ondes de verdades
Você uniu meus tijolinhos, escalou com domínio
A Babel de meus mistérios que perturbam
Os degraus duplos de sorriso, infantis
Balançou meus pensamentos na rede de sorrir
Fascínio que me fez chorar, cheiro de chuva
Sentimento em ciclo que se faz de poeira
Uma primavera que me encolheu a fantasia
Em uma faísca de palavras, espelho de más lembranças

Rendo meu coração prisioneiro e peço as chaves em segredo
Mas mantenho as algemas de um braço apenas, ferido
Condenado as outras dores, fecho as portas de entrar
E sangro a esperança que amanhece e logo escurece
Respirando com força para me manter vivo, éter
Forjando olhares em lugar de jogar, a cada dia, no lixo
Sonhos labirintos que me privam da saída

Mas, vem, em melancolia, afastar o desapontar de cumplicidade
Aprendizado de cada verso, estrofe real, de cada grito infindo
Uma voz de imensidão, eco sem segredos que te busca
Mas tire a mão de minha boca, permita-me devanear
Domina meus erros e não julga em minh´alma os erros , constrói
Me presenteie com as ervas daninhas de teu ciúme, mortas
Aduba cada jardim verde de mim, plante o que melhor de mim é seu
Semente que não vinga sem esse amor, orgulhoso
Menino travesso, estarei perdido em teu encontro
Enquanto teus olhos não me encararem
Em verdade

sexta-feira, 16 de julho de 2010

BOTÃO DE ESPINHOS


Ébrio de juventude
Seca meus cabelos de solidão
Cheirando a gélida fome
De um toque em música
Distrai os diabos da incerteza, sujos
A esperança movida à queima, combustão
E me devolve o saldo a pagar

Essa luta mortal e insana de corpos
O ópio da difusa jovialidade
Celado em máscaras de orgasmos
Múltiplas facetas dos mesmos
Fantoches do agridoce prazer
Sai de retro, amarás

Beleza imatura
Satisfaze-me de seriedade
Rindo do instantâneo profundo presente
Uma coragem febril e marginal
Embebeda-me de intransigente consciência
Toma-me os sexos, as partes da satisfação
Mas não me deixes cair em tentação
Furor animal, coito ilícito, amém

quarta-feira, 14 de julho de 2010

ETÍLICO


Ceifar minha vida, tão difícil
Sobreviver junto a tua beleza inconstante
Isso sim é penar pelas volúpias
Das esmolas irrisórias do momento
Escorregando ao abraço com lástima
Desprezo ao iludir meus horizontes

Pelos excitados em poros de nicotina
Hálito etílico barato, palavras aflitas
A boca que escorre vida, adrenalina
Me pego com teus cabelos em mãos, incontroláveis
Úmidos, sem forma, cobrindo os perfeitos olhos
Acordo. Então continuo só, ilusão

Contemplar a insaciável droga que me engana
O delírio que amolece e te traz
Ramificado de delícias azedas e amargas
Como fugir da sua rude indiferença, altivez?
Se ao toque, mesmo sem motivos, ascende-me esperanças
E fumo cada resto de teu infinito sorriso
Me dopo da simpatia cafuné, olhos fechados
Me engano ciente dessa eterna ressaca

domingo, 11 de julho de 2010

CARROSSEL ANTI-HORÁRIO


Zonzo
Cercado de luzes
Detalhes sutis de hipnose, azuis
Sozinho na cadeira colorida
Desembarca mais alguém
Sem retornar o olhar, lamenta
Duas lágrimas que se unem
Em uma pergunta de respostas certas

Sobe e desce e gira
Na melodia pesada de passados
Partes de um novo carrossel velho
Passos que marcam decisões
Me iludem e esquecem no caminho
Dúvidas a apagar amores infinitos
Me levam, mas temo cair
Seguro em mãos que desaparecem

Tonto e fraco
Não consigo me impor equilíbrio
Empurram meu corpo e tremo
Criança muda e chorosa
Mais alguns desistem e somem
Baixam as luzes, também meus olhos
Vou golfar, no vazio, os inúmeros nomes
Devolver os ingressos descontentes
Fantástico volúvel e doce
Sem música, nem cores