sábado, 25 de dezembro de 2010

LA SONRISA



De que me importa teu apreço?
Uma crespa mecha de amizade
Cuspe bêbado de inverdades
Vazio repleto de nostalgia, só
Se vou contar até dez, mais dez
Recontar, reviver, relembrar
E preferir esquecer, real

E ao lado de quem-cachaça estiver
Mesmo que mais infinito que eu
Abraça meu ego, lembra assim, assim
Um samba, um riso longo, uma palavra
Um olhar marejado de alegria
Clímax cúmplice constante

Com os braços nos ombros, meus
Acende uma gargalhada sem motivo
Momento e brilho a bombas de ar
Consente os puros exageros, malandro
A fome de gozar, sentir - emoção
O homem que de flor desbota
Enfim, perde as pétalas em sopro leve
Da vida, que sozinha, sombria, se esvai

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

MORANGOS CONDENSADOS


Já me basta ser Segunda
Vou gozar de teu sorriso
Beber com morangos tuas palavras
Meladas condensadas, na Sexta
Feira de sábados domingos
Curtos rubros e efêmeros
Ciclo viciado, visceral
Sorvetes e ópios, lencóis

Te verei às verdes dez
Feliz às cinco, no banho, dia antes
Desenhando teu nome, imperfeito
Delineando o molde perfeito
No bafo do calor em vidro
Dedos que se tocam, mordem-se
O arrepio de imaginar
Cio de olhos fechados

À espera do perfume, contato
Sentado ao lado, mão por cima
Sinto a marcha quinta, 150km
Sem atentar para o supérfulo
Desvio do freio atraso, acelero
Simulo meus olhos faróis, longes
E esmoreço com o brilho olhar, espelho
Úmidos e quistos

Já me sacia o toque algodão
Assim aspiro o nu escondido
Linhas esculpidas que teimam
Em decifrar meus infinitos fracos, teus
Simulam o transe que grita, extrapola
A língua excitada do tempo
Travestido de eternidade

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PLENO


O tapete encharcado
E até a toalha de rosto feita de banho
A cama desforrada, as sandálias espalhadas
Nino que quer subir na cama
Água natural, três cachorros quentes
Latinha por um real, cumplicidade

Desodorante roll on, perfume seu
cinto de rockeiro, o all star menino
Doritos roubado do mercado com Coca
Pipoca com catchup, chocolate estrangeiro
Barrinha de goiaba, urso de pelúcia

Viagem de reboque, o amor escondido
Ônibus lotado, sono de colo, meia passagem
Não importa se 5h da manhã, tanto faz
Cochilo no cinema, big mac, batata fria
Praia deserta com chuva, mãos dadas
Café, almoço e janta, todos nossos
Chá que queima a panela, cuidados

Ciúme de sombras, biquinho revoltado
Os quatorze dias mais longos da vida
Desafio de fotos, distância anestésica
Desconforto da confiança, vozes chorosas
A plenitude do reencontro
Malas a fazer, futuro, decisões

Beijo sem fumê, sobrancelha arqueada
"Amooooor, me abraçaaaa"
Álcool em boteco, vinhos e crepes
Careta de cerveja quente, cúmplices
I got a felling, champagne e caipirinha
Voz arranhada de ressaca

Sexo implícito proibido
Infanto e institivo
Risadas
Choros
Abraços
E acima do medíocre e do mal:
Nosso amor

sábado, 7 de agosto de 2010

MARCAS


Dentes de força, brilho
Mordida de pra sempre
Trincando a inocência
Rasgando as páginas,futuro
Mágoas em cáries expostas
Lembranças em água gelada

Dúvida certa de eternamente
Alvos reflexos, banho maria
Inaudíveis assobios, depressão
Vontades, ânsia de gritos...
O dedo que apontou, cercou
Fura a ferida boa de machucar

Truque da felicidade à força
Olhares tatuagem, sumiço
Beijos encharcados de outros
Palavras em ressaca, ópio
Foto sem imagem
Porta-passado

domingo, 1 de agosto de 2010

INDECIFRÁVEL



Inconstante
A arte do esconderijo dos sentidos
A doçura das figuras da linguagem crua
A tradução metafórica do simples ser
A euforia da aventura, o novo feliz
A expressão da sensibilidade infantil
Rebelde razão em alegria

João Bobo, volúvel
Irmão incondicional de um sempre sorriso
Amigo de madrugadas de neon, noites de vinho
O dorso estável de instabilidades
O garoto choroso que perdeu as chaves
O homem seguro que educa, realização
Seriedade com um jornal, delícia em gibis
Luz do sol, intenso romance

De quem falece a impaciência ao não sentir
Insatisfeita perfeição a fogo
Dono de migalhas que silenciam sonhos
O sentido por meus conceitos
A verdade por meus devaneios
Amante carne viva, anos luz

Incógnita
Menino que fura o dedo, pacto
A brincadeira solitária de, só, salvar o mundo
Guerreiro eterno, poderes imensuráveis
Bonança inocente que não consente um não
A raiva de bochechas, a beleza mentirosa do perdão
Orgulhoso, cara feia de peito aberto

Consciente, em transe
Incomodo como espinho que finca
A inveja mutável que me puxa
A topada de rosto no chão
Mas amoleço os ombros, estendo a mão
Beijo a face que me perturba
Cuspo o passado e me deixo embreagar
Desse conhaque de felicidade leviana
Ai, que vontade de viver!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

MÁGICO DE NÓS



Olhos luminosos de perfumes e cores
Feitiço cabisbaixo e riso indeciso, profundo
Algo de longe tão perto que sangra
A corda bamba da confiança
E eu saltimbanco, palhacinho que se ri
Ao me enfeitiçar de teu show de só ser
Seja qual for o trapézio, perigo excitante
Respeitável público de dois

Palco de lembranças, o passado arranha
Fere com unhas de indiferença e me afasta do espetáculo
Céu sinestésico, lona exclusiva para o amor
Cortinas que escondem o impossível
Limpa essa maquiagem, a lágrima que desce escura
Me tira da cartola, me acaricia, toma-me entre os dedos
Me corta ao meio e me leva em pedaços, teus

Silêncio da dor do coração plateia, apreensão
Uma sordidez que me toca em prantos, me cala em só seduzir
E com ponta de faca me cega o futuro, distante
Saltemos do maior ponto, sem rede, não me solta a mão suada
Sem rumo, gritemos o ópio declarado
Mágica! Um, dois, três... já! Saída pela esquerda
O show acabou, luzes de indecisão

segunda-feira, 19 de julho de 2010

ALÉM DA PRESENÇA


Em cada lágrima de fios de algo que não sei
Perdido em um vazio sem saber os ondes de verdades
Você uniu meus tijolinhos, escalou com domínio
A Babel de meus mistérios que perturbam
Os degraus duplos de sorriso, infantis
Balançou meus pensamentos na rede de sorrir
Fascínio que me fez chorar, cheiro de chuva
Sentimento em ciclo que se faz de poeira
Uma primavera que me encolheu a fantasia
Em uma faísca de palavras, espelho de más lembranças

Rendo meu coração prisioneiro e peço as chaves em segredo
Mas mantenho as algemas de um braço apenas, ferido
Condenado as outras dores, fecho as portas de entrar
E sangro a esperança que amanhece e logo escurece
Respirando com força para me manter vivo, éter
Forjando olhares em lugar de jogar, a cada dia, no lixo
Sonhos labirintos que me privam da saída

Mas, vem, em melancolia, afastar o desapontar de cumplicidade
Aprendizado de cada verso, estrofe real, de cada grito infindo
Uma voz de imensidão, eco sem segredos que te busca
Mas tire a mão de minha boca, permita-me devanear
Domina meus erros e não julga em minh´alma os erros , constrói
Me presenteie com as ervas daninhas de teu ciúme, mortas
Aduba cada jardim verde de mim, plante o que melhor de mim é seu
Semente que não vinga sem esse amor, orgulhoso
Menino travesso, estarei perdido em teu encontro
Enquanto teus olhos não me encararem
Em verdade

sexta-feira, 16 de julho de 2010

BOTÃO DE ESPINHOS


Ébrio de juventude
Seca meus cabelos de solidão
Cheirando a gélida fome
De um toque em música
Distrai os diabos da incerteza, sujos
A esperança movida à queima, combustão
E me devolve o saldo a pagar

Essa luta mortal e insana de corpos
O ópio da difusa jovialidade
Celado em máscaras de orgasmos
Múltiplas facetas dos mesmos
Fantoches do agridoce prazer
Sai de retro, amarás

Beleza imatura
Satisfaze-me de seriedade
Rindo do instantâneo profundo presente
Uma coragem febril e marginal
Embebeda-me de intransigente consciência
Toma-me os sexos, as partes da satisfação
Mas não me deixes cair em tentação
Furor animal, coito ilícito, amém

quarta-feira, 14 de julho de 2010

ETÍLICO


Ceifar minha vida, tão difícil
Sobreviver junto a tua beleza inconstante
Isso sim é penar pelas volúpias
Das esmolas irrisórias do momento
Escorregando ao abraço com lástima
Desprezo ao iludir meus horizontes

Pelos excitados em poros de nicotina
Hálito etílico barato, palavras aflitas
A boca que escorre vida, adrenalina
Me pego com teus cabelos em mãos, incontroláveis
Úmidos, sem forma, cobrindo os perfeitos olhos
Acordo. Então continuo só, ilusão

Contemplar a insaciável droga que me engana
O delírio que amolece e te traz
Ramificado de delícias azedas e amargas
Como fugir da sua rude indiferença, altivez?
Se ao toque, mesmo sem motivos, ascende-me esperanças
E fumo cada resto de teu infinito sorriso
Me dopo da simpatia cafuné, olhos fechados
Me engano ciente dessa eterna ressaca

domingo, 11 de julho de 2010

CARROSSEL ANTI-HORÁRIO


Zonzo
Cercado de luzes
Detalhes sutis de hipnose, azuis
Sozinho na cadeira colorida
Desembarca mais alguém
Sem retornar o olhar, lamenta
Duas lágrimas que se unem
Em uma pergunta de respostas certas

Sobe e desce e gira
Na melodia pesada de passados
Partes de um novo carrossel velho
Passos que marcam decisões
Me iludem e esquecem no caminho
Dúvidas a apagar amores infinitos
Me levam, mas temo cair
Seguro em mãos que desaparecem

Tonto e fraco
Não consigo me impor equilíbrio
Empurram meu corpo e tremo
Criança muda e chorosa
Mais alguns desistem e somem
Baixam as luzes, também meus olhos
Vou golfar, no vazio, os inúmeros nomes
Devolver os ingressos descontentes
Fantástico volúvel e doce
Sem música, nem cores

terça-feira, 1 de junho de 2010

PERFUME AMARGO



Desapontar teu corpo com minha doce amarga entrega
O avesso do líquido que ascende, transcende, estende
Encarar sem concentrar com olhos a verdade
Ousadia de meninos com suor salgado de melancolia
Frieza que dança áspera nas curvas, sinuoso desenho
Sutileza de uma lágrima que insiste em cair, chuva
Um suspiro que de mórbido estanca e entala as palavras

Simples momento da cartilha da promessa vazia
Músculos e esculturas, lábios com sabor azedo de outro, realidade
Ácido molhando minha nuca ao chamar por ele, aquele verdade
O peso no corpo que não se acostuma com o meu, fardo
Delicadeza sutil de arranhar e marcar com olhares de reprovação
Tolo... elixir que não cura a camada que envolve a ferida
Carne crua que lateja a presença dele em projeção de mim
Faz de conta, romance-armadilha, senso incomum

Um triz de feitiço por palavras galantes, malícia que envolve
Cerveja e brindes de sedução, princípio de fascínio
Fogo em folha verde, sentimentos em órbita
Bolhas de engano embebidas em gentil disfarce
Mas te decifrei em êxtase... meus seios em tuas mãos
E a cama virou lugar infinito, lençol úmido infindo
Vomitei meu erro de me machucar, ferir-me com teu toque
Pela simples presença de um ator, perfume sem cheiro
Vazio... inverso de mim, prisioneiro do véu passado
Laços descalços, pés sem rumos

sexta-feira, 21 de maio de 2010

SINESTESIA DESNUDA


Fã de teus defeitos perfeitos
Vislumbro os detalhes encantos
A criação suave, desenho dos lábios
Que enfrentam os meus, em ritmo de olhos perdidos
Desorientados que não me encaram, entrega
Aos poucos, intensos... surto de sentidos

Calafrios que se acostumaram ao teu tempo
O sexo que de novo conhece o caminho
O cheiro de suor e paixão enlaçados de perfumes
Lúcido em transe de tua imagem adolescente
Os contornos do nu que transpira a ânsia
O desejo de cada toque, perfeição
Explosão da espera do impossível realizável

Reparte o que vive em ti e me pertence
Acolhe meu convite e deixa o silêncio forçado
Grita meu nome e soma ao teu em cumplicidade
Assume os olhares desviados pela intolerância
Visita minhas mãos em teu quadril, meu
Me queima a boca até arder, fusão
Me faz platéia e encerra a temporada da encenação
Nus... em parceira com o infinito

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MEU PORTO


As ideias dos mais de 25 que falam de vida
Atitudes, olhar cabisbaixo e altivo, forte homem
Não nasceram de livros, mas de meu tímido herói
Daqueles que se tomam em cavernas, que temem o sol
Mas que sem tomar conta, moldou meus pensamentos, deu-me traços
Imagem semelhança de um coração que se escondeu
Uma força que enfraquece na solidão distante
Um suspiro de saudade, cabeça no ombro de pai

O violão acariciado nos braços do homem duro
A criança que do espelho ouve as músicas
Que esconde o medo na esperança de mostrar-se maior
Chorando a dor das letras que se mostravam nas canções
O adulto que renasce dos momentos de proteção
Fala de amor com um ranço adolescente de duas décadas
A voz presa, amarrada em dizer o que balbucia a boca insegura
Umedece toda insegurança de poder sentar em teu colo

O silêncio da idade que amadurece as respostas
Da busca que teima em endurecer a realidade
Mas que ao me adubar homem, amortece as palavras secas
Que me tomaram pelas costas e amarraram os braços de abraço
Hoje, passadas as histórias que esticaram o sorriso
Renasceram os anos em meu rosto e te vejo em mim
Uma simplicidade não lapidada, bruta mas tão humana
As lágrimas de uma vida traduzidas em um silêncio
De desculpas mútuas em soluço de dois que tanto se assemelham
Vive e mantém meu corpo respirando, amor de sangue

domingo, 16 de maio de 2010

LÁGRIMAS DE PRESENÇA


Como duvidar das lágrimas
Tão humanas de realidade sincera
A feição trêmula de ponta de pé, procurando
A imagem que se esvai mesmo teimosa
O nó da garganta ao te ver sumir na fumaça?

O soluço infantil que impede a voz
O diafragma descompassado e ansioso
Uma força natural e viciante
Me joga a cabeça em teu peito
Em um sublime abraço de palavras

A essência atordoada da perda, próxima
O orgulho que se dilui ao te ver passar
O perfume que me cala e grita... e me move
Relutando em fazer-nos abraços de um
Crianças, meninos reflexos do desejo
Somando desabafos e esperanças
Poupando fichas e apostando sonhos

quarta-feira, 12 de maio de 2010

SORRISOS


Medo é sede que não sacia
Palavras flutuam no álcool da paixão
E na tontura do encostar aos poucos
Da inquietude do beijo que marcou
Do reencontro de fugitivos olhares
Nos permitimos em minutos eternos

Dançamos os lábios em transe
Em suspiros fortes, sentimos o outro
O hálito de vontade úmido do incendiar
Pelos e toques, turbilhão de ânsia verde
Mãos nos corpos, dedos involuntários

Ai, sorriso que teima em me lembrar
As cadeiras defronte que se uniram
O arrepio ao esfriar toda a linha do dorso
Logo, fingimos que não nos doamos
Mas no ínfimo tempo do mundo inútil fora dali
Fomos um misto de medo e sentidos à flor
Escaldado em sorrisos de uma boca única, viril

quinta-feira, 6 de maio de 2010

SUBENTENDIDO


A espera começou a dar uma trégua
Agora imagino teu rosto ao vento
Sinto-te a angústia sem sono
Rebanho de apreensão
Mas sei que o que te move
É mais forte que as dúvidas
E mais instigante que a aflição
Amolece tua cabeça em meu ombro
E dorme em sonho distante

Queria poder encurtar as distâncias
Quebrar as passagens um dia dolorosas
Enganar a verdade do impossível
Fechar os olhos e neste momento
Esmorecer o corpo ao teu lado
Minha pequena projeção real

Desembarca e me olha selvagem
Com o olhar cabisbaixo e olhos cerrados
Um encostar de corpos temeroso
Perdidos em um espaço atemporal
Cheiro de tabaco e cansaço
Exalando um doce que cai em calda
Beiços cor de sangue latentes e molhados

Me beija em um abraço de pressa
Me reconhece pelo tom de voz
Meus órgãos já enlaçaram os teus
E o ato que interno se externaliza
Nos pensamentos que outrora vagueavam
Eu personagem, tocar teu rosto
Num longo instante intenso
Subentendido

quarta-feira, 21 de abril de 2010

CONTEMPLAÇÃO


Feriado... tédio! Estava a estudar meus teóricos da Análise do Discurso e me perguntava se era de verdade viável aceitar tudo aquilo. O sujeito, agora, assujeitado, levanta, vai à geladeira. Comi um belo pedaço de chocolate, cujo nome nem sei escrever e também não me passarei a ir reconhecê-lo. Mas enfim, delicioso. Entrei na internet, havia alguns recados, alguns seguidores, nada #importante. Voltei aos livros... competência discursiva, condições de produção escrita... blá, blá, blá! Dor de cabeça... sofá... sono... livro no chão. Acordei com o barulho do carro, minha mãe chegara da praia. Tomei uma cerveja – mas lendo Bakhtin – com gosto de enxaqueca. Feriado. Voltei ao computador, MSN lotado de tediosos, conversas bobas, respostas mentirosas e planos para o final de semana. Ah, sexta-feira, me aguarde! Oh, memória de tantos finais de semana. Oh, lembranças carameladas. Fui tomar uma Coca. Aff... quente como meu cérebro de tanto ler e ler e ler e fichar. Estou em um nível de decodificação, não apreendo mais nada, não leio. As linhas se passam como arrastar para o final que tanto espero. Cefaleia. Mensagens que chegam para curtir o feriado. Recife chuvoso. Eu sem grana. Livros para comer, almoçar, jantar... lanchar. Provas para corrigir. Cadernetas da escola para preencher. Teóricos, orientador cobrando no e-mail, no telefone. Prazo. Dia 06 de junho. Cabeça latejando... Ai, como essa data não me sai da cabeça. Coca-cola... vai quente mesmo! Monografia. Daí olho para o sorriso de minha mãe, suas poses ao tirar fotos, seu olhar. Volto aos livros, agora sem nenhuma importância... Vou ao quarto ao lado do meu. Estou ao lado dela, minha mãe... olhando-a dormir. Deixei os livros. Contemplação divina. Que vontade de te abraçar. Acorda mainha. Te amo!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

FOLHA EM BRANCO


FOLHA EM BRANCO


Fui ao limite horizonte
Rabisquei belos sorrisos, paixões
Alegrias, prazer, frustrações
Possuí pelos cabelos
Amei as mentiras de uma verdade
Flor de pele, minutos de entrega

Ditado de palavras iguais
Frágeis, frias, fúteis
Cópias cansativas de cada um
Palavras de lápis incolor
Autógrafos sem nome
Leituras com borracha
Para esquecer

Linhas pálidas, ocas
Tinta que não gruda
Passo a limpo
Start, play
Próximo

domingo, 28 de março de 2010

OFEGANTE


Cansei. Chega. Parem.
Solto o ar profundo com lágrimas
A imagem turva marca d´água
De mim mesmo
Confunde o sensitivo e o real
O suave esquecível, o projeto do presente
O além determinado, tenso

Sem respirar, atônito
Afônico de toques de fantasia
Inodoro com cheiro de vazio

Aqui ardem os olhos de verdades
Nunca quis tomá-las, ópio
Guardei o selo, a amarra do choro
E num grito de orgasmo
Queimo o passado com álcool
E bebo as cinzas

segunda-feira, 22 de março de 2010

ELO


Uma falta de tua presença
A voz mansa que abranda a saudade
Mas que me encosta uma vontade de você
Em meu ombro leve e ansioso
À espera da presença de quem
Já sinto o aroma, o cheiro dos lábios úmidos
O arrepio inesperado do toque
O hálito sobre a pele que tem sede
Do contato curto, porém eterno
Te espero como a ninguém um dia

Só não me pedes para fingir
Que desconheço as celeumas futuras
E que pelo anseio de te ter sempre
Vou chorar de uma alegria
Mesclada de nostalgia saudosa

MENINOS


Sós, meninos
Nota desafinada mas suave
Doce saudade, acordes
Embebido do edredom
Do teu toque perdido

Nu com o rosto travesseiro
As mãos que apertam o lençol
O deserto de tocar
Reencontro me puxa
O cheiro do suor
Meu corpo em espelhos

Leão de mim tentado
A saber quem é você
E ao te encarar no sexo
Emudeço de dúvida
E me debruço e me abro e me entrego

Garimpando o prazer, suspiro
Não sei nada de você
Te abraço na escuridão
Ejaculo dançando pelos teus cabelos
Lambendo os seios úmidos
De meus olhos fechados

Fecho as mãos tentando esconder
O passado – e sopro no vácuo teu nome
Sedoso de um novo amor alado
Abraçado pelas pernas a ti
Ouvindo tua vida, a fragrância
Tua boca que deseja e teme
Trai e retrai
Refluxo

SENSÍVEL


Lambe-me a face
Mas não cospe a saudade
O gesto de relembrar
Na ponta dos dedos

Excita-me os poros
E me arrepia pelo olhar
Os sentidos embaçados
Trêmulas pernas e suor

Agarra-me os lábios
Cegando a minha rubra língua
No corpo, em direção
Ao ápice - à semente