quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

MEDIEVAL


Macio, preto marcado em morfologia-sol risonha e a cor de um divino colorido 

A contrastante metonímia exata do lugar, a maresia do hálito doce e grosso

Doutor da beleza só beleza, os tortos passos de  lindamente descabidos  

A sinergia de segundos em dois olhares de um fatídico propício ao bom caos  

O gin de uma paulatina embriaguez legível aos sábios dos momentos inesquecíveis 

O outro infantil desconsertado absorto do corpo que lhe abraçava de longe 

E naquele festival de fantasias nossas, um moleque de beijos antigos quebrantes 

Então a ratificação sutil do escrutínio doce e natural do nosso trato não acertado


Céu escuro ventando no rosto de mãos ansiosas dadas até o destino estrangeiro 

Distância da desordem, o silêncio da música regular com as batidas, coração 

Rosto a rosto. Fumaça como uma névoa entorpecente, vontade de sorrir, chorar

Dentes frestas arregalados de quaisquer todas libidos, rangendo verdes fugas 

O ato perturbado olhos atônitos vibrantes incrédulos sem cessar frenesi erva 

Coito flutuante em um espaço sem paredes, brancas, dunas em movimentos quadril 

O baile de par, o instante do encaixe deleite e a pausa que escancarou as retinas 

A pausa ofegante para acreditar, conexão lunar, silêncio e gemidos, ilusionismo 


O beijo violento em taquicardia a engolir o corpo, as mãos que insanas se apertavam 

Palpitação, erupção perante lavas fluidas não temerosas, ousada e marcante 

O não som, a respiração grave, apetite de deixar sem voz os olhos que já não veem 

Nus, pernas cruzadas, fumaça e desafio acintoso, paulistinha ou carioquinha

Crus, aroma de peles sem fragrância, faro de irracionais sãos em brisa sinapses 

Completamente entregues às ilações não proferidas mas sentidas, projetadas 

Nego, distância não é um remédio, é uma dor, como paixão sem presença em deserto 

Nomeaste minha beleza forte medieval, traços de um cavalheiro da época média

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

LUTO


No apagar das luzes da tua ausência infrutífera em vão, todo ato despovoado

Despertar em um reinado de ouro sem brilho ecoando no tempo imoderado, oco 

Como uma bruxaria em silêncio que faz algum beijo já qualquer dessabor

Uma dor orgulhosa, sem sono, padecendo do cheiro cru da tua boca violenta

E entre tantos sentidos e outros corpos desmedidos, a memória carente em lastro 

A saudade do desenho do teu fino e inebriante cabelo, as linhas até a bruta nuca

Toda a verdade maculada de uma distância  cinza quase devastadora dos meus ritos descalços

Uma ruína tão viva de pedaços gigantes de sol e luas, de todos os eclipses sem decoro 


No ínterim da eterna não assiduidade, meu corpo em bandejas opacas sem alças 

Como um filme sexta-feira de roteiro por frestas sem brio cada vez mais medrosas 

Imergido sem horizontes, foscos, míopes, quebrantes, carecente de com ou sem você

Caímos em um defeso cruel do não dito bloqueio, cultivo de peçonhas daninhas 

Aquela desvirtude que seca a garganta pra nos proteger de um mal criado por mil dores 

Na verdade, uma benquerença inédita como um bloco de carnaval da minha cabeça 

O riso incontrolável em meio ao caos e ao despudor só da certeza tatuada de existir 

E a imagem soberba da tua silhueta teimosa virginiana me fumando lícito entre os dedos


No extraordinário em partes, aparas de momentos vários quebradas em azuis infinitudes 

Restringidas a labirintos de caminhos feridas e de tantas curas, falso epílogo 

Abro janelas óbvias vento na testa assanhando como poeira olhos fechados 

Lá, nessa miragem, permanece você sorrindo como na última vez, com outro sorriso

Distante, meu grande impostor, falaz, frases vazias de dentinhos separados 

Sentimento hipocritamente real, permutado e nu, como que sempre saindo do banho   

Hoje, por mais que tudo sinta, a inconstância do que é raso sem superfície 

No pulo de um muro espinhoso sem calço, de luto, estou indo embora, amor

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

RODA


Amor é amplo território, hipnose aquiescida em um absorto distraído 

Vício natural, ordem travosa aleatória da lesa desordem, giro giro giro 

A moderação histérica de uma roda larga de carnaval, oca e veloz

Banho de quase chuva em hino descompassado, míngua de sede 

Casta imperfeita de dois ruídos, confusos, a inconclusa paz amiúda 

Legítimo disco de ambos os lados, fadado ao fim de factíveis redemoinhos  

Roleta mundana de todas as munições penhoradas, jogo de valor irrestrito 

Círculo suicida por voltas em globos diários da morte do jamais consensual


Plano rabiscado a lápis em uma esfera infalsa, frágil como o zelo desesperado 

Narrativa esférica de obra aberta de finais já sabidos, autoria distorcida 

O circuito alinhado com a dor de tanto sentir, avulso sem pestanejar 

Arco de linhas frágeis, suscetíveis, miragem míope estonteante para o abismo

Abóbada prestes a desabar sustentada pelo desejo movediço 

Tortura perene consentida sem realismos, corpo fluido e o sangue quente

Insensível insulto dos céticos desacreditados, ansiosos por mais 

Arco vermelho de suplício encantamento quando do encontro da primeira vez 


Xadrez encíclico dupla peça de tantos jogos, peças e estações incoerentes 

A luta injusta de tantas regras inúteis quando apenas se ama incondicional

Choro alado contrito depois de incontáveis promessas que nunca se cumprem 

O alento do cheiro natural, o não perfume, o  bálsamo da foz de corpos trêmulos

Dança de bambolês lambada de quadris circundando mãos pela híspida cervical 

Porto sem cais, solto e avesso, embarque apressado para todas as sensações 

Cão eufórico sem coleira de todas as decisões fumaça de pronto arrependidos 

A injúria injusta de incumbir ao outro o ciclo obsessivo do prazer, o ato gozo qualquer

sexta-feira, 14 de março de 2025

SERENO


Resiliente, ego e agradecimentos de bem, dançando encharcado de sereno 
Pouco a pouco, gota a gota, nos poros, calafrio como palavras úmidas ao ouvido 

Que seja calmaria, toques em chuvisco, a dúvida morna imoral sem mudar

A não culpa leve escorrendo água pacata na certeza massa do incompatível 

As deveras incertezas em segundo plano enquanto os líquidos esborram nus

Esquecidos são os pensamentos feridos repetidos nesse jogo varão embriagante

Capitoso, capcioso então alerta, chega e sua de corpo todo, devagar e volumoso 

Paulatino rosto em rosto, rasgando dois corpos em um chamego lento harmonioso


Pilhério, galhofa das tempestades em copos de tantos comprimentos sem tamanho

Como solvente universal, seja burlesco zombeteiro dos males ansiosos

Galante, garboso, de natureza pluvial horizontal avaçalador de todos caminhos

Que permaneça gradativo encandecente, desnorteador de desfechos dogmáticos

O tempo gracioso de qualquer complacência indulgente em anuência 

A festividade orgástica do sim condescendente onde não há nãos 

Brincante folião diário, aguaceira de mangueira ao sol, limão, açúcar e Pitu 

Chuva de prata, brilhante pancada d’água, o de sempre tão inovador quanto viver


Ludibrioso consentido, de orixá, de cabeça, espiritualidades axé e alfazemas

Jamais inodoro, nunca insípido, destituído de quaisquer vastos sabores sortidos 

Compasso e percussão, batuque ancestral na mútua, dupla, concepção do desejo 

Inacabável, perpétuo, tal imenso maravilhamento consiga, ébrio, anuir 

Que seja transpiração, sarro vertical de dois polos, madrugadas com turnos sem relógio 

Estupefação, pingos grossos na areia, ferro e fogo, movimento de tambor estridente 

Tromba d’água, fúria risonha narcótica, a infalível certeza da imatura jovialidade 

Deita-me em um giro desnorteante olho a olho sem piscar, rindo de tanto chorar 


Caçoador, escarnece o que moribunda com a arma do entusiasmo de possibilidades

Cai em toró. Aleatório, instaura um dilúvio revoada em um pulsar gradativo imenso 

Delírios, formando arco-íris distópicos enlaçados de integrais autopermissividades

Que conceda, de mãos livres, o pacto da experiência coletiva, do cíclico, aliança 

Desassossego de todas as rotinas, que me inquieta; sobressalta meu corpo e almas

Fluvial, amante, perene, foz de rio de todas as aventuras e de todos os romances 

Seja cobiça alegre, inveja com a nossa, a presença inesgotável de luzes neon 

Desemboca-me no mar, constante, ávido pela abundância, o apetite e a sede

domingo, 27 de outubro de 2024

LÁBIOS E CACOS


Homem não identificado, nome emprestado através de lábios viris, viço rubro macio

Doce umidade em um sarau inebriado de dois, o semblante em chagas

Abri a porta para traços grosseiros, abruptos e sensivelmente desordeiros

Feição sem controle, o reagente veneno deleitável, sem roupa e o não tempo 

As mãos compridas fumegando em tatos fascinantes concentrados em combate  

Um olhar ágil de perigo, um contorno de noite em um perfume bálsamo de banho 

O som que não soava, o silêncio do suspiro, a ofegante sensação, a erupção 

A taquicardia que se percebia nas ondulações, os pelos e os peitorais ariscos


O baile do diálogo dos poros abertos, a noturna obsessão consentida, os lençóis 

Fomos pulsação sanguínea em constrição, o desejo fútil da quem sabe única vez 

Do mais ausente fôlego à fugaz estenose de todas as partes, os dedos e os cabelos

Teus fios perfeitamente descompassados, a   avidez marota feliz de sentir o júbilo 

No Casbah, quis a bastante peçonha  viciante da jovialidade da nossa armadilha 

Consentida, assentida em abraços dançantes eretos, encaixados no escuro 

Braços anuídos nos ombros unidos a negras barbas grossas roçando em sobressalto

As luzes de um palco duvidoso, o forró escaletado, o cenário para todo desatino


Quantos dias revelamos a convulsão, a leveza da desnudez natural das duplas matérias 

Os instintivos uivos no Porto sem âncoras mas com todas as arrimos de sentir 

Os mares, as praias, o Bar do Galo, a direção em apuros, a estrada da luxúria 

Libertinagem pura constante como a necessidade de nutrir-se, doces famintos 

A perspicácia de consentir furacões vários enquanto o coração urge por parcimônia 

Então os desencontros, os vazios, as sortidas diferenças, o desejo perfurava 

Quiçá não se escutaram mais ruídos, gritos de sensatez, lambuzamo-nos de erros 

Dilacerados os vidros do amor, cegamos as películas que alicerçavam a areia frágil


Durante, a incapacidade brutal de cessar, de frear os instintos, de aceitar o amor 

A disparidade, os espíritos afins, caçadores de uma utopia menor que o que era mútuo 

A solitude acompanhada tangente à monomania, atração maior que a sensatez

A exímia compulsão, o cansaço até o sono enquanto havia o eterno sumo, fendas 

Moramos no quarto, choramos decepções não maiores que o prazer supramundano

Fomos, do todo, a insônia da madrugada e a dúvida dos dias ensolarados a distância 

Por fim, a fúria, o sangue, o grito de dor, a dolorosa sensação de que tudo será menor

Selaram-se beijos de cacos, morrendo gota a gota dentro da saudade presente 

Como desejo a rudeza devastadora da tua boca, teu olhar em ranhura na minha vastidão


segunda-feira, 15 de abril de 2024

MORRO DE AREIA


O ousado sem camisa, o olhar sedento que desviava fluidez em uma pseudotimidez

O curioso de essência e a incontrolável curiosidade de ter o outro, nicotina 

O boné verde, um talvez alargador preto, o sol que teimava em não me permitir ver

Ouvi tua voz ao longe, mas não conseguia te materializar enquanto já te sabia, previa 

Estalos da não despedida, o corte da história que denunciava a junção ilícita dos opostos 

Todavia você me encontrou, em minutos éramos fumaça rubra e libido em suspiros 

 

A pousada, a intrepidez do novo em apelo silencioso na primeira eviterna cama  

Teus olhos ciganos, como uma pintura perfeita, as mãos hábeis em seda

Meu corpo trêmulo, o sem fim, o reggae em um compasso olho no olho em chamas  

A pulsação, o desnudo e o desinibido, a permissividade dos corpos, água de chuveiro 

Então o cigarro que marcava teu rosto em uma neblina de mistério, leve fugacidade 

Entorpecente, latente também perene, já éramos a mais estranha realidade 

 

Beijos de cacau, água ardente em toques e risos involuntários, inconstâncias e paixão 

A que não buscamos, resistimos, desistimos; o sol já era cúmplice depoente 

Brisa na ilha, dois reis em trono de pedra e o som do mar quebrando em música 

A sensação adolescente de infinitude, o elo súbito, a certeza fortuita da insegurança 

Enquanto os dias sugeriam polvorosas experiências fugazes, fomos imensos dois

Imoderados fugitivos na noite em cercas, matos rasteiros, areia de praia conjugal 

 

Já não dominávamos as vontades do externo, nos instituímos imprescindíveis

Fomos distâncias de barco quando os pensamentos nos ligavam em sal

Tememos o fim, acidente no mar; cobiçava sua silhueta, o bálsamo narcótico hipnótico 

A lua desenhando sua luz no mar, o lençol azul, os nus sedentos namorando o céu 

A surpresa, os corpos e o visceral, o arrepio do pressentimento do indefinível 

Atônitos declaramos amor ao passo que amanhecia, o vértice suado da querença 

 

Enfim, a aflição chorosa estúpida do talvez, mas que já doía inerte viciante, fumo

O possível último sol, o farol sem luz, o caminho desespero perigoso da última vez 

A não saciedade lascívia, o aroma das bocas e a incapacidade de saber agir 

Os degraus que desejamos não findarem para evitar o fim, a saudade bronzeada 

Patéticos voluntários, choramos a dúvida em lentes descomedidas, explosão 

Em cheiro, saca tua câmera e eterniza a nossa lua no mar negro, um quadro demodê

 


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

EM ALGUM LUGAR, DE ALGUMA FORMA




Dentre o ensurdecedor, teu movimento em câmera lenta, o abadá desapertado e ainda cheiroso
O ao redor em um silêncio vazio enquanto tudo parou, observei teu ritmo
A impermanência dos teus cabelos lisos e as mãos ao alto, você cantava
O balanço da boca larga até que em sorrisos, sozinho e somente
Hipnotizei o momento e cultuei, em segundos, teu olhar gigante, distante
Macunaíma, pleonasmo, nortista indígena retinto da noite, tanto e tanto

Alguns passos, já moldei tua cintura em meus braços, tua mão em meu rosto
Os lábios uniram-se em beijo sorriso interminável em afago
O branco incontável dos dentes brilhosos em festa, gargalhamos sem saber
Fomos a força do imprevisível em segundos estranhos ao medo, ficar
Uma piscadela e o olhar fugindo na multidão, o axé e a sem demora saudade
Procurei teus fios pretos, busquei o enlace perdido e tudo sumiu

O reencontro, o que era especulação encarnou em uma febre desnuda
Já não havia espaços e senti deitado tuas dunas, as curvas delgadas
A aglutinação de todos os olhos em arrepio de constatação, a seiva natural
A beleza cafuza, o ingênuo, vulnerável como uma dádiva dos sensíveis poucos
Logo, a fenda, o ato em abraço quase choroso, as cicatrizes
A inquietação e a associação em transe, as palavras que urgiam em sair

A despedida, a esquina como em maldade nos desuniu silenciosamente
Tentei fugir das lembranças, ainda verdes mas latentes, a esquecer
Então, a distância virtual real concebeu momentos para sentir
Crédulos, talvez, vivemos eternidades sem fim e fomos promessas madrugadas
Porém, a realidade violenta e dolorida nos desatou, te reencontrarei
Como te amei em algum lugar, de alguma forma, imenso

terça-feira, 3 de outubro de 2023

PUJANTE

Até mais além, as paredes construídas com o colorido do sopro de todos os anos 
Quando os dias ainda não forem suficientes para destruir os tapumes ainda de pé 
Uma vez que pelo alicerce de sustentação correm veias de sublimação do belo, ego 
Super, interino, espelho flutuante dos traquejos otimistas mais genuínos em sorrisos 
Cheiro de mar, do fumo alucinógeno de mãos para o alto, o clarão, a doce fumaça 
O hálito das melhores fragrâncias, o eterno novo em roda viva e, então, os beijos 
O ritmo, o nu tempestade permissivo em desenho de seda, os caminhos e as curvas 
Aquela permissividade que metamorfoseia todas as coisas desbotadas em novas cores 

Cada paleta, cada aquarela, em chapa quente na pele, os pés que não aparam o chão 
Livres, o pedestal do conhecimento de si pra o adverso do que não orna, não paramenta 
O tronco colosso que transfere as altas vibrações de explosões em chamas ao inconsciente 
E a fluidez dos abraços, o auge da nunca saciedade em movimentos involuntários, ereto 
Até que o que já é memória inesquecível põe o corpo em demência arbitrária, compassada 
Os toques todos, as danças das fendas, a umidade melindrosa carregada da mas calma calidez 
Diluindo o peso de todas as ruínas em um alívio dos ombros condescendentes, a nuca arrepio 
E percebe-se o vivaz irrequieto das sensações; sintam-se os espasmos da comunhão furta-cor 

As luzes e o som aos poucos silenciam-se através de músicas brandas, e não se está mais 
Os olhos se abrem em pupilas dilatadas ressequidas chutando os muros da ilusão de sentir 
O susto de que existe o ao redor, quando pessoas adornam em adereço, mas não habitam 
Porém os corpos ainda em coreografia como uma balança descalibrada, não há mais ninguém 
A paixão rodopia em tontura erógena, uma valsa intuitiva, visto que cedo se deslumbra o desnudo 
A euforia pujante do tempo que não se percebe, enquanto, ao longe, se sente árduo o sol nascer 
Isso posto, as mãos cálidas descem das linhas e se dão medrosas, esperançosas em hesitação 
Enfim, o dúbio perplexo ao se perceber o apesar inesgotável feliz de lançar-se em outro, droga

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

EPIFANIA



Tua falta é a abstinência ambígua mais presente, chama pontiaguda que espinha
É sensação eufórica da parcimônia, uma corrida psicoativa a lugar indefinido
A saciedade em olhares transitórios e o amor caleidoscópio, euforia de cores borradas
O silêncio arranhado em movimentos intensificados, em voo perfumado de quatro asas
Em uma trilha sonora episódica de lugares novos sinestésicos, símbolos disformes
A transcendência sempre par sem freios em uma ladeira íngreme, inconsequentes
Letargia

Os beijos de todos os lábios, o pseudofruto psicoativo da plenitude, minha coisa linda
Encarnados no momento perene estado de graça, os risos incompreensíveis furta-cores
Sensíveis prolongados em alucinações imateriais, o mundo de duas vidas inteiras
O impulso curto prazo eufórico dos efeitos alterados em bem-estar táteis, uma luz
Folículos de fumaça, espaços de recompensa intensificada dentro de um abraço
A fisiologia inconsequente e sem culpa da jovialidade, haja mais vezes para sempre
Metacognição

O pensamento iluminado, múltiplas maneiras em alteração profunda da realidade
Visões de rostos turvos testemunhando o desmanchar do limite dos contornos, música
A cintura e os dedos, compasso sobrenatural com movimentos intensificados, gravidade
Me beija, amor, ilegível intangivelmente, me conduz ao choro em risos por trás de mil versões
Dancemos desnudos descompromissados sobre os braços ao alto, tempo cosmo imensurável
Me revela em lampejos por inteireza, completude liberta no altar florido ao teu lado
Nirvana

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ARES REIS



Com a força mais sutil e truculenta, a leveza propícia dos teus olhos sinuosos
A hipnose astuta e magnética do teu riso ardiloso como em ciclone incisivo
De sabores úmidos desmedidos aturdidos estonteados, primeiros lábios permissivos
Inventamo-nos e consentimos, em segredo a dois, um coroamento não dito
Num enlaçamento não acautelado de instante parede imperecível flutuante
A hesitação nula de quem se deleitava num revolver de ondas de cores infinitude
Meninos de mãos dadas inconscientes, casados com o tempo futuro do presente
Na certeza agoniante da felicidade asfixiando palavras desadormecidas, o alento

A descoberta lascívia e ingênua dos corpos, o desenho retrato do encaixe, delinear
O dócil contorno, bordas nectáreas que se iluminam num deleite em convulsão benigna
Traduzem-se no cauto silêncio estrondoso declarado cor de peles, o líquido e o corpo
Embalam o ponto afetuoso do nosso suntuoso beijo bélico munido de escudo nuvens
Que borram as escalas retrógradas de amor perfeito na nossa una aquarela particular
Emudecem ouvidos cobiça rumores ímprobos que nunca hão de se unir ao sentir
Ao deleite altivo pretencioso da presença austera e imodesta dos nossos laços azuis
Reis, do outro lado, daquele que eriça, de branco balançando os pés sem tocar o chão

Vem, continua perene o sonho leve ininterrupto de parar o tempo na tua gargalhada
Leva minha formalidade, os limites, para passear no teu cuidado, teu abraço, tua paz
Como gente grande, perambula entorpecente nos meus cabelos, enlaça meus enfeites
Desnuda minha mente mapa mundi das asas mais aladas na tua companhia irrestrita
Aventuremo-nos na austeridade desmedida das relações harmoniosas nos conflitos
Segue em efeito terremoto sem rumo na arte da lealdade inconteste da tua meninice
Extrai o sumo do que de sorte é leve, sem se manter, resiste comigo à rotina das modas
Comigo, corrobora o contestável poder fluido da certeza sendo apenas o teu colo

domingo, 8 de janeiro de 2017

SORRISO DO MUNDO

Reaprender-me ao brincar de vida carnaval, fluido desmonte de gosto viril frutado
De Peter Pan doce pintura extraoficial, fora de época, sensações e textura atemporal
O estado atmosférico do encontro das minhas estações, meu arsenal de todos os ciclos
De homem de barba quebra-cabeça clichê de fácil leitura singular, segundos óculos de grau
A sensatez leve do tempo que se obstinou – asas frouxas – em passar sem me retardar
Fincando ladeiras inversas na vontade de sempre subir, mesmo com as pernas exaustas
Ladrando alto o peso do consumido enervado prazo de validade das relações, de mim

Desmanchar-me ao me fingir de particulares, peculiar, vidas esmiuçadas em grandes histórias
De fantasias sui generis momentâneas, máscaras relutantes da realidade sempre em jejum
O folguedo dos meus blocos de todas as ruas, todos os corações, todos os homens, o amor
De festas sorriso apesar – felizmente – da violência masoquista das trocas, desfile de traços
A felicidade suicida sem parcimônia, alterada frenética incessante; que importa a ilusão?
Enlaçando, em gás, venenos módicos a prazeres mudadiços, fumaça branca frívola inesquecível
Fundindo o álcool fuga em minhas legendas sem tradução, o brinde regozijo simultâneo

Contemplar-me ao dilatar levezas, autofolião infração, fora da marcha-ré comum do vão igual
Da tortura pé de ouvido e de armas brancas – em palavras –, o desmontar maldade do alheio
O corte em navalha do sentir, evento uno magnânimo do ser, divino, contudo volúvel e brisa
Do que não é pândego e deleite, do prostrado e truculento, do que não é beijo e saliva viva
Grito e euforia, choro copioso de alegria, música que me arraste e me inflame – pode entrar
Jubilando os meus eternos dias como que os últimos, na bem-aventurança de todos os hiatos
Triunfando contra o mal no qual nem creio, mas que insiste em me calar os sorrisos, meus

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ATLÂNTICO


Minha emancipação, a autonomia recíproca, a fidedignidade das minhas traduções
O empoderamento das forças, minhas marés de liberdade delinquentes bem definidas
As chagas prolongadas em territórios desconhecidos imersos em desfiladeiros azuis
Minhas ondas cativam ao norte, correm por onde há gotas de espaço, felicidades
Mesmo que não existam, insistem em persistir, desembocam em infindos deltas
Febris e apaixonadas ao não serem planícies, sensações ilhadas acima do nível do mar
Contudo seja lá quem as mandou, com tudo, que venham em larvas desconcertantes
Das mais várias ardorosas espécies, das correntes mais latentes, cálidas tatuagens

Minhas inclinações, taludes, do raso ao fundo, lá atrás do mundo, lá dos lados de fora
Mulher e homem, sem arrecifes, navegador inventivo e contínuo, sempres, hipérboles
Espalhando sigilos impertubados remansados, ressacados por ouriçar-se, galante saudoso
Chega, chuva, chuvosa e dilúvio, no teu corte do meu rosto, sobe meu riso aos gritos
Escoa aos pelos, vermelha leve, o mamilo e em descida lambe meu cone, continente
Derrama luares canções, faz chover chorando... já sou praia tangível, úmida e permissiva
Mar calmo tempestivo, mênstruo e propício, talhando lembranças e sensações, toques
Forte, dono, peço que chegue o ombro tristeza, para que não me afogue de altivez, vulcão

Minha vontade dorsal, amiúde, medula e sanguínea, constrói-se no cume pirata de mim
Sou uma boca estrangeira e os seios ofegantes, ventres por dentro, um rastro de paraíso
Uma flor longitude, desarmada, em segundos de espinhos água salgada, perigo irresistível
E quando de lá do fundo do mar de sortilégios, minhas placas de feitiço harmônico, Netuno
Sempre dia, receba-me em tempestade sem tamanho e olhemos as estrelas da imensidão
Do sem formas sem temperatura, respiração ao fim, enfim, no momento da inconsciência
Já sem razão, sem domínio dos sentidos, parcimônia e olhos fechados, toma então minha mão
Enfim, num último suspiro à superfície, me traz atento ao amor eternizado em inércia real

segunda-feira, 14 de março de 2016

OPORTUNO



Descabido e tempestivo, de relance como uma fotografia de perfis sintônicos
Invade, permanece, perdura e, em mudez, livre, cadencia corpos a equivalerem-se
Mentes reticências em poesias imorais remanescentes, taciturnas e assimétricas
Novo remanso atônito, porção de mar de calmaria, a certeza de machucar-se em risos
A leniência dos olhares úmidos, os dedos e os tremores ouriços, consoantes e escapistas
Eis os milésimos côngruos do tempo que invadem em estupro lágrimas de consentimento
Mesmo no sigilo e na quietude-sangue certeza da dor pavoneado de atos proibidos, felizes
O sadomasoquismo da banalidade, o afinado encantamento da possibilidade do eterno insano

És a maré que se rebela harmônica; cala e faz vangloriar de cada feito galante, a mentira sutil
O consentimento pertinente de todo o idiota, o tiro roleta russa, a paixão bala no gatilho
O tiro no escuro em pleno sol de perder o fio tênue do juízo, o ato, o átomo da doação
Faz gozar gota a gota, senhor do consentimento, emudece e ruge com os dentes homens
O cume do delito permitido, o peso do rosto no travesseiro, as mãos dominando a afrodisia
Tatuando unhas de lubricidade falta de ar, uníssono em gemidos de não dominar-se, abuso
Cerceando a certeza do desejo leal mútuo, mesmo que até o transgressor ejacular momentâneo
Já que convences os pávidos amantes de que o atentado cobiçoso de pertencer é delito pouco

Delinquente e violativo, todavia, criaste covardes homens temerosos de experIenciar o ébrio dos ousados
De almejar a transgressão do silêncio olho no olho, em seus vícios genitálias, o vicioso desconcerto
Peças proibidas de um quebra cabeça em delito permissivo até que ambos gritem de braços dados
Fluidos em sua excitação libidinosa, presos no desejo indivíduo pervertido e pávido do obsceno a dois
Embeba-me de lascívia viciosa, banha-me do escândalo da lubricidade cínica dos olhos fechados
Do grito irrequieto no meio da chuva, o pecado nu que escolhi moral ou imoralmente me eternizar
O homem desarmado que não pondera a incontinência suspeitosa de entrega do outro, um cigarro
És tu, o amor, o hiato cobiçoso dono da minha torta regência delimitada pelo meu desejo sublime

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

LIVRE MÚTUO


Livre-me de todo bem planejado, das doações sem inoportuno, da segurança não acidental
Das amarras de convenções soberbas e das etiquetas produzidas com tinta permanente
Ame-me com o casual surpreendente, o fortuito de cada reação, com a beleza do esporádico
Com a liberdade inconsequente manchada de batom barato eventual, uma música e ritmos
Ilumine-me de atitudes fortuitas, de recados sempre imprevisíveis em espelhos irrefletidos

A imagem-retorno é incidental, o reflexo visível... esporádico, o tom de olhos entreabertos
Os significados eternizados por milésimos, o curto eterno sorriso infantil inesperado, o amor
Que em cada espaço nu de tantos parâmetros e modelos será senhor mor do nosso antipacto
Do nosso desacordo em um buscar ser, acessório, a alienação em que sistematiza a felicidade
Sem fugas e contingentes e metas de enfrentamento, abaixo a especulações incolores alheias

Deixemos que sejam aleatórias para que elejamos em detalhes uma por uma, caoticamente
Para que sorrisos esporádicos tornem-se perenes, mesmo que alçadas em dedos apontados
Que os efeitos da sofreguidão perfumem-se em abraços de místico enlevo, arrebatamento
A fim de que o arroubo do encanto mútuo se estabeleça em leve suspensão a qualquer dor
E o sono seja sonho, relativo ou real, desde que tomemo-nos sempre protagonistas entusiastas

Enleva-me sem deleites de mãos dadas, corramos, desbravando com doces e risonhas cambalhotas
Trilhas infindas de fascínio e embriaguez, pois já não importam as sinuosas saídas, quais deltas
Nossos espasmos de vislumbramento desamarraram cada laço que dificulta cego as entradas
Aporta-me em asceticismos de incertezas a dois, como quem contempla o que não é certeza absoluta
Para que cada vazio contate-se como espaço de reinado anistiado de duas coroas, francas e soberanas

domingo, 14 de junho de 2015

AGRADECER (SINÔNIMOS)

Duas figuras sem contornos, uma fórmula jovem negligente em tons de poesia
Sorrisos-engano, mais dia menos dia, no encanto longe e intocável da tua canção
Pairavam, meia vida, rindo hálito alto desvio – estado de esperança inocente
Eternidades azuis incolores que esvaíam com a imagem no horizonte, corte incerto
O acaso oculto do quando seja, quando ele possa ser, sem pensar em pertencer – exclamação
A não resposta para a não pergunta, inconstante sentimento das ironias do destino
A Rua do Carnaval, lua de frevos bienais sem advérbios, na intensidade metonímia de partes

Ocultar o homônimo na espera embalada pela saída do outro, casa sem móveis
A esperança de pertencer a meu toque, o espelho de minha metalinguagem enquanto poesia
O acaso conspirado, as cores, o negro e o corpo, o samba, teus olhos em escolta aspirando aos meus
A incerteza da provável pertença; o sim, o quiçá, a melodia e o compasso, o balanço e o quadril
O arrepio – reticências –, transformando o silêncio na mais atenta e tenra música confessional
O passado em rotação obsessão, as pernas e os braços, os nus inconsequentes, hipnose
Como se lambesse com a ponta da língua a casca sensação de eternidade, efêmera e infinda

O beijo que desnudou uníssono cada pelo em arrepio-início-de-tudo, campo de deleite
Chegou menino entre nós e selou homem feito um coração sangue escuro, rubro latente
Na sua batida, o (des)compassado em manifesto ao caminho da plenitude renasce desnudo
Então, em verdade, paulatino e perturbador, chegaste sinônimos de toda minha natural verdade
Pulsando punhos de meninice pipoca e sorvete, singular em figuras de arroubo e enleve - volupto
Perdemo-nos nas mesóclises que dilatam virgindades, rasgando gozos... boca em estratosfera

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

SEIVA

Os espaços, as experiências de cada eclipse de dois, os laços
Percepção intuitiva da eternidade efêmera da ilusão azul
E do prazer descalço e alado que alucinante perde as asas
Cai em força, entra em chamas, paira nos desnudos ombros
Lambe os mamilos em sais e suor como em sede incontrolável
Bebe o infindável líquido... instável, em uma lágrima orgástica
Corpos, correntes e fios – um insano grito eterno em risos

Sem nomes, estranhos... todavia já tão para sempre, simples azuis
Desatino de desenhos, contornos dos lábios ao dançarem na rubra língua
Desbravando pontos dantes secretos – erupção quente da pele, em pelos
Contraindo o hálito na minha pele, as mãos ébrias que tocam horizonte
Enfim... Já não se respira, expelem-se ruídos que transpiram em compassos
Os olhos umedecem e também já não há palavras, somos olhos em aflição
Prélio, peleja. Não há mais tempo, os dedos se contraem e a carne treme

Uma flor, uma gota de nirvana corre até os quadris unidos entreabertos
O espetáculo. O grito e o ato. Apenas os olhos ansiosos no escuro e o sorriso alvo
O estado comum da exterioridade conjunta dos organismos internos, azuis
Latentes, afônicos, incoerentes. O controle e o disparate. O auge e mais sorrisos
O ritmado enlace dos membros, a troca, outra língua – a sinestesia diversa, única
A transpiração e a sensibilidade de glândulas, a pulsação adversa feliz do êxtase
O salto de olhos fechados na existência humana, animal – a seiva e o cume

domingo, 14 de dezembro de 2014

O PRINCIPADO


Um ingênuo que reclama abrigo, reino distinto
Que tudo o que tem a oferecer é a tentativa do recomeço
Mesmo acordando a cada dia inconstante do mais exagero da paixão
Invadindo pífia majestade impérios de tronos areia fina
Resguardado a meros títulos que em nada me enobrecem, são de ar

Enfim encontrei tua cor refletida na água e, sozinho, desafinei rouco a voz
Virtuoso, perdi meus olhos em território de tua desconhecida província
De pronto, assustei-me em trincheiras, como em guerra contra meu próprio reinado
Perdi, em segundos de não-razão, minha soberania, bobo incontrolável
Se fui fraqueza, coube ao meu controle se descontrolar em tua imagem

Diplomaticamente, dei-te um primeiro boa noite imaginando já todos os dias
Os dias de coroa mútua, monárquica e de riso solto eterno em toda corte
Sem tratados, tocamo-nos no fundo em profundidade natural, crianças
Entre sonetos e crônicas, temerosos, lançamos imperceptíveis rimas plebeias
Um beijo – como quem desaprendeu inevitável a agir, pungente e eterno
Case comigo, sem dizer nada, franco e cândido... eu já instituí meu sim

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O descalço e o Outro

Os pés. Pé de semente, a agressão refletida
Palavras e olhos vermelhos, mareados, freio
Veias em quente fluxo que põem roxas as unhas
Ódio, imprecisão e decisão selvagem, gritos
Grão de semeio na ausência de sobriedade,
A corrente das serpentes e os corpos
Força dura de homens, dentes trincados
As lágrimas. Lágrima de ciúmes, o Outro

Um caça-palavras sem patas, sem luvas, sem destino
O simples ato de ferir, despindo a utópica sensatez
Em segundos, em atos, como em uma tragédia
O punho. Um fim, um fio de sangue e pele, memória
O desfecho repetido, inconsequente e já arrependido
Vontade imediata de acariciar em festas desculpa

Estou descalço. As mãos. Mais palavras, ameaças vãs

O susto. A loucura e os músculos. A noite, às luzes
Um lado tende ao caos, buscando a saída, ponho a armadura
Visto o convite da vida e, para me manter respirando, suspiro
Suspiro mais uma vez, abro os olhos – mudo de lado
E na tentativa esquizofrênica de apaziguar a dor, ignoro
O perfume de portas fechadas, a qualquer preço, 120km
Fumaça com álcool, onde estou em mim?

Os passos querendo regressar com a certeza absurda da volta
Relampejo quanto trovejo em um fenômeno natural da falta
A temperatura anormal e amoral do corpo em desejo infame
Sedutor e infame, infame, infame... deplorável
Repugno o pretérito ao não mais tremer voluntário à presença
Acreditando que agora minhas sandálias são apenas para dois pés
Já não sinto frio e, breve, os calos se tornarão novas lindas fortes raízes
De Outro ignóbil, quiçá, imutavelmente torpe

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

MAR, AMOR E RIO



Com os pés no Pacífico e os dedos apontando para o céu nublado
Os olhos em mim e o infinito dominado em chuva furtacor
Procurei meu sol, a luz que, afastada de mim, esvaziava-me
Sozinho, pude conhecer a fraqueza e a força das lágrimas insustentáveis
Como se o tempo custasse a convencer-me que em verdade estava feliz
O brinde de olhos fechados, de uma só taça frágil e imaginária
Esboçando tua inconfundível imagem que me persegue há oito anos
Compartilhando teu sorriso, aquele sorriso que me saca uma arma azul
E me faz sorrir instantâneo e me sentir perto em tantos quilômetros

A distância do novo de incríveis momentos, novas pessoas e vivências
E a infantil vontade de te dar a mão a cada passo, em meio a um todo estranho
Quis, por vezes, atravessar o mar, em rio, e constatar de suspresa meu amor
Confrontar o riso das minhas fotos com a verdadeira felicidade de teus braços
A fortaleza imprecisa e inacabada pela qual só eu estou protegido
De te tomar nas costas e ganhar um beijo na nuca, trêmulo e ansioso
Como se te conhecesse hoje, pois teu amor me estabelece e me restabelece

Quantas injustas noites toquei a linha tênue da minha imaginação em você
Longe e distante, acordei com a sensação espontânea e tão apaziguadora do teu cheiro
Rocei o choroso rosto em alheias camas em que, à noite, me despedaçava em saudade
Camas que tentei completar em vão com minha ingênua e insistente memória, peso
Que completude existe em estar confundido e perdido, conscientemente?
Caminhando e voando, buscando e pertencendo a algo que nem se aproxima
Nem se aproxima do infindo prazer do simples toque de tua entrega, minha

A segurança delgada e forte do meu herói sem padrões... e que, por isso, me encanta
Sem códigos marcados ou ações previstas, a beleza da inconstância
Como fui desespero ao ser feliz sem o consentimento de tua felicidade
Meu príncipe, a sensação inegável e perturbadora que me goza inata
O suspirar e chorar em soluços, como estive sensível em pétalas leves
Mas aprendi a sorrir da dor quando o corpo pede para trincar os dentes
Levantar e encontrar o caminho, a saída, a possibilidade da abertura do meu delta

O mundo foi chiquitito para a imensidão da saudade que me aglomerava os pensamentos
Que me embaralhava as palavras na simples vontade de te reencontar breve
E, mesmo que impossível, ia dormir para que chegasse o incrível momento
A hora congelada e esperada de voltar a compartilhar cada minuto e te beijar
Em um espaço que se tornará vazio e compensará a dispersão dos nossos corpos
Daí, então, não mais me deixa dispersar do imensurável prazer do cafuné de te pertencer
Em trinta dias que mais amei quem escolhi para desembocar minha vida para o meu sempre

terça-feira, 20 de agosto de 2013

TRINTA GUACHE



Quantas duras mudanças, palavras insólitas e sonhos líquidos
Que foram desbotando com o simples toque da água, fria
E todas as promessas e todos os os homens e todas as mulheres
E todas as descobertas do corpo, todas as nuances nulas do ciúme
Todo o proibido, toda a ira da adolescência, os excessos de amor
Como fui todos beijos eternos e as juras fiéis efêmeras

Catorze, vezes, dezoito, zombava jovem do poder - que jurava dominar
Da sedução... e extrapolei meus instintos e fui a simples inerência
As possibilidades, os atos inocentes de um homem de mochila e sorrisos
Beijei a vida de olhos fechados, descobrindo, em meu possível, os limites
Como dominei em aquarela a imprecisão de um aprendiz, luzes
Pigmentos aglutinados a cada cor, a cada relação, como sem fim

Fui palco e aplausos, ator ao mentir buscando esmolas de aceitação
Temi olhares indiferentes, vaias, engoli insultos a gritos em silêncio
Perdi o sentido e minha referência, por vezes, minha mãe e minha vida
Chorando, correndo, fugindo... me refazendo, moldando, em esboço
Como ousei, em soluços, definir meus traços e merecer um só abraço
Pincel leve em parede áspera, porta fechada, vinte umas, vezes

Diante de belezas, apaixonei-me, são, em inúmeros relógios sem ponteiros
Permiti-me, concebido, seguir de mãos apertadas e unidas com o atrevimento
Com o que palpitava e descontrolava, as paixões e o estranhamento
E andei e busquei e celebrei... sempre com duas taças os brindes sem motivo
Mesmo tão solúvel como guache, mesmo ciente da inconsistência dos tons
Como fui música e sons, amigos e felicidade, noites e madrugada

Trinta e vezes criei, destruí dogmas, senti e delirei o êxtase, atemporal
O vício da permissão, os amores e as audácias... como estive nu em cafuné
Como persisti em mudar o débil imutável por compaixão, para ser feliz
Cantei em gritos na chuva, incoerente, forcei o choro voluntário para me conter
Quantas vezes li meus pedaços e, de degraus duplos, aglutinei e me reergui
Para hoje dominar apenas o seguro do vivido, em busca das tonalidades de mim

domingo, 9 de junho de 2013

CODINOME


Nomeio-me em tantos prenomes, ao acaso, de cada dia
Uma ousadia de assalto ao me refazer, ao não delimitar
Criei meu próprio pronome, a coesão mais ínfima e incerta
Produzo meus romances em que me tomo protagonista, vilão
Sou infinitamente meu próprio inimigo e me dou trégua
E volto e deliro, morro de paixão... e aflinjo e broto

Mas longe até de tua distância, ao tentar cabisbaixo te apagar
Sou pseudônimo, não me oriento em um passo de verdade, engano
Feliz em dentes abertos, incapaz e falso, encontro-me forte em lágrimas
Homem de certezas quebradas pelo tempo paulatino em feridas
Insano ao tentar desmerecer um sentimento passional, às avessas
Sem coerência, criança sozinha no escuro; em outros braços sou você

Vem em silêncio, apenas me encanta ao olhar em amor, deita
Me proteje em veludo , devolve meu nome, não importa meu orgulho
Debaixo de chuva, abraça desdespero minha dúvida e me reescreve
Pois sem metáforas, só o teu coração me envolve em vida, sinônimos
Sou sede, canção infinda, sem nota, sem melodia, sem letra, sem nome
Livre, em versos brancos e inacessível, incabível em cifras

terça-feira, 2 de abril de 2013

VISCERAL



Qualquer abismo em nuances deveras da tua voz
Trêmula estúpida inconsciente, em droga
A mão agressiva em paixão instintiva animal
Os sexos em orgasmos do toque cego em gritos
Meu corpo teu que responde em risos cachoeira
Cílios e olhinhos ao me doparem de puro amor
Meu sangue que age e compassa na tua respiração
Ofegante, instável, menino lindo inseguro

Sem teus magros pés, perdi as esquinas do caminho
Os dias todos sobrevivem sem ápices, atônitos
E nenhum modelo goza de minha virgem entrega
De quais olhos fechados enxergam teu desenho
Tua cor de aroma residente em minha pele arrepiada
Cada fino pelo, cada gosto quente da saliva
Reconheço calado teus movimentos, as espertas entonações
As mentiras em verdade e as verdades das mentiras

Em soluços, agora, rasguei a porra da moralidade
Relevei febril as infâmias e as feridas abertas
Cri apenas na melancolia excitada do que foi sublime
E nu te busquei na cama, iludido, ainda teu perfume
Fui, em feromônios, te encontrar, na varanda da noite
Vindo a mim, tua alma já estava perene em mim
Pois sabes e dominas meus mistérios e vontades
Fomos a certeza, sem cautela, da paixão incontrolável
Dos homens

quinta-feira, 14 de março de 2013

COMBUSTÃO


Na estrada inconsequente de brisas em pó
Nos cabelos do vento que em canto te assobiam
Sou somente a saudade orgulhosa que silencia
Nas vias de faixas amarelas em álcool do teu nome
No gole estado de estupor do teu corpo, ilusão
No run away da batida surda da tua falta
Festejamos sozinhos com sorrisos do canto da boca
No químico, no sólido, no intangível, onde esteja
Nas minhas veias vivas e sonoras, sem ritmo
Que ritmam a melodia de tua voz em chamas, louco
Toco meu rosto como que com teus magros dedos

Nas curvas delineadas da cumplicidade, infantis
No brilho maior da escuridão em estrelas
Somos uma párea inconsequente,telescópio em chamas
Nas pernas que balbuciam entrelaçar tuas coxas
Nas quentes mãos ao tentar te possuir em imagens
Crio teu cheiro dançando meu olfato pelos braços, só
No toque uivante longe, longínquo e severo
No instante isqueiro da chama que traga em luzes
Drogamos um ao outro em abraços de lágrimas
Nas cores indefinidas da tua escultura nua, perfeita
Nos meus pensamentos de pólvora, és fogo e melancolia
Sou risos , sou frase, sou a retórica perdida sem espaço

Na libido que distante se figura em fumaça, alquimia
Nos condutores repulsantes de beleza, só te pertenço
Sou menino, dono da tua poética quente sem estrofes
Na delicadeza sagaz da combustão, a paixão sem limites
No tabaco, no trago dos laços e nós-cegos diários
Somos maçaricos sãos de enfrentamento, de mãos dadas
Na fragilidade fósforo dos fatos, o impetuoso incêndio
No topo, no limite tangível da relação dos homens
Somos a reação pungente em cadeia de dois amantes
Na dor do pingo de vela para sarar, a cura pelo amor
Na contramão dos rótulos, os polos contrários totais
Juntos, à vida eterna na fogueira proibida

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

NADA


Quero a única eternidade para arrepender-me
E até lá vou olhar nos olhos e chorar alto
Soluçar de tanta vontade e mágoa
Suspirar o impróprio, vem de encontro
E me arrasto, e em troca, o silêncio
Rolando ao teu lado esperando teu toque
Me contento com teu cheiro de suor doce

Desabafo em letras, elas já nao dizem tudo de nada
Já nao abarcam todas as vogais, verdadeiras?
Ou minha inspiração etílica e abandonada
Chovia embaixo de uma capa furada por completo?
Mas me abraço em beijos de tua boca para não cair
Não esmorecer, não me molhar, me protege
Mesmo sendo essa nuvem suave e passageira

E volto, e vivo, e volto, e canto, mesmo sem voz
Por dentro, nas coisas tripas, no tempo que envelhece
Na tamanha vontade de fruir, de ser folha sem rumo
De fingir acreditar em promessas de olhos marejados
Garoto por momentos, agora... Clímax... Cicatriz...
E usurpo, e peco, e cumpro a sentença da tua distância
Todavia, olhando para o nada, nada de você

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

FIDELIS


É na fidelidade das palavras em doce hálito
Na mansidão e no furor das tímidas mãos
Na indecente entrega testemunha da paixão
Rosto suave em contornos fortes, perfeição
Beijos dissimulados que não consegui conter
Dos poros rasgando meus sentidos, desfrute
Os contornos em suor matando minha sede

É na felicidade companhia segura que clareia
No terror do passado escuro das cicatrizes e marcas
Na projeção real de tuas palavras, teu corpo
Os nomes, os signos, as imagens de um pacto de viver
A inerte ânsia contida por quem domina, por outro
O coração sem vidraça, a língua sem significados
Uma pedra jogada ao léu, uma escolha injusta

É na novena dos teus braços que danço
No paraíso trêmulo do canto da boca
Na reflexão sem medo, temeroso em miúdos
Frases de gritos baixos erradas em buscar razão
Olhos desarmados e assustados pela amplitude
Dos litros amargos das lágrimas arranhadas
Pela dúvida já sentida do nosso momentâneo sempre
Um amor entreaberto do passado em lâminas

É nos meus dedos que sinto teu cheiro puro
Na minha saliva que lubrifica o prazer inocente
Nas línguas ambas da madrugada e o perigo fumê
O ópio do toque e a nudez que dilata o pudor
Do feito de querer e do contrafeito do incerto
Que tiro a roupa do tempo e visto um relógio
De segundos eternos dos teus cachos de cumplicidade

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

RUA & CHÃO



Desejei poder me diluir em poucos
E de poucos pedaços parecer, invisível
Busquei o faro instinto e com sobriedade
Mesmo agressiva e agredidamente agredido
Lembrei meu passado, meu ideal de amor
Uma bala a tiro que perde força com a idade
Uma imagem na neblina fosca e turva
Não há mais esperança

Tratei de vasculhar a mais tenra memória
Como me destruiu a todos os Eternos
Como doar transformou-se em flagelo
E como as lágrimas inverteram o curso...
Transformei-me em rocha sem cachoeira
Sofrimento perene em sorriso travestido
Da boca vomitada da dulce verdadeira
Que o efêmero teima em solver
Enquanto morro meus sonhos ambos

Culpei em milésimos sem fim todas atitudes
Minhas, somadas, diminuídas nas ruas
Nas matemáticas frias de cada relação
Dos sexos impróprios, dos gozos contentes
E me vi ali, ouvindo, sem te enxergar, teus gritos
Teus xingamentos e tuas fraquezas, álcool
Cada toque bruto me instiga primitivos
E me tomei de consciência para não te agredir

Sentei tonto na larga calçada, juntos
E sua feição foi se afastando para sempre
Caminhando desfocada, dopada, para o jamais
Éramos eu e o universo do passado, sãos
Mudos, não humilhados, sentindo pena
Pedindo a Deus para te humanizar, bicho
Conter minhas chagas em chamas
Para me arrepender, novamente, do erro da escolha




quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ESPELHO


Falam em ficar sem chão, estar sem rumo
Permaneço sem alma, sem luz, em deserto
Tomado conscientemente da falta de perto
Do medo do rancor de para sempre, em dor
E durante muito tempo, serei alguns poucos
Um espelho em cacos e uma imagem sem moldura

Como a cólera supera espaços em que o amor
Impera entre dois seres? Uma dupla eterna
As mãos de faca afiada que cortaram a paz
A base, a estrutura perfeita de nós cúmplices
Os gritos ilícitos e a força onde havia pureza
As palavras sem fim, sem começo, armas duras

Detalhes infinitos que me mantêm em vazio
Sem horizontes, como se em morte aos poucos
Meu rosto não comporta em total meu sorriso
Não contempla minha tristeza infinda e o temor
O horror da solidão e da consciência, minha vida
Como me arrependo de existir nesse instante

E me ponho ao balbuciar desculpas sozinho
Em constantes lágrimas me indago sobre o momento
Em que me perdi de ti e quis desistir de mim
Pois duvido que algum homem ame a seu ídolo
Sua fonte do paraíso, sua eternidade, seu cerne
Como eu, em chamas e em lágrimas, a minha mãe

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

MAR

Longa extensão de água salgada em suores
Um encontro, os olhares de desvio, o sorriso
Os olhos pretos de perigo e o canto feliz da boca
O sinuoso limite entre o mar e tua cor de sabores
E minha boca mirava cada traço, desenho perfeito
E minhas mãos, ao vento, em tato, sentiram

O inesperado reencontro do nosso laço aberto
Com um toque daquele riso que me beijou em silêncio
Quis a maresia nos teus cabelos, o contorno dos lábios
E, propositalmente, o sol iluminou somente teu rosto
E a areia, quente, trilhava simples um só um caminho
Já não havia alguém e ninguém era mais lindo

A inocência cabisbaixa, em ondas, te permitiu vir a mim
A ânsia em pertencer em momento ao desconhecido
O corpo tremendo em palavras nervosas e ansiosas
E te senti como a água que me combria em banho
Como se cada gota fosse cada toque, cada abraço...
Vem, em fúria, e me redescobre em arrepios do novo


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

EFÊMEROS



Como uma chuva de gotas de força bruta
Um desejo em sinestesia, em rajadas, nervoso
Em meus olhos de paixão foste fresco colírio
Os pés sem compasso à busca, instáveis
A forte respiração que fitava tua boca linear
Úmida, única, tentando com cheiro de momento
Assim como um carvão em chama lábil, vermelha

Tuas palavras, teus sonhos possíveis, fututo cônjuge
Sentimento súbito de delito, passional consciente
Ânsia edionda, criminosa, de sentir tua mão delicada
Teu charme me destruiu , torceu-me em estático, trêmulo
Meus músculos responderam em nervos eufóricos
Já não respirava em controle, rimas despretenciosas
Arma auspiciosa capaz de inanição, em nuvens

Nosso nu, o reconhecimento e o tato metafísico
Os beiços molhados, involuntários, desejosos de unidade
As linhas, as curvas, a métrica delicada, infindas
A arte do meu plano ideal, a sede que não se continha
O apego que já nasceu desapego, a certeza em silêncio
Deleitei-me em nosso feitiço sem truques, límpido
Assediamo-nos na pujança dos corpos, produto de amor

sábado, 1 de setembro de 2012

DISSOLUTO



Pude por anos dizer que não
Meu corpo te querendo em ódio, selvagem
Libertino, teu olhar horizontal me pertubou
Alvejando, sem freios, meus bons costumes
A dêixis sã do que eu tinha como amor
Homem culpado, desregrado, impune
Imune, em ações, às minhas convenções

Pude por vezes não desfrutar
Meu desejo traindo a mim mesmo, a suja pureza
Concupiscente, a entrega era medrosa e lasciva
Compilando o êxtaxe e as dúvidas em um momento
O segundo plano de uma obra protagonista
Companhia voluptuosa, em gritos, silenciosa
Impudico, impiedoso, dono da minha libido

Pude em lucidez te julgar
Minha verdade projetando o modelo de ti, perfeito
Cônscio, meus moldes sem efeito, inúteis
É em tua liberdade, teu sopro de força de vida
O limite imensurável e intocável, em risos
Cúmplice sem palavras, os atos, mesmo em distonia
Coeso e incoerente, a confusão de minhas escolhas

Pude em gestos te reprovar
Minhas atitudes cabisbaixas e palavras cravadas, afiadas
Covarde, te troquei por certezas sem emoção, efêmeras
Mas é em minha lúcuda embriaguez, cara sem máscaras
Que me ligo em único, sem anexos, sem regras alheias
Amando em loucura, em qualquer verdade, entorpecente
A ti, meu vício eterno sem cura

sábado, 23 de junho de 2012

CANELA DE SAUDADE



Que cheiro de cozinha ao leite de coco
De voinha com a mão na peneira, misturando o leite com o milho
Do açúcar que inunda o espaço
Do amarelo que tonifica os objetos
Da colher de pau lambida, escondido
Da quenga de coco para raspar com açúcar, pense que gostoso
Das bacias coloridas com os ingredientes exalando juninidade
Do ralador e do bagaço
Das xícaras marrons na medida certa
Do cravo impotente em sua muideza

Do calor do caldeirão, do fogão velho
Do caldo engrossando, do amarelo que muda de amarelo
Das palhas, dos cabelos
Do rádio que tocava forró, das rizadas de lembranças
Das horas ao fogo e do toque de erva doce ao final, que delícia!
Da canjica doce e gelatinosa
Da pamonha perfeita que não estoura
Do pé-de-moleque forte à castanha
Da cumplicidade, éramos nós dois

Das seis horas da noite
Da minha roupa nova, o sapato cheiroso
Do chapéu de palha coçando a cabeça
De mainha dando o toque final, o carinho
Do bigodinho e do cavanhaque a lápis preto
Do cabelo à prova de fumaça, das lágrimas
Das fogueiras, do querosene, da bola de papel com óleo
Do medo de me queimar, da brasa boa de pular
Do traco de massa, do peido-de-veia, da bomba

Da quadrilha, das vozes, dos gritos
Das músicas, da força que arrepiava, dos prazeres
Dos palhoções,das luzes e das palmas
Dos passinhos de forró, o suor das meninas
Do cheiro de felicidade, da expressão da alegria
Do sorriso coletivo ao acompanhar um balão no céu
Da beleza dos arraiais, as bandeirolas, as bandeiras
Das cores, do ritmo contagiante e empolgante
Do final da festa e das lembranças
De saborear minha infância e sua inocência