Proteção, a libido nefasta dualidade com o mistério da dor perene da futilidade
Guardião das coisas intangíveis, elemento furtacor de quase tantas chaves inúteis
No Rio, seus olhos de mar da tarde clarearam forjados no samba feminino da noite
Não havia mais opções, só um acesso, em sorriso te vi caminhando até os meus
Receoso, esperei os minutos que foram dias nos braços envoltos no pescoço eriçado
O medo da mão, que clandestina tocava a minha, sutil silencioso das cujas trajetórias
Segredos de um principado prestes a já ter fim, apesar dos olhares fixos do sempre
Desejei ininterruptamente o aroma do nosso tom e cedi desconcertado a nossa abertura
Depois de um hiato, lado a lado, quebrei todos os ferrolhos e toquei cada parte
Senti teu cheiro por completo, a percepção estúpida da perfeição viril do teu corpo
Então, apesar dos cadeados aparentemente trancados, entre ranhuras
Línguas e salivas, a fenda, o exórdio do extraordinário impossível de não sentir
Quantos códigos sem discrição, o arranjo cadenciado dos pelos por cada parte, sagaz
A vista meia luz sem acreditar a conceber, o amor de amantes, concubinos etéreos
Nossos vértices revelados na madrugada da conversa aberta na mesa de café
Amanhecendo a voz dos sotaques sem a roupa dos metais oxidados do passado
O reencontro-samba, reconheci tua silhueta decalcada pela miragem do meu frenesi
Vi teu rosto mirando em câmera lenta, tuas mãos pelo cabelo como se possível mais perfeito
E cada passo eternidade contemplado como que para adiar a sensação desfrute
Teu abraço de mímica ilusionista, a manifestação mais pura de ser presente
Fomos serenidade explosiva em um caos de possibilidades, certeiros da escolha júbilo
Concebemos quiçá um distraído casal de ajuizados períodos distantes contados
Vagamos pela rua gélida incapazes de soltar, até que você sem aceitar se foi
E que em regresso, clandestinos, tivemos mais um instante cume, amor animal
E por fim, em meio a silêncios inexplicáveis, ápices de sensações distância, permitimos
Na ânsia de reviver, voei, na dualidade da temperança e na pressa rouca de habitar
Estava eu ao teu encontro, a megalópole culpada da deleitosa ilusão que perdurava
Te rever real, teu bálsamo, a disposição viciante do teu principado gentil cordial
Perfomamos pueris os espaços em aliança combinada, o mundo sentiu luzes sinergia
Caretas, gargalhadas, passos a dois, a reverberação do há tempos não natural
Estive no seu ninho, travesseiros quarto escuro, mãos no seu contorno delicado
As fotos instantâneas, azul efêmero, o pertencimento fugaz brincando conosco
Entre as artes, os museus, a frutose nova e a fluorescência doce da tal felicidade
Passeamos bicicletas pela incerteza estúpida da indubitabilidade da distância
O sentimento afogado e simultaneamente extasiado com o que se imaginava impossível
Sem dizer, já sentindo, eu era completo saudade do que as trancas enclausuraram
Um consórcio consentido em uma ferida boa de doer, o provocante auge amor latino
Sem promessas de final feliz, contemplei todos os segundos tua presença, homem
Vivemos a Liberdade, o contrato fútil de usufruir os corpos por necessidade celebrada
Meus sogros, o queijo do reino, a pipoca no teatro, a arte poética em sangue vivo
Mas o pacto forçado revelou a ferrugem, o desgaste natural do tempo, a peça talvez esquecida

Nenhum comentário:
Postar um comentário