domingo, 10 de maio de 2026

TERRACOTA

Estou indo embora até aquele momento, o encontro sem nome de duas palavras 

O caminho, o corredor de máscaras, os lençóis limpos do toque derradeiro 

A cabeça baixa com a boca quase a reponder a estranha hipnose de te encarar 

Quis teus lábios universo, rapaz cheiroso, os olhos fugitivos do que seria paixão 

Contra a luz da janela, tua pele terracota, reflexo do brilho dos anos vinte três 

Seduzi-me pelo corpo pesado, a pressão do sem ar de quem desaprendeu a respirar 

Que saudade do frenesi do ainda não mágoa, vazio e demasiado sorrateiro

O que não era dura dor, aflição do desencontro, o que não se quer lembrar 


Eu barganha injusta do sentimento narcisista de viver a irresponsabilidade 

O novo inconsequente, o medo das mãos dadas em público; quis só para dentro 

A luta controvérsia dos quaisquer valores enquanto só pude agir em desacordo 

A recente liberdade do corpo, a sede dos outros em uma só boca suficiente 

Você hostilidade secreta da desconfiança hereditária desde o primeiro beijo furtivo

Uma carreira frenética pelo sublime carregando todos os traumas, freios 

O silêncio dos olhos em lágrimas, a chaga de feridas várias, a entrega passional 

A ocupação do espaço ninho desprotegido, menino impulsivo de amor agressivo 


Porém, fomos mossas dia após outro, mal recuperadas em soldas inaptas frágeis 

O medo dos planos futuros, o engano da droga autossuficiência, as diferenças 

Alimentamos a vil sabotagem dos apaixonados de uma caverna de só dois 

Vivemos o esconderijo abusivo da carne sem reflexão, o quarto fortaleza de papel

Consentimos um cambalacho, uma posse ardilosa em conluio com vãs iras veneno

Tatuamos com guache rabiscos de qualquer relação, marcas e sangue 

Abandonamos frenéticos a insensatez de tantos arranhões profundos pela sede

Viramos saudade ainda a sentir, consentida em migalhas de um passado já traído 

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