quinta-feira, 5 de novembro de 2026

DIVINO PARADOXO


Quando ousei aqueles olhos pela primeira vez, quando da violência da aproximação 

Tua presença, a voz rouca, a luz do marrom que me impediu de simplesmente escolher

Em desatino, rompemos o tempo em toques enquanto outras expectativas se anularam

Eu já estava desnudo no beijo rio doce, abrindo a visão embaçada para acreditar 

Caudaloso, grosso e ofegante, sexual divino, dançou todo nosso lance, chapados

Vidros embaçados, o reflexo perfeito das tuas linhas gigantes em transe, cigarro  

Tráfego inconsequente, sol inesperado, já não me dominava, rijo; já amanheceu 

Paixão fim de noite, corpos no carro e a febre ilhada das escolhas incoerentes 


Quantas vezes fomos palavras prontas para explodir, labirinto meios alterados

Entre o avesso da euforia enquanto segredo de cada medo selvagem, taquicardia 

A dúvida que fala invadindo e rasga toda projeção, inquieto, inquieto, inquieto 

O passado revolve pelo avesso qualquer certeza, a proximidade da alta liberdade 

O regozijo destempero que vicia, desestabiliza, pausa a sensatez do peito 

Religião heresia e disparate, o antagonismo da sede mútua sedentos do mundo inteiro

O desejo, taras que não se calam, os tantos outros: pudor secreto da não monogamia 

Então era dor, carne inflamada, músculos trêmulos; escolhas por esquinas ilícitas 


Quais momentos sem controle, éramos só ação permissiva em tempo vil caótico 

A irresponsabilidade deliciosa do vício destempero, chamas em bronze de praia 

A insensatez do encanto pele absurda, o silêncio da dúvida pela certeza jovem 

Do poder natural de seduzir, da delícia de ser desejado enquanto os quadris dançam 

A presença logicamente contraditória, a realidade sem colírio, fumaça e cachaça 

A posição perfeita, molejo em cadência regente de qualquer insensatez, duas lupas 

Beijos infindáveis de inveja, o quadro da infinitude ciente da entrega súdita volátil 

Como se faltasse coragem para aceitar tanta paz liberta, feroz pois desvairada 


Vulneráveis, descobertos de coerência mesmo certos de todo sentido, rima fuga 

A resistência da saudade diária, o desapego exagerado desafiando razões 

Rosas de um impulso prazeroso, com palavras comedidas prontas para gritar

Decepções vulcão já esperadas, certeiras e vingativas sem assumir motivos, duros 

O silêncio impiedoso como uma automutilação desastrosa nas projeções 

Infeliz absurdo da sensatez escondendo o aperto no coração da distância eleita 

A ânsia paradoxal do amor e da experimentação, noites em lágrimas 

A desfaçatez de estar perto do arrependimento consentido, mas há vida

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