
Olhos luminosos de perfumes e cores
Feitiço cabisbaixo e riso indeciso, profundo
Algo de longe tão perto que sangra
A corda bamba da confiança
E eu saltimbanco, palhacinho que se ri
Ao me enfeitiçar de teu show de só ser
Seja qual for o trapézio, perigo excitante
Respeitável público de dois
Palco de lembranças, o passado arranha
Fere com unhas de indiferença e me afasta do espetáculo
Céu sinestésico, lona exclusiva para o amor
Cortinas que escondem o impossível
Limpa essa maquiagem, a lágrima que desce escura
Me tira da cartola, me acaricia, toma-me entre os dedos
Me corta ao meio e me leva em pedaços, teus
Silêncio da dor do coração plateia, apreensão
Uma sordidez que me toca em prantos, me cala em só seduzir
E com ponta de faca me cega o futuro, distante
Saltemos do maior ponto, sem rede, não me solta a mão suada
Sem rumo, gritemos o ópio declarado
Mágica! Um, dois, três... já! Saída pela esquerda
O show acabou, luzes de indecisão




