Estou indo embora até aquele momento, o encontro sem nome de duas palavras
O caminho, o corredor de máscaras, os lençóis limpos do toque derradeiro
A cabeça baixa com a boca quase a reponder a estranha hipnose de te encarar
Quis teus lábios universo, rapaz cheiroso, os olhos fugitivos do que seria paixão
Contra a luz da janela, tua pele terracota, reflexo do brilho dos anos vinte três
Seduzi-me pelo corpo pesado, a pressão do sem ar de quem desaprendeu a respirar
Que saudade do frenesi do ainda não mágoa, vazio e demasiado sorrateiro
O que não era dura dor, aflição do desencontro, o que não se quer lembrar
Eu barganha injusta do sentimento narcisista de viver a irresponsabilidade
O novo inconsequente, o medo das mãos dadas em público; quis só para dentro
A luta controvérsia dos quaisquer valores enquanto só pude agir em desacordo
A recente liberdade do corpo, a sede dos outros em uma só boca suficiente
Você hostilidade secreta da desconfiança hereditária desde o primeiro beijo furtivo
Uma carreira frenética pelo sublime carregando todos os traumas, freios
O silêncio dos olhos em lágrimas, a chaga de feridas várias, a entrega passional
A ocupação do espaço ninho desprotegido, menino impulsivo de amor agressivo
Porém, fomos mossas dia após outro, mal recuperadas em soldas inaptas frágeis
O medo dos planos futuros, o engano da droga autossuficiência, as diferenças
Alimentamos a vil sabotagem dos apaixonados de uma caverna de só dois
Vivemos o esconderijo abusivo da carne sem reflexão, o quarto fortaleza de papel
Consentimos um cambalacho, uma posse ardilosa em conluio com vãs iras veneno
Tatuamos com guache rabiscos de qualquer relação, marcas e sangue
Abandonamos frenéticos a insensatez de tantos arranhões profundos pela sede
Viramos saudade ainda a sentir, consentida em migalhas de um passado já traído

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