quarta-feira, 28 de novembro de 2012
ESPELHO
Falam em ficar sem chão, estar sem rumo
Permaneço sem alma, sem luz, em deserto
Tomado conscientemente da falta de perto
Do medo do rancor de para sempre, em dor
E durante muito tempo, serei alguns poucos
Um espelho em cacos e uma imagem sem moldura
Como a cólera supera espaços em que o amor
Impera entre dois seres? Uma dupla eterna
As mãos de faca afiada que cortaram a paz
A base, a estrutura perfeita de nós cúmplices
Os gritos ilícitos e a força onde havia pureza
As palavras sem fim, sem começo, armas duras
Detalhes infinitos que me mantêm em vazio
Sem horizontes, como se em morte aos poucos
Meu rosto não comporta em total meu sorriso
Não contempla minha tristeza infinda e o temor
O horror da solidão e da consciência, minha vida
Como me arrependo de existir nesse instante
E me ponho ao balbuciar desculpas sozinho
Em constantes lágrimas me indago sobre o momento
Em que me perdi de ti e quis desistir de mim
Pois duvido que algum homem ame a seu ídolo
Sua fonte do paraíso, sua eternidade, seu cerne
Como eu, em chamas e em lágrimas, a minha mãe
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
MAR
Longa extensão de água salgada em suores
Um encontro, os olhares de desvio, o sorriso
Os olhos pretos de perigo e o canto feliz da boca
O sinuoso limite entre o mar e tua cor de sabores
E minha boca mirava cada traço, desenho perfeito
E minhas mãos, ao vento, em tato, sentiram
O inesperado reencontro do nosso laço aberto
Com um toque daquele riso que me beijou em silêncio
Quis a maresia nos teus cabelos, o contorno dos lábios
E, propositalmente, o sol iluminou somente teu rosto
E a areia, quente, trilhava simples um só um caminho
Já não havia alguém e ninguém era mais lindo
A inocência cabisbaixa, em ondas, te permitiu vir a mim
A ânsia em pertencer em momento ao desconhecido
O corpo tremendo em palavras nervosas e ansiosas
E te senti como a água que me combria em banho
Como se cada gota fosse cada toque, cada abraço...
Vem, em fúria, e me redescobre em arrepios do novo

Um encontro, os olhares de desvio, o sorriso
Os olhos pretos de perigo e o canto feliz da boca
O sinuoso limite entre o mar e tua cor de sabores
E minha boca mirava cada traço, desenho perfeito
E minhas mãos, ao vento, em tato, sentiram
O inesperado reencontro do nosso laço aberto
Com um toque daquele riso que me beijou em silêncio
Quis a maresia nos teus cabelos, o contorno dos lábios
E, propositalmente, o sol iluminou somente teu rosto
E a areia, quente, trilhava simples um só um caminho
Já não havia alguém e ninguém era mais lindo
A inocência cabisbaixa, em ondas, te permitiu vir a mim
A ânsia em pertencer em momento ao desconhecido
O corpo tremendo em palavras nervosas e ansiosas
E te senti como a água que me combria em banho
Como se cada gota fosse cada toque, cada abraço...
Vem, em fúria, e me redescobre em arrepios do novo

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