terça-feira, 7 de julho de 2026

CADEADOS


Proteção, a libido nefasta dualidade com o mistério da dor perene da futilidade 

Guardião das coisas intangíveis, elemento furtacor de quase tantas chaves inúteis 

No Rio, seus olhos de mar da tarde clarearam forjados no samba feminino da noite 

Não havia mais opções, só um acesso, em sorriso te vi caminhando até os meus 

Receoso, esperei os minutos que foram dias nos braços envoltos no pescoço eriçado

O medo da mão, que clandestina tocava a minha, sutil silencioso das cujas trajetórias 

Segredos de um principado prestes a já ter fim, apesar dos olhares fixos do sempre

Desejei ininterruptamente o aroma do nosso tom e cedi desconcertado a nossa abertura 


Depois de um hiato, lado a lado, quebrei todos os ferrolhos e toquei cada parte 

Senti teu cheiro por completo, a percepção estúpida da perfeição viril do teu corpo 

Então, apesar dos cadeados aparentemente trancados, entre ranhuras 

Línguas e salivas, a fenda, o exórdio do extraordinário impossível de não sentir 

Quantos códigos sem discrição, o arranjo cadenciado dos pelos por cada parte, sagaz

A vista meia luz sem acreditar a conceber, o amor de amantes, concubinos etéreos 

Nossos vértices revelados na madrugada da conversa aberta na mesa de café 

Amanhecendo a voz dos sotaques sem a roupa dos metais oxidados do passado


O reencontro-samba, reconheci tua silhueta decalcada pela miragem do meu frenesi

Vi teu rosto mirando em câmera lenta, tuas mãos pelo cabelo como se possível mais perfeito 

E cada passo eternidade contemplado como que para adiar a sensação desfrute

Teu abraço de mímica ilusionista, a manifestação mais pura de ser presente 

Fomos serenidade explosiva em um caos de possibilidades, certeiros da escolha júbilo 

Concebemos quiçá um distraído casal de ajuizados períodos distantes contados 

Vagamos pela rua gélida incapazes de soltar, até que você sem aceitar se foi

E que em regresso, clandestinos, tivemos mais um instante cume, amor animal 


E por fim, em meio a silêncios inexplicáveis, ápices de sensações distância, permitimos

Na ânsia de reviver, voei, na dualidade da temperança e na pressa rouca de habitar

Estava eu ao teu encontro, a megalópole culpada da deleitosa ilusão que perdurava 

Te rever real, teu bálsamo, a disposição viciante do teu principado gentil cordial 

Perfomamos pueris os espaços em aliança combinada, o mundo sentiu luzes sinergia 

Caretas, gargalhadas, passos a dois, a reverberação do há tempos não natural 

Estive no seu ninho, travesseiros quarto escuro, mãos no seu contorno delicado  

As fotos instantâneas, azul efêmero, o pertencimento fugaz brincando conosco 


Entre as artes, os museus, a frutose nova e a fluorescência doce da tal felicidade 

Passeamos bicicletas pela incerteza estúpida da indubitabilidade da distância 

O sentimento afogado e simultaneamente extasiado com o que se imaginava impossível 

Sem dizer, já sentindo, eu era completo saudade do que as trancas enclausuraram 

Um consórcio consentido em uma ferida boa de doer, o provocante auge amor latino 

Sem promessas de final feliz, contemplei todos os segundos tua presença, homem 

Vivemos a Liberdade, o contrato fútil de usufruir os corpos por necessidade celebrada

Meus sogros, o queijo do reino, a pipoca no teatro, a arte poética em sangue vivo  

Mas o pacto forçado revelou a ferrugem, o desgaste natural do tempo, a peça talvez esquecida

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